<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091</id><updated>2012-01-28T00:14:03.046-02:00</updated><title type='text'>Testamenta</title><subtitle type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Testamenta é o espaço das crônicas surreais e do surrealismo crônico; a desconstrução do senso comum; o avesso do mundo. É o lugar dos textos que se debatem para caber onde não há mais cabimento; um baralho só de coringas. Labirinto onde nos perdemos e somos nossos próprios minotauros. Ariadne mortua est.&lt;/p&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>95</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-5100849952458201177</id><published>2012-01-27T01:17:00.001-02:00</published><updated>2012-01-27T01:18:53.424-02:00</updated><title type='text'>Máscaras: de Ultraman a Joseph Campbell</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazia tempo que não escrevia aqui; talvez, na verdade, não escrevesse nunca mais porque nunca mais senti vontade, cumpriu-se uma das principais funções deste blog: dei-me alta. Continuo em guerra, mas estou em paz com ela, ou melhor, com todas elas. Nunca quis resolver nada, mas acabei entendendo tudo, e isso foi primordial. De fato, nem senti saudades. Usei, abusei e abandonei, dei as costas, larguei de mão, perdi o interesse. Assim como amei, desamei, porque é essa a natureza do amor e quem quiser discordar, é gentileza fazê-lo em seu próprio blog, não tenho mais paciência nem caridade com a opinião alheia. Cachorro!, dirão. Quem diria, sou rodrigueano! E eu achando que era clariciano, como todo mundo no facebook. Talvez volte a escrever, não sei, não quero me comprometer - totalmente rodrigueano o cafajeste, e é engraçado como a honestidade acaba sempre levando um tapa na cara, a pobrezinha, ela, também, uma velhaca. Deixei de escrever também porque não havia quem me lesse, e já houve, mas, convenhamos e sejamos velhacos, quer dizer, sinceros: a quem interessa a minha opinião sobre o arremedo de mundo em que vivemos e o rascunho mal feito de gente com quem convivemos? Se eu mesmo não aguentei Ciorán, por que cargas d'água haveria quem me tolerasse por mais de uma postagem? O fato é que houve, mas tudo passa, porque tudo é transitório, até a razão. Por que voltei? Porque se me pediu um texto sobre máscaras, dessas que usamos no carnaval, nos clubes, em casa, no trabalho, nos relacionamentos, diante do espelho. Não sei, aliás, nem posso compreender, o que tenha motivado o pedido: não sou sociólogo, não sou antropólogo e nem psicólogo, apesar de viver em sociedade e me relacionar com toda a espécie de ser humano há quarenta anos, o que me dá certo respaldo e uma vontade enorme de parar de viver em sociedade e conviver com as pessoas. Isso não dá, de fato, o diploma, mas, ora, se se mete a escrever quem não fez Jornalismo e nem tem ideia do que seja fazer Letras, então, meu sinhô, alto lá que a prática da vida me autoriza a dizer bobagem como se escreve. Vá bem, autoriza-me a ser um sociólogo de quinta, um antropólogo medíocre e um psicólogo de botequim - e o que é pior é que eu sequer frequento botequins -, mas autoriza-me, pelo menos, a pensar e a escrever o que penso, ainda mais nesse espaço que é egoistamente meu, possessivamente meu, irremediavelmente intolerante, alterofóbico, autoritário. Mas aqui, no meu feudo, posso tudo. Violência seria impor-me e o meu pensamento em redes sociais, lugares, aliás, violentíssimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quis aceitar a encomenda. Primeiro porque, como filósofo rasteiro e retórico vilão, não deveria aceitar produção textual gratuita. Da última vez que fizeram isso arranquei-lhes da farda o galardão de amigo. Então vai-se sempre de joelhos e humildemente consultar-se com um médico, mas o escritor tem obrigação de escrever a troco de nada? Que acham que sou, professor? Já quis ser, mas, felizmente, apareceu a figura fagueira e sempre presente em nossas vidas do famoso filho da puta e desviou-me dessa aspiração. Acho que o magistério, de fato, ficará muito mais digno sem a minha presença, pois tamanho foi o esforço para desviar-me desse caminho que eu mesmo acreditei ser eu o filho da puta. Talvez seja, mesmo minha mãe não estando num verso de Marcial. Outro motivo pelo qual não quis aceitar a incumbência foi o fato de o assunto já ter se banalizado a tal ponto de haver uma série de fascículos, desses de banca de jornal, sobre máscaras, e, a cada número, uma nova máscara, daquelas que se penduram na parede e que começam a falar com a gente quando estamos sós. Em épocas em que a expressão "república de banana" já foi elevada a enésima potência e a bananice já saiu do âmbito geopolítico e também dos pijamas listrados para embananar tudo a nossa volta, graças à velocidade e à nulidade qualitativa da informação e da opinião - estou incluído, não sou hipócrita, embora, eu também, banana - o termo máscara, principalmente o termo máscara, já se tornou uma bobagem. Provo. Entre em sua rede social e poste algo do tipo (eu mesmo já fiz isso e é garantido): "aqui somos todos felizes mascarados cujas faces tristes e horrendas, mutiladas pela realidade boçal e massacrante do cotidiado, escondemos atrás de citações de escritores, palavras de amor e filosofias de pára-choques de caminhão". Espere alguns minutos e veja a avalanche de curtimento e comentários cheios de concordância que você receberá. Eu, então, que cursei Letras, cheguei a perder a referência do sentido de máscara, tamanho o uso indiscriminado pelos eruditos que viam no verso mais quebrado e na prosa mais, digamos, simples, uma máscara cultural ou autoral digna de análises heideggerianas profundíssimas. Aliás, a máscara e o espelho nunca foram tão vilipendiados depois de Freud. Ou teria sido depois de Lewis Carrol? Talvez depois do teatro romano, ou grego... O que quero dizer é que, em resumo, não sei o que poderia acrescentar ao já esgotado e desacreditado assunto da máscara social que já não tenha sido dito, comentado, falado, em rádio e TV, cinema e livro teórico insuportavelmente cansativo e arrogante.&lt;br /&gt;E por que resolvi escrever, já que nada receberei, já que ninguém lerá, já que ninguém se importará, tampouco eu,&amp;nbsp; já que tinha e jaquetão? Resolvi escrever porque vi que poderia contribuir, com o perdão da expressão e da ousadia, com algo que ninguém mais poderia: minha própria experiência com as máscaras, e, mais do que isso: se a máscara, assim como o espelho, quebrou-se de mão em mão, é hora de resgatá-la, de salvá-la da sua má impressão, da mesmice em que a colocamos: é preciso honrar a máscara que vestimos, apesar de a vestirmos! A má fama pseudoteórica da máscara foi-lhe injustamente atribuída. A máscara, desde algum tempo, é confundida, inapropriadamente, erroneamente, com a falsidade com a qual podemos nos comportar - eu diria até mesmo com a qual devemos, muitas vezes, nos comportar, que é como a mentira, que devemos, muitas vezes, em prol da manutenção da civilização como a conhecemos, necessária. Duvida? Então imagine como seria a sociedade se, a partir de agora, não houvesse mais a mentira e reinasse impávida e soberana a autenticidade, a genuinidade e a sinceridade de nossas personalidades. Na sua imaginação, sobreviveríamos? Se sim, imagine-me nela e me dê alguma redenção e esperança nesse trapo genético que se chama humanidade, deixe eu viver na sua utopia, a minha já virou filme apocalíptico.&lt;br /&gt;A falsidade, portanto, é diferente da máscara, e é aí que entra a minha experiência pessoal que dificilmente os interessará a ponto de continuarem lendo, mas terei ao menos cumprido a promessa de escrever essa verdadeira fazenda de abobrinhas. Tudo começou na infãncia - e não poderia ser diferente - num dia de Carnaval, esse que tanto detesto, que tanto me soa como uma procissão de imbecis se degradando a troco de uma dessublimação erotizada e libertadora não sei de quê, já que o folião brasileiro é, por natureza, erotizado e libertário e quer mais que o mundo acabe em bloco para ele morrer num desfile na Banda de Ipanema. Esse mesmo Carnaval que não passa de uma grande esquema de lavagem de dinheiro do braço do Jogo do Bicho do crime organizado - o que, aliás, prova que as autoridades são burras ou comparsas desse esquema, pois todo mundo sabe que a liberação do Jogo do Bicho é muito mais befénica do que a manutenção do seu status de contravenção - e que o povo, mesmo sabendo disso, privilegia e prestigia em massa, provando, ele também, no final, que é o maior mantenedor e mitificador do crime organizado de que é, ele próprio, vítima, diariamente. Ou seja: ô povinho burro. Não é que eu não goste de Carnaval, ocorre que o que se tem hoje não é mais Carnaval, é crime organizado, é bandalha, é sujeira, é submissão ao turista, é calendário oficial de alienação, é uma desculpa esfarrapada de tradição cultural. O Carnaval mesmo ficou lá na década de 30, 40, com a Carmem Miranda, com os Entrudos, com o Zé Pereira no século XIX, com as marchinhas inteligentes, levemente obscenas mas respeitosas. Hoje comemora-se um hedonismo burro, gratuito, inócuo, vazio e que nada acrescenta. Quando eu era garoto, época em que os dinossauros corriam livremente e se reproduziam alegremente pelos campos de Pangéia, o Carnaval já não era nem tanto lá nem tanto cá, mas dele ainda se salvava alguma coisa, onde havia bailes de crianças, crianças no sentido pueril, não no sentido da extirpação forçada da infância como é nos dias de hoje. Lembro-me que as mães fantasiavam os filhos de personagens de contos de fadas, aliás, era uma época em que se podia brincar o Carnaval com os filhos! Mas, enfim, não importa, isso é rabugice de quem foi fantasiado de anão Zangado da Branca de Neve. Explica-se muita coisa, não? (Eu disse que me havia dado alta...). Pois bem, nessa época, em Copacabana, havia, nas esquinas, quiosques onde se vendiam fantasias para crianças, colares havaianos, miçangas em geral, lança-perfumes de plástico, de onde só saía água, confetes e serpentinas, estas últimas muitíssimo utilizadas por mim na janela da casa dos meus avós paternos. A rua ficava imunda, mas colorida. Pois é, não tive educação nesse sentido, mas, mesmo assim, hoje consegui virar um cidadão que joga o menor pedaço de papel na lixeira. Nesses quiosques também se vendiam máscaras, e foi nesses quiosques que tive minha primeira experiência com máscaras, sem sequer desconfiar de que, um dia, escreveria artigos, dissertação de mestrado e tese de doutorado falando delas, e falando mal! Uma das máscaras de que mais gostava era a do Ultraman, personagem que talvez muitos de vocês não conheçam, ou melhor, certamente conhecem, porque não há hoje informação nenhuma restrita a nenhum canal. O Ultraman não era o meu personagem japonês do tipo ser humano que se transformava em alienígena humanóide gigante para lutar com monstros espaciais que queriam destruir Tóquio preferido, aliás, e agora que estou verbalizando, não que eu tenha nada contra japoneses, mas é interessante como Tóquio passava a ser a nossa cidade durante os episódios do Ultraman... O meu herói preferido, desse tipo, era o Spectreman, e ainda é. Acho que é porque a abertura do seriado (na época a gente chamava série de seriado) era mais emocionante, mais animada, tinha uma música melhor. O fato é que não havia máscaras do Spectreman, apenas do Ultraman, e eu queria ser como o Ultraman, como toda criança quer ser hoje o Neimar. Não, não, me desculpem, foi uma comparação idiota, são coisas muitíssimo e lamentavelmente diferentes. Nós queríamos ser o Ultraman ou o Spectreman por motivos nobres, não pelos motivos que hoje constróem o ideal equivocado de sucesso nessa sociedade torta, míope e retorcida. O Ultraman e o Spectreman salvavam o planeta e destruíam o mal, e ainda faziam de graça, por puro altruísmo e bondade, coisas com as quais as crianças de hoje não têm mais contato porque se proibiu inclusive o direito de serem educadas pelos pais. De qualquer maneira, o Ultraman era um cara legal e uma máscara sua não era nenhum demérito. Infelimente, acho que ela me apertava as têmporas ou eu ficava sem poder respirar direito, não conseguia usá-las. Foi o meu primeiro contato com máscaras, no sentido literal e no sentido psicológico, e é aí que começa a diferença entre a máscara e a falsidade. Nós não queríamos ser O Ultraman, nós queríamos ser COMO o Ultraman. Era como se eu, o Antonio, continuasse a ser o Antonio, só que vestindo a mesma roupa do Ultraman, imbuído do mesmo altruísmo, do mesmo destino nobre do Ultraman. E essa é a máscara de que quero falar, tão diferenciada da tal "máscara social" que andam fulminando por aí. A máscara do Ultraman não é uma máscara social porque não mudava o meu comportamento, não mudava as minhas características, não alterava minha essência nem minha personalidade, coisa que a tal "máscara social" faz com as pessoas de hoje. Mas, vamos por partes. Esse, portanto, foi o meu primeiro contato com a máscara, com a alteridade, mas sem ser, no fundo, uma alteridade, era uma variante, um acréscimo, um adorno de personalidade. Desse primeiro contato, aprendi, mas só hoje me dou conta disso, obviamente, que a máscara não deforma nem dissimula, ela agrega, ela ressalta, ela acrescenta e incrementa a mesma personalidade de quem a usa. Meu segundo contato com máscaras foi com os quadrinhos de super-heróis, uma de minhas matrizes culturais mais fortes porque as máscaras são matrizes culturais poderosíssimas, principalmente a que cria alteregos, como são os dos super-heróis. O Batman, talvez o exemplo mais emblemático, é o mesmo Bruce Wayne: a máscara do morcego não disvirtua a ética e a moral do seu alterego. Se Bruce Wayne não mata, Batman também não mata, por exemplo. Continuam sendo a mesma pessoa. É claro que, por razões óbvias, Bruce Wayne precisa se comportar de maneira antagônica ao Batman para não levantar suspeitas de que são a mesma pessoa. Isso é vestir uma máscara social? Não! Batman não frequenta os mesmos círculos sociais que Bruce Wayne, então Wayne não tem a necessidade de ser outra pessoa, de se passar por alguém que ele não é por detrás de uma máscara/comportamento. Batman não é Bruce Wayne numa rede social, por exemplo, e nem vai a festas da sociedade, então não há o entrecruzamento, a convivência no mesmo meio. Não uso o exemplo do Super-Homem porque é um exemplo extremo, já que o Super-Homem é os cornos do Clark Kent e não há uma "máscara" para o Super-Homem, pelo contrário, são idênticos - embora ninguém perceba -, e por isso Kent tem que agir de forma diferente do que ele realmente é, por uma necessidade de simulação, isso é, pelo menos nos desenhos e filmes clássicos, em que fizeram de Clark Kent praticamente um débil mental, mais o menos o caso do Príncipe Adam com o He-Man. De uns tempos pra cá, Clark Kent tornou-se um personagem de personalidade tão forte quanto a do Super-Homem, o que só prova que essa máscara não é deformadora. E com o Homem-Aranha? O Homem-Aranha é o mesmo Ultraman que eu queria ser quando criança: continua sendo o Peter Parker, só que agora com mais funcionalidades, com mais possibilidades. O Peter Parker e o Homem-Aranha não são personalidades diferentes, são situações diferentes, exatamente como eu e o Ultraman e como o Batman e o Bruce Wayne: a máscara, nesses casos, é amplificadora e não deformadora. Meu terceiro contato com as máscaras foi na maturidade e foi muito mais profundo: deu-se através da série de livros As Máscaras de Deus, de Joseph Campbell, um mitólogo que é pouco respeitado em meios acadêmicos, o que, para mim, é motivo mais do que suficiente para ser lido e por mim respeitado. De fato, Campbell é uma sumidade, uma autoridade em mitologia. Basicamente falando, a obra de Campbell procura mostrar que as representações do divino criadas pela e para a espécie humana são, no fim das contas, uma só, mudando somente de nome e de lugar, de acordo com a necessidade, a geografia ou o idioma, por exemplo. Sabem aquela polêmica de que a história de Jesus, um Deus que teria nascido de uma virgem e que depois ressuscitou dos mortos ser apenas uma releitura de outros mitos idênticos anteriores a ele? Pois é, esse é apenas um dos exemplos. Campbell retoma velhos mitos como o Paraíso, o Dilúvio, figuras como a da serpente, do diabo e mostra como estão todas interligadas e têm a mesma origem. Esse contato com a obra de Campbell me fez ver que o Ultraman, o Batman, o Super-Homem, o Homem-Aranha e Deus são apenas amplificações e não alterações de uma mesma coisa. E aí está a máscara de que queria falar, a máscara física, a máscara da representação. Atentemos para o léxico (re)presentação, apresenta duas vezes. Vamos além: (a)presenta duas vezes. A presença de quem veste as máscaras ainda está lá, mas duplicada ou aparentemente não presente (a-presentada), oculta pela máscara, mas ainda está lá.&lt;br /&gt;Mas e a máscara social? Será que ela é presencial como a outra? A máscara social é um deturpação da expressão "máscara", porque a máscara primordial não altera, enquanto a social altera a personalidade, transforma, mesmo que, para isso, utilize os mesmos recursos da máscara primordial (estou chamando assim a máscara da representação): reduplicando e ampliando. Explico. Não podemos simplesmente ser os mesmos em determinadas situações sociais, e ponto final. Por mais que eu admire e respeite a autenticidade das pessoas, comportar-se sinceramente, sempre, não dá, ou melhor, até dá, mas há um preço a pagar, e disso sabemos muito bem. Não estou dizendo nada do tipo "a ocasião faz o ladrão", não é isso! Estou dizendo que, se no meu dia a dia, eu me permito dizer que não gosto de alguém, não posso, numa festa, por exemplo, ser apresentado a alguém e dizer-lhe olhando nos olhos: achei você escroto, não gosto de você. Posso? Me respondam vocês! Essa é a máscara social, é a máscara comportamental. A máscara amplificadora é uma escolha (eu, Kent, Wayne, Parker a até Deus podemos deixar de usá-las quando quisermos), enquanto a máscara comportamental é uma imposição. Se você chegou até aqui, pergunto: você já foi você mesmo em cerimônias de pompa? Se foi, pagou um preço? Você já engoliu sapos? Você já se prostituiu eticamente ou já se violentou moralmente? Você diz sim e não sempre que quer ou o sim e o não estão condicionados? Em outras palavras: você já mentiu? Veja, não se trata de julgar, não estou fazendo isso! Pelo contrário, estou dizendo que a máscara social, ao contrário do julgamento fácil que ela tem por aí, é necessária e muitas vezes está fora de nosso controle. É claro que há muitas variantes. Por exemplo: numa rede social, me parece que a máscara social não é tão usual entre os jovens que já nasceram com essa ferramenta disponível, ao passo que nós, os mais velhos, ainda estamos tentando lidar com ela, pois, para nós, a rede social é um outro protocolo que nós desconhecíamos, ao passo que, para os mais novos, eles sempre conheceram. Então os mais velhos mentem nas redes sociais e os mais jovens são sempre sinceros e agem nas redes sociais como agem na vida normalmente? Talvez. Mas não há leviandade aí. O "talvez" se encaixa nos pseudônimos, por exemplo, nos "fakes". O que eu quero dizer é que a máscara social não pode ser banalizada, não pode ser julgada como vem sendo julgada a torto e a direito. A máscara social é uma necessidade de sobrevivência social. A máscara social virtual é uma outra coisa, é um outro status que ainda precisa ser analisado com mais calma, com mais dados. Hoje mesmo li uma frase no facebook que dizia assim: "se&amp;nbsp; hipocrisia matasse, haveria chacina no facebook". Ora, a frase não é minha, sinal de que outras pessoas estão identificando "falsidade" (= máscara social) na rede social, ou não estão? Será que esse tipo de manifestação não é esse mero julgamento fácil de que venho falando e que acho um erro? Ou será que a máscara social virtual é um fato? Posso dar outro exemplo. Eu mesmo tenho utilizado o facebook muito mais para compartilhar pedidos de adoção de cachorros abandonados do que outra coisa. Pois bem, muitos de meus contatos cansam de dizer que são contra os maus tratos contra animais, que não toleram injustiça, e postam mensagens lindas com fotos de casais apaixonados e todo esse tipo de coisa, mas não vi, até hoje, com raríssimas exceções, compatilharem as mensagens que eu posto com pedido de adoção de animais. Como dira o Gil Brother Away de Petrópolis: porra, meu irmão, que porra é essa? Cheio de papinho mole, carinho pra cá, carência pra lá, Deus é fiel, Jesus é a Salvação, o que importa é o amor, ações me conquistam mais do que palavras e tal, e aí?, e na hora de promover o que pode vir a ser o fim do sofrimento de um animal, por que não coloca em prática a porra da ideologia que se está pregando? É a máscara social virtual? Vejam como sou bondoso(a), vejam como tenho um enorme coração, vejam como valorizo a verdade, a caridade, a sinceridade, o amor, o altruísmo... E aí? Não pode dar um porra de um clique pra ajudar um animal que se perdeu cujos donos estão desesperados? Que porra é essa? Isso é máscara social! Porque isso deforma, ou é a deformação demandada pelo veículo de autopromoção, voyerismo e exibicionismo de um rede social. Mas isso não é novidade, muito mais antigo é o "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço". Então as redes sociais são, na verdade, uma mesma coisa antiga só que mais abrangente e mais rápida? Quantas são, então, as máscaras? Quantas são as máscaras sociais? Quantas são as máscaras sociais virtuais? A mesma que eu visto quando vou a uma reunião de condomínio é a mesma que uso com a namorada ou com a tia velha que nunca vi na vida mas que tenho que comprimentar no Natal?&lt;br /&gt;Não sei se esse texto chega a alguma conclusão ou se deve mesmo chegar a alguma conclusão em relação às máscaras sociais. Necessidade ou perversidade? Se nós somos capazes de colocar máscaras em Deus, que dirá em nós mesmos! Se há alguma verdade nisso tudo, a verdade, com "v" minúsculo mesmo porque é a minha verdade, e não a Verdade, porque, essa, ninguém conhece, é que o ser humano mente, dissimula, trai, engana e é falso, e nisso eu me incluo porque não sou diferente em essência de ninguém. Ainda assim, acho que julgar as máscaras sociais é julgarmos a nós mesmos, é fazermos de casos particulares uma unanimidade muito estranha. Para mim, nós não mudamos em nada do paleolítico até hoje, a única diferença é que hoje nós usamos iPhones para mentir. A nossa máscara ritual hoje é feita de cristal líquido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-2QFcCrg1u-k/TyIXjTGbfkI/AAAAAAAABYI/Sz2mWIlHcHY/s1600/Ultraman.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-2QFcCrg1u-k/TyIXjTGbfkI/AAAAAAAABYI/Sz2mWIlHcHY/s400/Ultraman.jpg" width="306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-5100849952458201177?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/5100849952458201177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2012/01/mascaras-de-ultraman-joseph-campbell.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5100849952458201177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5100849952458201177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2012/01/mascaras-de-ultraman-joseph-campbell.html' title='Máscaras: de Ultraman a Joseph Campbell'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-2QFcCrg1u-k/TyIXjTGbfkI/AAAAAAAABYI/Sz2mWIlHcHY/s72-c/Ultraman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-7896943707079657296</id><published>2011-11-23T16:09:00.000-02:00</published><updated>2011-11-23T16:09:10.957-02:00</updated><title type='text'>Jade de Fogo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo pela manhã, quando os barcos descascados como velocípedes triunfavam  sobre a academia de espelhos, recolheram-se como sempre fizeram em tempo  algum: assaram bolos dentro de cadeiras de marfim e áspides de  crocodilo. Totalmente em desacordo com as linhas da matemática de Van  Gogh, as cores e os paralamas também escolheram as gotas de Minerva  para, mais uma vez, suspenderem os corpos da ribalta em elegantíssimas  cortinas de um azul sinistro como o parto de uma elefanta de  botequim. "Nem pensar", amarraram as sequóias em jantares amarelos,  confundindo triângulos e decompondo tratores como quando jaziam em rotatividade  as senhoras de Budapeste. Mas nem todas as famas e preguiças eram  oriundas de duas miscigenações retorcidas sob banguelas polifônicas:  toda uma movimentação sob as águas do Império Turco de Alexandre Magno  acabaram por eclodir em uma interpretação rítmica de mazelas etéreas,  uma vez que, constiuídas de sal e artérias, todas as orbes dentárias  terminaram por enaltecer as raízes de Fausto, já relatado por mordomos  em palácios de atalaia. Ora, se diante de toda essa colméia de  intrépidas orelhas, as cidades tímidas dos contos de Ur também quisessem  teorizar sobre bibicletas de algodão enquanto, ao mesmo tempo, logo  depois que Moisés saltasse de uma panela segurando três cavalos de patas  prenhas, por onde estariam desalojadas as duzentas e oitenta e sete  secções de arroz? Numa janela cheia de moedas? Claro que não! Foi então  que o embaixador preferiu ordenhá-los: "Isto é um chapéu!" "Oh!",  resumiram os pomares de prata enlatados em fazendas da lua sob a flanela  caótica do meio-fio acéfalo. Tudo então começara a arder como se nuvens  concordassem com a tinta da parede de corsas. "Larguem a vela  dentada!", entornaram as vilas; "Quase lanço retratos, corais!", regaram  um peão. O xadrez estava atrasado e Nabucodonosor estalava camelos como  se regurgitam bengalas. Muito ainda estava por ansiar naquele vôo de  tremendas pontadas e orgulhosos batéis. Foi quando a fome do trema, cujo  trem expremeu toda a coluna, trincou a alegria da teia e escureceu a  roda da montanha de Holanda. As vacas horizontais fechadas em casulos suspeitaram da  cabeça ondulada de Martin Boleador, uma traça dedicada a conferir ,pêra  após pêra, toda a salamandra octogonal de três uivos. Nem mesmo os rios  escreveriam na cisma nua de Pantagruel, verdadeiro ditame das  conferências de neve. E foi assim que subimos todos no terno ruidoso de  quarenta e sete urubus, dentre os quais esperneavam obtusos mil olhares  de bambu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NRVlWX5jl2Y/Ts02vYirBcI/AAAAAAAAAHo/6JYRwqAAcT8/s1600/Elefante.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="256" src="http://2.bp.blogspot.com/-NRVlWX5jl2Y/Ts02vYirBcI/AAAAAAAAAHo/6JYRwqAAcT8/s400/Elefante.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-7896943707079657296?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/7896943707079657296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/jade-de-fogo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7896943707079657296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7896943707079657296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/jade-de-fogo.html' title='Jade de Fogo'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NRVlWX5jl2Y/Ts02vYirBcI/AAAAAAAAAHo/6JYRwqAAcT8/s72-c/Elefante.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-7007979864813362241</id><published>2011-11-20T22:55:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:55:20.875-02:00</updated><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>Minh'alma já fez suas malas,&lt;br /&gt;Diz que é preciso partir.&lt;br /&gt;Não quero nem posso impedi-la,&lt;br /&gt;"Vai", eu lhe disse,&lt;br /&gt;Como se um dia quiseste ficar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca de fato nos demos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem ela quis muito a mim,&lt;br /&gt;Nem nunca eu lhe fora com a cara.&lt;br /&gt;Naquilo em que ela acredita,&lt;br /&gt;Vejo eu utopia imbecil.&lt;br /&gt;Naquilo em que eu acredito,&lt;br /&gt;Não cabem nem anjos nem almas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito eu mesmo o queria,&lt;br /&gt;Que pudéssemos nos afastar,&lt;br /&gt;Não trouxemos de bom quase nada,&lt;br /&gt;Enganos e dor um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobe depressa, me esquece!&lt;br /&gt;Pra que prolongar esse inferno?&lt;br /&gt;Salva-te a ti e me deixa,&lt;br /&gt;Sozinho, só eu, com a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os olhos são o espelho da alma,&lt;br /&gt;Os meus são opacos, vazios.&lt;br /&gt;Meu corpo é oco sepulcro,&lt;br /&gt;Féretro violentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é minha guia e o teu é o teu Deus.&lt;br /&gt;Não te submetes à minha,&lt;br /&gt;Tão pouco eu respeito o teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há Deus?&lt;br /&gt;Ha! Deus!&lt;br /&gt;Ah, Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-raPoKhjUcLQ/TsmhcKVgGAI/AAAAAAAAAHE/yaBHd6gol90/s1600/alma.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-raPoKhjUcLQ/TsmhcKVgGAI/AAAAAAAAAHE/yaBHd6gol90/s1600/alma.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-7007979864813362241?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/7007979864813362241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/despedida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7007979864813362241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7007979864813362241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-raPoKhjUcLQ/TsmhcKVgGAI/AAAAAAAAAHE/yaBHd6gol90/s72-c/alma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-7814547659260135965</id><published>2011-11-20T22:54:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:54:33.504-02:00</updated><title type='text'>A Velha Remington</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Na  penumbra difusa de meu escritório desarrumado, onde livros e ratos se  devoram uns aos outros, range o ventilador de teto uma cantiga dos  infernos que me faz adormecer sobre a Remington enferrujada.  Contrariada, embaralha as hastes do alfabeto de aço no meneio sonolento  de minha cabeça aberta. Desperto com o baque e a penumbra do recinto de  paredes sujas e rachadas se torna vermelho de sangue que escorre pelo  meu rosto, fluindo em filetes espessos de meus olhos agora vazados. No  canto, vejo meu cabideiro começar a se contorcer para o lado,  derrentendo e formando um rosto sob o chapéu pendurado, até que completa  uma triste figura macilenta e cadavérica que aponta para mim com um dos  cabides dizendo com voz arrastada: ― maldito! ― urrando depois com o  ódio de um possesso. No chão, ao lado da poltrona rasgada feita de pele  mal costurada deixando entrever seus ossos e órgãos, vi um rato comer um  livro inteiro até se partir em dois, lentamente, deixando que folhas de  papel mastigado saíssem como fezes de dentro de suas duas metades.  Percebo então um barulho estranho que vem de cima: o ventilador de teto  está mais rápido agora, sem prumo, oscilando vertiginosamente e, quando  volto o olhar para a máquina de escrever, uma cabeça de mulher sem rosto  desnuda-me a caveira e vomita seu próprio cabelo amarelo escuro,  fazendo-o enrolar-se nas teclas e nas hastes da Remington que começa a  batê-las sozinha deixando no papel envelhecido e manchado uma mensagem  ininteligível, num idioma que não reconheço, mas que parece falar-me à  alma, no que bolço enojado com o que leio uma centopeia que vai  aninhar-se nas cavidades oculares da caveira datilógrafa, gritando como  se aquilo lhe causasse sofrimento. Ouço três golpes violentos vindos do  outro lado da parede, mais três outros vindos da parede oposta  acompanhados de uma súplica desesperada: ― me deixe sair, eu quero sair!  As batidas cessam repentinamente, tudo volta ao normal: a Remington  espera-me silenciosa e austera, em sua velhice secular e orgulhosa; o  cabideiro sustenta obediente o chapéu panamá e a jaqueta bege; a  poltrona surrada revestida de couro jaz no canto do escritório; é noite.  Volto à máquina de escrever, o papel amarelado espera resignado por um  destino. Não há ninguém na pequena casa de campo que fiz de escritório.  Sufoca-me o silêncio quebrado apenas pelo lento resmungo do ventilador  de teto. Encaro o papel em branco, imagens de corpos virados do avesso  me vêm à mente, direciono as mãos ao teclado, os dedos às teclas... A  porta do escritório bate ferozmente revelando, para meu horror, que,  atrás dela, na parede, havia o desenho de um rosto desfigurado em  expressão de agonia, mal desenhado, mas, que, mesmo assim, mostrava-se  impressionantemente vivo: os olhos moviam-se aflitos em todas as  direções e a boca parecia querer dizer algo, mas não encontrava voz nem  meus ouvidos; o rosto, comprimido, ovoide na horizontal, era emoldurado  por longos cabelos negros, desgrenhados. Começo a sentir uma dormência  nos músculos da face parecendo que vou explodir em insanidade quando,  endurecido, torto e retorcido, consigo voltar o rosto para a Remington,  cujo papel imprensado em seu carro estampado de letras, apresenta-me  desenhada a mesma figura da parede. Ensaio tirar as mãos do teclado mas  elas recebem o golpe doloroso de pregos e todo o teclado se mancha de  sangue. Estou preso. E não estou mais sozinho. Sinto a presença de  alguém à janela, a janela do pequeno escritório à minha esquerda, perto,  ao lado, à espreita, à distância de um tapa, de um susto, de um grito.  Alguém se debruça na janela, posso sentir o hálito nauseabundo que vem  de uma respiração ofegante, mas não quero olhar ― olhe...! Abro os olhos  e o que encontro é um quadro emoldurado por um rococó dourado. O estilo  de pintura é alegre, pinceladas rápidas e precisas, e na tela vê-se uma  jovem enforcada e estripada, pendurada no único galho horizontal de uma  árvore: seu vestido é de um azul-morto, quase verde; o corpo da jovem,  pendurado pelo pescoço quebrado, exibe seu rosto revirado: a boca  escancarada, a língua inchada e roxeada, os olhos abertos e  esbugalhados, os dedos retorcidos. A moça de cabelos soltos, negros e  compridos está com o ventre aberto, de onde saem-lhe as tripas que,  conforme vão caindo, quis o autor do quadro que se fossem transformando  em páginas soltas e livros, formando uma pilha sob os pés soerguidos da  enforcada. A árvore em que pende o corpo parece ser a única árvore numa  vasta área onde só há mato, relva, vazio, silêncio e angústia. A cena se  passa num final de tarde, quando a noite ainda não é noite e o dia  ainda não deixou de ser dia, à hora em que o céu desbota. No canto  esquerdo do quadro, sobre a grama verde-pálida, um pouco distante da  jovem morta, há um ninho e alguns filhotes de pássaro recém-saídos dos  ovos, estraçalhados por um predador qualquer. Horrorizado, escuto uma  voz sussurrar no meu ouvido enquanto uma barata passa rápida e  sorrateiramente pelo papel enrolado no carro da Remington: ― eu te amo.  No instante seguinte, um feto cai na mesa, envolto ainda no próprio  cordão umbilical, produzindo um ruído surdo, abafado como o grito de  minha garganta que deseja e não consegue dela sair. A porta se abre e da  soleira surge um braço descarnado e o apanha, levando-o para fora do  escritório: escuto um latido de um grande cão do lado de fora da casa e o  quadro some, deixando-me à vista apenas a mata sob a mortalha da noite.  Um choro me faz voltar a atenção para dentro do escritório, é um choro  intenso, mas de uma grande mansidão; entretanto, oprime-me o suficiente  para querer sair do aposento naquele mesmo instante, o que não consigo  pois sou atacado por uma força invisível que me golpeia no rosto  repetidas vezes e me faz levantar da cadeira com a violência dos golpes,  quase me derrubando. De pé, percebo que uma das paredes do escritório  agora tem uma cortina vermelha com bordas e cordões amarelos, como a dos  grandes teatros de nossas loucuras, de nossos mais profundos temores,  de nossos mais secretos pavores, a cobrir-lhe toda a área. Ouço o  badalar grave de um sino ecoar três vezes pela minha mente e, diante dos  meus olhos, as grandes cortinas vermelhas se abrem, dividindo-se em  duas e afastando-se para os cantos da parede, e reconheço uma gravura de  Doré riscada à sépia: o diabo em seu nono círculo infernal, como Dante o  descrevera na Divina Comédia, contudo, muito mais assustador, porque o  corpo que ele mastiga não é o de Judas, mas o meu e, de repente, começo a  sentir as dores das mordidas em meu próprio corpo, até que o diabo  parece ter-se fartado de mim e cospe-me com repugnância; e vejo-me fora  de minha casa de campo, à noite, diante da janela de meu escritório,  através da qual posso ver a jovem enforcada do quadro teclando na minha  antiga Remington, com o pescoço quebrado fazendo a cabeça pender  perturbadoramente para a esquerda. Ela percebe que é observada e  rapidamente joga a cabeça para na direção da janela com um movimento  rápido e impreciso do corpo sem vida, fazendo-me ver que seu rosto está  coberto de vermes. Afasto-me com asco da minha própria casa, caminho  sobre a relva vagando aleatoriamente, perambulando pelo limite do que é  real quando sinto alguém agarrar-me o tornozelo, fazendo-me cair. Vejo  emergir da terra meu próprio corpo apodrecido, vestindo um terno de  funeral, prendendo-se a mim, impedindo-me de sair de perto de sua  presença monstruosa e daquele lugar que exala um terrível cheiro de  podridão. Um coveiro se aproxima e lentamente cava um buraco próximo a  uma árvore, a árvore onde foi enforcada a jovem do quadro. Meu corpo  apodrecido leva-me pela mão até o buraco escavado pelo coveiro, um homem  velho cujo rosto está coberto por longos cabelos grisalhos e que usa  apenas chapéu de palha, um macacão e botas surradas. Entendo o que eles  desejam e deito-me na cova rasa. As duas figuras insólitas dão início a  meu próprio enterro, e é essa cena que está pintada e pendurada na  parede de meu escritório, à minha frente, sobre a velha Remington  enferrujada, na penumbra difusa de meu escritório desarrumado, onde  livros e ratos se devoram uns aos outros, onde o ventilador de teto  range uma cantiga dos infernos que me faz adormecer sobre ela, que  reclama embaralhando as hastes do alfabeto no meneio sonolento de minha  cabeça aberta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-M3OeeeS8FTg/TsmhOViCiJI/AAAAAAAAAG8/F7TCVKf_CxI/s1600/Remington.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="http://3.bp.blogspot.com/-M3OeeeS8FTg/TsmhOViCiJI/AAAAAAAAAG8/F7TCVKf_CxI/s320/Remington.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post-header"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-7814547659260135965?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/7814547659260135965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/velha-remington.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4793307345976616532</id><published>2011-11-20T22:53:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:53:27.716-02:00</updated><title type='text'>O Poeta e O Coveiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;É noite e com a lua alta,&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Desperto do sono diurno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Procuro uma presa incauta,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sou mocho, sozinho, soturno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Da árvore, minha morada,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Me lanço no ar, alço voo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Procuro segura pousada,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ameaçadoramente, ecoo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Do alto de um anjo temente, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Que suplica de braços em riste,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Avisto o velho coveiro, tão triste,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Cuja dor, de tão velha, nem sente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sombrio a cova ele cava,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Morada final de um defunto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Terrível ofício de pouco bestunto,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Tornar carne podre a quem se amava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A sina sinistra de sua existência,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Acostumar-se à dor, ao fedor, à excrescência,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ficar impassível diante do choro,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Da dor, da saudade, do fim do cioro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O que era belo, tão cheio de vida,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Se torna vazio, silêncio, agonia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;E lança-o à terra com tal maestria,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Que resta-lhe a face, cansada, sofrida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;E se não lamenta, não mostra pesar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;É porque em seu peito não há mais espaço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Cansou-se de todo vivente enterrar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Acostumou-se à novena, à tristeza, ao velar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Salto do alto do anjo sofrido,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Busco outros ares, um outro sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Encontro a janela de alguém entreaberta,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Pouso, assomo, assombro, alerta!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sentado, enfiado em sua escrivaninha,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Encontro um poeta de alma sozinha,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Varado na noite e angustiado,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Tão longe, distante e abandonado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ao lado e ao chão mil papéis amassados,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Refugos de sonhos, amores dourados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O peso da dor, da escrita proscrita,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Tornara-lhe pedra, montanha de brita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Tal qual o coveiro, também o poeta,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Compreendi a sutil semelhança,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Transforma o que é belo em desesperança;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Arauto da morte, do luto, o profeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O defunto na cova, a poesia no lixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A vida que cessa, a rima que erra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;De pé, um soterra; sentado, o outro mata.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Duas vidas sem sorte, a um passo da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Trocamos olhares de cumplicidade:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Pois se no escritório e no cemitério,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ronda a morte, atormenta o Fim,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sou eu, a coruja, o agouro a que vim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Dorme, poeta, em teu eremitério.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Descansa, coveiro, na horrível cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ou3zh1Cu3XM/Tsmg6S_rhQI/AAAAAAAAAG0/yQW1chavoyc/s1600/poeta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="241" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ou3zh1Cu3XM/Tsmg6S_rhQI/AAAAAAAAAG0/yQW1chavoyc/s320/poeta.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4793307345976616532?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4793307345976616532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/o-poeta-e-o-coveiro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4793307345976616532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4793307345976616532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/o-poeta-e-o-coveiro.html' title='O Poeta e O Coveiro'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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suave da lua,&lt;br /&gt;A mal iluminar as ruínas que persigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não venho à luz o dia,&lt;br /&gt;É por que não há o brilho do luar nos mausoléus,&lt;br /&gt;Não há as terríveis sombras&lt;br /&gt;Que, sendo nada, tornam-se tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temo o que desconheço,&lt;br /&gt;Nem fujo do mal que espreita,&lt;br /&gt;Da mão que revolve a terra,&lt;br /&gt;Dos corpos de angustiada ansiedade,&lt;br /&gt;E nem do sussurro agourento&lt;br /&gt;Das aves e insetos da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolho o certo e imutável destino,&lt;br /&gt;O ponto fatal sem retorno,&lt;br /&gt;Quando cruzo o portal empenado,&lt;br /&gt;Meio aberto, meio fechado,&lt;br /&gt;Que chora em latim mal versado,&lt;br /&gt;Que ali jazem mortos defuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som das folhagens a meus pés,&lt;br /&gt;É a voz do outro mundo a dizer-me,&lt;br /&gt;“Esquece-a, ó tolo vivente,&lt;br /&gt;Não há esperança na morte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paro então e contemplo o momento,&lt;br /&gt;Em que tudo se torna poesia:&lt;br /&gt;Os anjos que imploram o perdão,&lt;br /&gt;Os ratos nos dentes dos gatos,&lt;br /&gt;Arbustos e árvores tortas,&lt;br /&gt;O frio e o carinho do vento,&lt;br /&gt;Um vulto translúcido, pálido,&lt;br /&gt;Que deslizando no ar me observa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho no escuro enevoado,&lt;br /&gt;Sigo o que sonho encontrar,&lt;br /&gt;Ali, na janela, um luzido,&lt;br /&gt;Veloz e ligeiro se esvai.&lt;br /&gt;És tu, como dizem, assim creio,&lt;br /&gt;Que vagueia com teu candelabro&lt;br /&gt;Pelas alas e salas claras,&lt;br /&gt;Se escondendo de mim e da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me encho de medo e coragem,&lt;br /&gt;Adentro as ameias em falso,&lt;br /&gt;Hesito, me lanço e reflito,&lt;br /&gt;É isso que quero fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o coração não aceita&lt;br /&gt;A morte e a ausência da carne?&lt;br /&gt;Por que o coração pede à mente&lt;br /&gt;Que recrie a imagem perdida,&lt;br /&gt;E toma de nós a razão?&lt;br /&gt;Por que, coração?&lt;br /&gt;Por que razão?&lt;br /&gt;Por que, razão?&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e se o espectro vivo&lt;br /&gt;Não for meramente ilusão?&lt;br /&gt;E se a mulher que eu persigo,&lt;br /&gt;Agora uma amarga visão,&lt;br /&gt;Fugindo da morte resiste,&lt;br /&gt;Ou, morta,&lt;br /&gt;Não quis entregar sua alma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao escuro tateio,&lt;br /&gt;Me guia um raio de lua,&lt;br /&gt;E a luz que vem do candelabro.&lt;br /&gt;Teu pranto inaudível eu escuto,&lt;br /&gt;Mas e se não é teu esse choro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meto-me nos corredores,&lt;br /&gt;Flutuas depressa, espera!&lt;br /&gt;Fica somente no tempo passado&lt;br /&gt;A imagem de teu sobrevôo assustado.&lt;br /&gt;Mortal, eu preciso as portas atravessar,&lt;br /&gt;Etérea, isso não te detém.&lt;br /&gt;Por que não me esperas?&lt;br /&gt;Por que não te esqueço?&lt;br /&gt;A quem eu persigo?&lt;br /&gt;Por que tu me evitas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha coruja maldita,&lt;br /&gt;Que pia a morte dos vivos,&lt;br /&gt;Pousada num galho à janela,&lt;br /&gt;Entende bem pouco o que vê:&lt;br /&gt;O bruxulear de uma vela,&lt;br /&gt;Voando depressa aqui dentro,&lt;br /&gt;E sonha com um vaga-lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu que sou morto ainda vivo,&lt;br /&gt;Já sinto faltarem-me as pernas,&lt;br /&gt;E faltam tão poucos degraus.&lt;br /&gt;Ajoelho-me e fito o limo,&lt;br /&gt;A erva daninha incrustada na pedra,&lt;br /&gt;A lacraia e a aranha no chão.&lt;br /&gt;Claustrofóbica escada que gira,&lt;br /&gt;Engana-me e arranca-me o ar.&lt;br /&gt;Cessa o teu carrossel!&lt;br /&gt;Mostra-me no fim o que há!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E surge no alto diante da porta,&lt;br /&gt;A luz que eu via e a que perseguia,&lt;br /&gt;Na forma de chama dançando na vela,&lt;br /&gt;Na vela que chora e derrete de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então sob a vela, de prata entalhado,&lt;br /&gt;Do nada aparece o gran candelabro,&lt;br /&gt;Dançando no espaço vazio, no ar,&lt;br /&gt;A música triste do meu soluçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda cansado de tanto correr,&lt;br /&gt;E já sobre mim a lacraia e a aranha,&lt;br /&gt;É dado-me ver a razão de eu viver:&lt;br /&gt;Aparece de branco, roto vestido,&lt;br /&gt;Um branco de noiva, guirlandas — um sino!&lt;br /&gt;A mulher que se fora, que me abandonara,&lt;br /&gt;Tão alva e tão alta, comprida, menina,&lt;br /&gt;De negros cabelos à fronte ondulados,&lt;br /&gt;Cobertos por uma coroa de flores,&lt;br /&gt;Beleza de trapos, farrapos, retalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto de cor tumular,&lt;br /&gt;Sereno, sem brilho, ameaça chorar.&lt;br /&gt;Tremula o vestido, a luz, o luar,&lt;br /&gt;E ela, sem vida,&lt;br /&gt;Entrega-me&lt;br /&gt;O último olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-f43NnvORRGw/TsmgbOJaXBI/AAAAAAAAAGo/p-YOgyqxe0E/s1600/ghost-VictoriaFrances.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-f43NnvORRGw/TsmgbOJaXBI/AAAAAAAAAGo/p-YOgyqxe0E/s1600/ghost-VictoriaFrances.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-2903738604054366887?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/2903738604054366887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/gotico-31.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2903738604054366887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2903738604054366887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/gotico-31.html' title='Gótico #31'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-f43NnvORRGw/TsmgbOJaXBI/AAAAAAAAAGo/p-YOgyqxe0E/s72-c/ghost-VictoriaFrances.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-8497847020307013039</id><published>2011-11-20T22:47:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:47:59.541-02:00</updated><title type='text'>A Casa de Ganderkesee</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me apenas de ter empurrado a porta e desejado entrar em casa. Não  havia outro pensamento a ocupar a mente, como não havia nenhum  sentimento doendo em meu peito, nada. Estava cansado e mal sabia o  motivo. Pesavam-me os braços, as pernas, a vida, as rosas, as nuvens, os  anjos e as sereias: tudo era um olhar o chão. Não me é possível  responder, caso perguntem, quiçá se interessem, se chovia ou fazia sol  ou fazia lua ou ventavam pessoas pelo ar dos meus pulmões. A luz é tão  intensa quanto a escuridão, de forma que só posso falar de intensidades,  não de antíteses, estas, também pesadas. Talvez estivesse escuro, mas,  não está sempre escuro? Se havia chave? Talvez já me faltassem meus  próprios dedos. Que importa? Dedos, mãos, braços, tronco, pescoço,  cabeça: fardo gravitacional, carne podre, algumas moedas o quilo:  moam-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem gramas de acém; &lt;br /&gt;Vão-se todos os meus vinténs. &lt;br /&gt;Corre-se atrás do trem, &lt;br /&gt;Não me deixe, meu bem! &lt;br /&gt;Ok, fico em Jerusalém... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mim e a porta, um vazio de mim mesmo: suspiro longínquo... Meu  canto é mais leve que o ar mas o coração é frio; não há de subir o  balão; faz-se descer o caixão. De pé, exalo, e calo. Empurro a porta que  talvez já estivesse aberta. Portas e chaves, trancas e segredos: uma  volta, duas voltas, ferrolho e olho mágico. Abracadabra! Deformações de  mim mesmo do outro lado. Ou deste? Se tudo é referência, às favas com  alteridades! Favas contadas, contas de favo, abelha, colméia e mel. O  doce escorre da boca: clichês literários: eu, você e os operários.  Página virada range como porta aberta. Entro. Dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coentro é bom, &lt;br /&gt;Tempero apimentado, &lt;br /&gt;Arde, sopra, arde, sopra, &lt;br /&gt;Gozo é cura. Morrerei doente... &lt;br /&gt;E a rima? &lt;br /&gt;Perdeu-se entre os dentes... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro já, hesito, me assombro, rio de medo porque o medo é  engraçado, mas nisso não vejo a menor graça. A sala vazia me  cumprimenta: olá, pode entrar, sente-se na sua tristeza, puxe uma mágoa,  aceita um copo de rancor? Aceito o convite, dou mais alguns passos.  Ressentimentos de todas as cores e formas pendurados nas paredes da  sala: alva alvenaria niilista. A casa, assim, nua – desejo – parece-me  maior – desejo. Não me lembro de tantas janelas, nem de tantos  cômodos... Uma escada! Não havia escadas! Mau súbito repentino, cheiro  acre, frio na espinha. Quanto espaço, quanto espaço! Fel! Tudo começa a  girar; as janelas riem de mim, as portas batem, esbravejam... Carrossel.  Vomito em cima do cavalo azul mal pintado. A música me enjoa e ele me  morde! Sangue. A música me enjoa, enoja, nojo, vômito e risos. Apoiado  numa das paredes, a janela de madeira sem vidros mostra-me um mundo  verde que eu não conhecia. Nada me é familiar. Entrei na casa certa?  Passos no andar de cima. Pas-sos-pas-sos-pas-sos-pas-sos-pas-sos. Há luz  na casa, era dia então! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luz do dia, &lt;br /&gt;Casa vazia. &lt;br /&gt;Há mais terror num corredor à tarde &lt;br /&gt;Que à noite para um covarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero subir mas o medo me impede. Temo o que não vou ver nos quartos  vazios até a escada. Quartos nunca são vazios... Mesmo os vazios como  os que agora me aguardam passar trêmulo diante de suas portas  escancaradas. Sinto rostos, vejo vozes e ouço  mãos. Sinestesia  involuntária do pavor. Há três quartos pelos quais é preciso passar até  que se chegue à escada. Sei que não vou gostar do que vou ver... Dou um  passo... Dois... Três... Uma mão aparece agarrando o batente de umas das  portas. Da outra um rosto, do nariz até os cabelos, surge e me encara  com olhos enormes, desproporcionais, esbugalhados. Do quarto mais perto  da escada parece emanar uma escuridão barroca, profunda, tumular. É  preciso chegar à escada. Deixo a sala que se consome nela mesma numa  singularidade cósmica e aos berros. Não olho para trás porque de sal o  mar já está cheio. Passo pela primeira porta e não quero olhar para o  quarto – desejo – mas olho assim mesmo. O quarto, vazio até os ossos,  abriga uma criança que não posso dizer se é menino ou menina – criança:  adjetivo de dois gêneros. Ela veste preto sujo e está descalça.  Encostada num canto do quarto, observa a si mesma com as órbitas  oculares vazias comendo seu próprio braço. Mastiga, mastiga, mas-ti-ga e  vomita ao som do carrossel. Mamãe, me conte de novo a história da casa  de Ganderkesee? É preciso passar pelo segundo quarto e me recuso a olhar  para dentro – desejo. Estão no quarto uma mariposa, um cachorro e um  peixe. A mariposa se atira na boca do peixe que pula para a boca do  cachorro que se vira para mim e pergunta: existem sete corujas dentro de  um caramujo. Se sete gatos conseguem comer sete sapos e de dentro da  árvore saírem todas as suas tripas em chamas, quantos cadáveres serão  enterrados no cemitério de Ganderkesee? Nenhum, respondo de imediato,  porque em Ganderkesee os mortos não são enterrados, são pendurados nas  salas das casas até que lhe sobrem somente os ossos. Ouvindo isso, o  cachorro pareceu revolver-se e vomitou um caramujo, de onde saíram sete  corujas cada uma com um rosto diferente e todas elas gritavam-me:  Ganderkesee! Ganderkesse! Avancei para passar pelo terceiro quarto e  olhei para dentro dele. Não havia nada a não ser uma grande escuridão e  um grande silêncio. Por mais que o sol (?) iluminasse a casa vazia, da  porta daquele quarto para dentro não se podia enxergar nada. Estou cego,  pensei, e desejei entrar no quarto. Mal ergui meu pé do meio, vi  escorrer sangue do quarto para o corredor e ouvi um grunhido de porco  que vinha da escuridão. Senti um abraço e vi que era a morte a me  acariciar a face e beijar-me os lábios. Me ame, disse ela, mas virei o  rosto e cheguei à escada em caracol que subia até onde a vista  alcançava. Agora a luz do sol (?) já estava fraca. A casa sustentava-se  num lusco-fusco vespertino e trazia com ela seres alados e gente morta a  vagar pelo seu interior. Decidi então que subiria a escada. Volteei,  volteei e a música me enjoou e eu vomitei mais uma vez no mar de onde  ela saía, rasgando o peito de um tritão alado. O andar de cima não tinha  cômodos, era uma grande sala com muitas janelas, cada uma com uma vista  diferente: o nada, o universo, minhas entranhas, uma boca, um parque, o  cemitério de Ganderkesee, a casa onde eu acabara de entrar e o que mais  se pudesse ver porque havia mais janelas do que corujas em um caramujo.  E nada mais. No cento da grande sala vi um homem velho, de pé. Era  calvo em cima mas tinha cabelos brancos e compridos que lhe desciam das  têmporas. Vestia uma roupa estampada com losangos e sorria para mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pierrot, Arlequim e Colombina, &lt;br /&gt;Redentor, carmim e Cadaverina. &lt;br /&gt;Nunca mais se viu a menina...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O velho Arlequim caminhou trôpego na minha direção, como uma  marionete com algumas cordas arrebentadas. Eu queria fugir – desejo –  porque era uma velho disforme, sem dentes, olhos cegos, pele seca e  cheirava mal, embora estivesse feliz, porque ria de se acabar. Não podia  me mover para me esconder na carcaça do elefante no canto oposto da  sala e ali me esconder do velho Arlequim. Foi quando ele estancou na  minha frente como se estivesse estado sempre ali e me disse: quebre o  espelho, e apontou para outro canto da sala e ali eu pude ver claramente  do que são feitos os sonhos de infância: vi-me envelhecido, vestido eu  também como um Arlequim, segurando meu próprio coração e sangrando por  um grande buraco aberto no peito. Aos meus pés, deitado fielmente, um  cão negro em fatias. Quebre o espelho, em nome de Deus e por favor ao  diabo!, gritou o velho comigo abrindo a boca de forma a querer me  engolir e foi quando abri os olhos e me vi diante da porta da minha  casa. Lembro-me apenas de ter empurrado a porta e desejado entrar em  casa. Não havia outro pensamento a ocupar a mente, como não havia nenhum  sentimento doendo em meu peito, nada. Estava cansado e mal sabia o  motivo. Naquela noite chovera em Ganderkesee.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Ixa2-98OZ84/Tsmfr_jsUeI/AAAAAAAAAGg/V0KZiSSrVP8/s1600/Ganderkesee.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="352" src="http://1.bp.blogspot.com/-Ixa2-98OZ84/Tsmfr_jsUeI/AAAAAAAAAGg/V0KZiSSrVP8/s400/Ganderkesee.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-8497847020307013039?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/8497847020307013039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/casa-de-ganderkesee.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8497847020307013039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8497847020307013039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/casa-de-ganderkesee.html' title='A Casa de Ganderkesee'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ixa2-98OZ84/Tsmfr_jsUeI/AAAAAAAAAGg/V0KZiSSrVP8/s72-c/Ganderkesee.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-7443771365712734841</id><published>2011-11-20T22:46:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:46:08.458-02:00</updated><title type='text'>M-o-r-t-e-m-o-t-h-t-i-c-a</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tlec-tlec-tlec teclando teclas no teclado. Tela telúrica tabaco tenso  tuberculose tlec-tlec-tlec.Dedos digitam dias dores deusas divas  demônios drásticos densas dimensões de dragões e dardos. &lt;br /&gt;Tlec-tlec-tlec taras tediosas tantos tomates taxados táxi! troveja a tampa do tolo tatu. &lt;br /&gt;Mentes mansões manias modelos magnésio magnético melodrama musical melancias malemolentes. &lt;br /&gt;Quente... quente... quente... quero... quero... quero... queijo... queijo... queijo? &lt;br /&gt;Silêncios silvos sanguessugas salões salobros insípidas selvas suados sons de santa cecília. &lt;br /&gt;Tlec-tlec-tlec-tlec-flap-tlec-tlec-tlec-tlec-flap-tlec-flap-flap-tlec-...-tlec-tlec-flap-flap-tlec-... &lt;br /&gt;Sobressalto assustado medo pânico pavor e terremoto. &lt;br /&gt;Flap-flap-flap agitados intestinos envergaduras horrosas flap-flap-flap cores mortas negras noites de corujas e morcegos. &lt;br /&gt;Para o tempo de ampulheta cessa o tic dos relógios lá na rua o mendigo dorme (morto?) quem o sabe? &lt;br /&gt;Estanca o sangue empaca o sapo no pulo do gato que não é sapo perereca rabo e pelo de bigode. &lt;br /&gt;Frutos frouxos frases fracas freiam frechas framboesas freiras frias frascos frêêêêêêêêêêmito. &lt;br /&gt;Na parede olhos tortos olham um de cada lado flap-flap-flap rápidos  ligeiros velozes sem destino onde estão? Já não estão mais é o acaso do  trajeto e a falta de controle adrenalina da fobia causa enfarto quem  diria? &lt;br /&gt;Cubículo concêntrico de quatro cantos cada quantos cantos tem um cubo de coentro coalho e cal? &lt;br /&gt;Flap-flap-flap insiste a morte feia avança recua assombra suor  sangue poeira esbarra raspa roça resvala encosta berro grito agonia ai  Jesus! vade retro Satanás! Satanás se ri que chora Cristo é morto e se  demora. &lt;br /&gt;Flap-flap-flap cessa o rito a ameaça estancada na parede sinto  sangue dor e raiva me arrasto até a porta eu mesmo me barro e digo:  enfrenta a morte feia bate as asas sobre mim num jogar-se alucinado pele  asas rosto braços sobe desce já não sinto nem o medo só o frio.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-czvpz6SQBW0/TsmfO-_yUQI/AAAAAAAAAGY/mjOoRJF64TE/s1600/Mariposa.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://2.bp.blogspot.com/-czvpz6SQBW0/TsmfO-_yUQI/AAAAAAAAAGY/mjOoRJF64TE/s400/Mariposa.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-7443771365712734841?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/7443771365712734841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/m-o-r-t-e-m-o-t-h-t-i-c.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7443771365712734841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7443771365712734841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/m-o-r-t-e-m-o-t-h-t-i-c.html' title='M-o-r-t-e-m-o-t-h-t-i-c-a'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-czvpz6SQBW0/TsmfO-_yUQI/AAAAAAAAAGY/mjOoRJF64TE/s72-c/Mariposa.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-5827891320994326466</id><published>2011-11-20T22:43:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:43:35.419-02:00</updated><title type='text'>5,4,3,2,1, verso!</title><content type='html'>&lt;div class="post-header"&gt;  &lt;/div&gt;Jacarandá de bananeira, pé-de-joão-sem-braço, &lt;br /&gt;Escapulário de berinjela, dou o nó e passo o laço. &lt;br /&gt;O corte na carne é lento, ressuscita o avarento. &lt;br /&gt;As pedras crescem no jardim, que sei eu de engenharia? &lt;br /&gt;Mais vale uma orquídea morta que bazar sem freguesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sapo quente, Sacopemba, Sá com pena de galinha, &lt;br /&gt;Retrato de mato é prato que se prega e faz bainha. &lt;br /&gt;É de Marte, é de Sartre, é de manjericão. &lt;br /&gt;A fogueira que escorre moedas e bisturis &lt;br /&gt;É a mesma que arranca a outra perna dos sacis! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ondas pintei teu corpo, mas a caixa não montei, &lt;br /&gt;Agora que falo hebraico, já transito aquém e além. &lt;br /&gt;Solto cães e prendo gatos, na estrada e nos regatos, &lt;br /&gt;Areia é pó do tempo, peneira, peneira, preto. &lt;br /&gt;Palito de fósforo e de dente, queimo a boca, espeto o forno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite que traz chuviscos sobrevém a idolatria, &lt;br /&gt;Mais tarde passo na igreja pra ver se encontro Maria. &lt;br /&gt;Passos largos dão as emas que compridas bicam estrelas, &lt;br /&gt;Mais fácil sorrir pitangas que rimá-las: basta vê-las. &lt;br /&gt;Roda tufão, gira moinho, saio da vida, devagarinho... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugiu meu sabiá, casou-se com um carcará! &lt;br /&gt;É mentira deslavada, conto só pra azucrinar. &lt;br /&gt;Subiu meu sabiá, no alto do manacá, &lt;br /&gt;Morreu de cair ligeiro, esqueceu-se de avoar. &lt;br /&gt;Sabiá, meu sabiá, quem agora há de cantar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caravelas, caramelos, caras velas... &lt;br /&gt;De dentro do caldeirão saem muito mais panelas. &lt;br /&gt;Tatuí, alecrim e panaceias, &lt;br /&gt;Quem me dera o amor de mil plebeias! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao vento dedico universos, &lt;br /&gt;Ao mar, textos imersos, &lt;br /&gt;Pelo ar semeio homônimos &lt;br /&gt;Que na terra morrem anônimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parada militar, bonecas de pano, &lt;br /&gt;Queria de queijo os meus desenganos. &lt;br /&gt;Visões, visionários, cegueira sob umbrais, &lt;br /&gt;Quem lê, quem escreve: zumbis marginais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nascem certezas, tempero-as em sal, &lt;br /&gt;Duvido de tudo, Descartes banal. &lt;br /&gt;Tão gordos os botos e os mastodontes, &lt;br /&gt;Dão leite, dão água, dão sangue na fonte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gigantes pequenos, ideias, estrumes, &lt;br /&gt;Percorro cadernos, costuro costumes, &lt;br /&gt;No final só escuto a luz dos vagalumes.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valsa, forró, serenata, bailão, &lt;br /&gt;Amante, diabo, amor, traição. &lt;br /&gt;Eu os declaro, marido e mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moinhos, manteiga, montinhos, &lt;br /&gt;Acorda, carrasco!, a lua já foi. &lt;br /&gt;São tão pequeninos seus negros olhinhos... &lt;br /&gt;Pangaré, palafrém, alazão e manga-larga, &lt;br /&gt;Jabuticaba, limão. Acaba senão amarga... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pardieiro de palha: sou João-de-barro. &lt;br /&gt;Da alma, o poema, do pulmão, o escarro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carijó e garnisé: coma a cabeça! Se você quiser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fYINXessjnA/Tsmeor1RFqI/AAAAAAAAAGQ/pMXZC5-lWiY/s1600/Jo%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-fYINXessjnA/Tsmeor1RFqI/AAAAAAAAAGQ/pMXZC5-lWiY/s1600/Jo%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-5827891320994326466?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/5827891320994326466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/54321-verso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5827891320994326466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5827891320994326466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/54321-verso.html' title='5,4,3,2,1, verso!'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fYINXessjnA/Tsmeor1RFqI/AAAAAAAAAGQ/pMXZC5-lWiY/s72-c/Jo%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4002596016258446045</id><published>2011-11-20T22:41:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:41:00.878-02:00</updated><title type='text'>A Torre de Papel</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Correu até não agüentar mais. O fôlego agora começava a lhe faltar  apesar dos seus trinta e poucos anos, embora naquela época trinta e  poucos anos já fosse uma idade bem avançada. Seus pés doíam, as pernas  já não respondiam mais à sua vontade e passou a chutar os próprios  calcanhares, tropeçando e por pouco não tombou várias vezes. Teve medo  de cair; junto com o cansaço, talvez por causa de um ferimento mais  grave devido à queda não tivesse mais condições de prosseguir com sua  fuga e, até onde se lembrava, os cães e os guardas não estavam muito  distantes dele. O barulho de folhas e galhos pisados fazia uma hipnótica  harmonia com o som da sua respiração ofegante. O cheiro de mato, um  verde que parecia não querer desistir de sua vista, tudo inebriava,  tornava a fuga ainda mais difícil e pesada, como pesados agora estavam  seus pés, com as solas machucadas pelas pequenas pedras das quais os  sapatos de um pano grosso e mal costurado não protegiam. O rosto recebia  golpes constantes de folhas grossas, cipós, galhos e espinhos. Em  determinado momento pensou ter sentido um gosto de sangue na boca, mas  não ousou parar para se certificar. “É só um arranhão”, pensou, e  engoliu seu próprio sangue.&lt;br /&gt;Há algumas dezenas de metros para trás,  dois guardas pararam de persegui-lo havia já alguns minutos. “Senhor,  assim vamos perder a trilha do fugitivo”. “Não faz mal”, respondeu o  outro, “se ele passou desse ponto, então já está perdido. Chame os  sabujos de volta, vamos voltar para a prisão”. O soldado deu um longo  assobio que ecoou pela densa floresta à frente. Poucos segundos depois,  latidos ao longe começaram a soar pelas árvores num crescente contínuo.  “Ainda bem que não se perderam. Temi que também nossos cães tivessem ido  longe demais na perseguição”, disse o oficial superior quase num  sussurro inaudível e temeroso. Enquanto observava os dois cachorros  voltarem correndo ao longe, o soldado deixou escapar sua curiosidade.  “Senhor, desculpe se pareço inconveniente, mas, por que motivo não  avançamos mata adentro e continuamos a perseguir o criminoso? Preparo  físico não nos falta e os sabujos estão bem dispostos também”. O  oficial, sem tirar os olhos dos dois cachorros que agora estavam bem  próximos, respondeu com tranqüilidade: “Não se trata de fôlego ou  coragem, soldado. Trata-se de histórias que se contam sobre pessoas que  nunca mais voltaram depois de terem entrado na floresta”, disse num tom  sombrio. “Ah, sim, já ouvi algumas”, respondeu o outro  despretensiosamente, “muitos soldados costumam contá-las à noite quando  não se tem sono. Alguns chegam mesmo a se assustar, se impressionam  fácil. Mas eu não ligo para essas coisas, são histórias, senhor. Com  todo o respeito”. O oficial superior se abaixa para afagar os dois  sabujos que se lhe chegam bem perto abanando os rabos, felizes por  estarem com seus donos mais uma vez. Depois olha em direção à floresta  com um grande pesar, uma expressão dura, de memória sofrida; olhos  semicerrados, todo seu semblante muda; aperta os cães contra si como se  fosse perdê-los a qualquer instante. Respira fundo e exala lentamente,  depois diz como se falasse para si mesmo. “Sim, soldado, são só  histórias, e é exatamente por isso que prefiro não arriscar”.&lt;br /&gt;Na  mata, o fugitivo já tinha ultrapassado seus limites físicos quando uma  raiz mais alta e escondida por uma densa folhagem surpreendeu-o num  passo mais cansado fazendo-o cair. Vinha tão rápido que seu corpo ainda  se arrastara por sobre as folhas depois de ter caído pesadamente sobre o  solo. Na queda, reabrira antigas e doloridas feridas e torcera o  tornozelo, mas só viria a saber minutos depois, quando as pernas  começassem a descansar do esforço e do aquecimento da corrida. Ao  escorregar pelas folhas, teve as mãos esfoladas nas pedras e o lado  esquerdo de seu rosto bastante lacerado, machucando-lhe um olho que  agora enxergava mal. Instintivamente tentou se levantar, tinha o  pensamento fixo em continuar fugindo mesmo que sem rumo; apenas seguir  adiante, distanciar-se da condenação certa pelo crime de heresia.&lt;br /&gt;"O  senhor afirma diante desse tribunal, de Deus e da Virgem Maria, e de seu  Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, e de todos os santos, e dos  representantes de Sua Santidade, que recorreu à magia negra para se  livrar da peste?" "Não sei do que estão falando. Sentia-me muito mal e o  pároco da vila limitou-se a rezar um Pai-Nosso em minha intenção na  missa, o que, aliás, não adiantou de nada! Fiquei sabendo depois que  existia uma velha morando nos limites da vila que já havia conseguido  curar a peste de outras pessoas. Eram só histórias, mas eu precisava de  ajuda! Há momentos em que só restam histórias, e só podemos contar com  elas... De qualquer modo, também não me pareceu que fosse magia negra  tomar uma beberagem feita de plantas que, afinal de contas, foram  criadas por Deus Nosso Senhor como tudo o mais que existe!" "Ousa dizer  perante esse tribunal que a oração que o próprio Cristo nos ensinou não  foi capaz de curá-lo?!" Nesse instante, revoltado e se sentido  totalmente acuado, o réu rasga suas roupas num acesso de fúria deixando  exposta a pele corrompida e o corpo coberto de pústulas. Vendo que o  gesto e a visão de suas feridas enojavam e deixavam todos sem palavras  e, percebendo que aquele o seu momento era seu por inteiro, grita com  toda a força dos pulmões, cuspindo e babando de ódio por sobre os  inquisidores do Santo Ofício: "E que maldita diferença faz a oração de  Nosso Senhor Jesus Cristo ou um punhado de mato socado num pilão podre  de madeira?! Nem Deus nem o Diabo foram capazes de me curar!" A partir  daí o réu fora acorrentado, acusado de estar possuído pelo Demônio e o  julgamento deu-se de forma arbitrária, terminando com sua condenação por  buscar a magia negra, negar o Pai-Nosso e de, sobretudo, não ter se  arrependido, além de comparar Deus ao Diabo, tomando a ambos como mera  superstição, ineficaz e ilusória.&lt;br /&gt;Tentou apoiar-se sobre os joelhos,  mas estes doeram tanto que lhe foi impossível não continuar deitado.  Resignou-se. Chorou. Temeu por sua vida. Lembrou-se dos cães em seu  encalço: poderiam ouvir seu choro, sentir o cheiro de sangue, seguir o  rastro deixado pelas pegadas. Conteve o choro e odiou. Odiou sua sorte,  odiou a Igreja, os cães, os soldados, a velha que lhe deu a bebida feita  com ervas, a floresta, tudo. Mergulhou no silêncio do ódio e acabou  adormecendo. A última coisa que lembra ter visto, mas não sabe se fora  sonho ou realidade, foi um casco enorme, negro, fendido em dois, de onde  nascia uma perna robusta, de pelagem marrom-escura. E mais nada.&lt;br /&gt;Sonhava com pessoas sendo queimadas nas chamas da Inquisição. Todas elas  gritavam e sofriam muito, enquanto monges e padres riam em volta das  fogueiras humanas. Ele, que até agora via tudo de longe, de repente  viu-se amarrado a uma estaca. A seus pés, um homem, que lhe lembrara  Jesus, olhava para ele com um semblante calmo, de muita paz, até que sua  expressão começou a mudar e, rindo, gargalhando, tendo surgido em sua  mão uma tocha, ateou-lhe fogo e continuou rindo, contorcendo-se de forma  sinistra e assustadora. Acordou com palpitações e um pouco tonto,  quando pôde, então, à sua frente, perceber uma pequena fogueira que  crepitava sob o corpo de um quadrúpede qualquer que não pôde identificar  imediatamente por estar sem cabeça. Quis mover-se e só então deu-se  conta de que estava sentado no chão, as pernas esticadas. Observou que a  perna direita estava com uma tala improvisada à altura do tornozelo, e  então lembrou-se da queda durante a fuga e tudo o mais, inclusive do  casco fendido. Teria sido mesmo um casco? Notou um movimento perto da  fogueira e olhou para sua direita. Pensou ter visto um boi mas as chamas  e a visão prejudicada pela noite e por um dos olhos machucado não lhe  permitiram ter certeza do que vira. Foi quando o que parecia ser  realmente a cabeça de um boi elevou-se por detrás das chamas sobre um  dorso humano: uma vestimenta rude e dois braços nus que seguravam um  grande pedaço de carne, talvez fosse uma perna inteira de outro animal! A  figura monstruosa olhou para a direção do homem que se apavorou e, com  grande pânico, tentou se afastar o máximo que pôde dali e daquele  banquete terrível. A criatura percebeu o movimento e disse  tranquilamente, numa voz poderosíssima e ao mesmo tempo mansa: "surpresa  será o dia em que não correrão de mim", e bufou, batendo com o casco  direito no chão. Vendo que a besta sabia falar e que, principalmente,  percebera sua tentativa de fuga – seria sua vida a partir de agora um  eterno fugir? –, o homem ficou paralisado de medo, atordoado pela fúria  macia daquela voz ameaçadora. "Não se preocupe, não vou comê-lo, ainda  que tenha sentido muita falta de carne humana nesses últimos anos. Você  não me pareceu boa refeição: está doente e podre, é possível até que  morra logo", e mordeu a perna do cervo que já havia levado outras tantas  e boas mordidas. Depois de haver engolido alguns pedaços de carne e  cuspido alguma pele, disse: "estava fugindo de quem?" O homem respondeu  mais por medo do que por outro motivo. "Soldados. Sou sentenciado de  morte". "De muitas maneiras, pelo que se vê", respondeu com sarcasmo o  ser metade homem metade touro. E continuou: "você tem poucas opções. Já é  noite, está bastante machucado, a perna deve estar doendo muito, não  poderá andar muito menos correr". O homem agora ficara curioso. Aquela  aberração começara a provocar-lhe mais interesse do que medo. "Quem ou o  quê é você?", perguntou. "O que sou? Um minotauro. Quem sou? O medo de  alguns, a história de outros, um crime contra os deuses. Sou muitas  coisas, escolha o que melhor lhe convier", disse o animal melancólico.  Criando alguma coragem – talvez por causa do sono, do cansaço e da  sensação de que não viveria muito mais do que até então – o homem  arriscou argüir o minotauro. "Eu sei o que é um minotauro. Já ouvi  histórias. Você não é daqui... Não pode estar aqui... Eu certamente  estou dentro de um sonho." "É fascinante que você saiba quem sou eu...  Não cria possível, pelo que vi até hoje, que sua gente pudesse me  conhecer. Muitos livros mentiram para mim, ou talvez apenas não  soubessem dizer a verdade. Você não está num sonho. E lamentavelmente eu  também não estou. Se não estou na realidade, é num pesadelo aonde vivo,  não num sonho. Talvez num livro. Quem será que nos lê? Será que somos  lidos? Não me pareceria um livro bom", foi o que respondeu o minotauro  sem olhar para o homem, encarando as chamas da fogueira. "De onde você  vem? É de um labirinto, não é? Eu conheço a história, pelo menos um  pouco", perguntara-lhe um pouco mais confiante. "Sim, de mais de um e  para cair em outro. Nunca saímos realmente do labirinto.... Na verdade,  venho daquela torre, logo ali", apontou para uma pequena torre circular  de cujas medidas o homem não pôde se certificar imediatamente, apenas  reconhecera que parecia mais alta do que larga. Era uma torre simples,  construída com pedras cortadas irregularmente sobrepostas umas às  outras, permitindo uma abertura que se parecia com uma janela retangular  muito estreita bem ao alto, já bem perto da murada dentada superior.  Havia ainda uma porta, também estreita, mas muito alta, que deixava  notar apenas um grande breu no interior da torre. O sol começava a  nascer. O minotauro apagara a fogueira e uma grande coluna de fumaça  erguera-se por sobre as árvores. De muito longe, o oficial que  perseguira o fugitivo até os limites da floresta e que estava de guarda  avistou-a e, contemplativo, pensou consigo: "pobre coitado".&lt;br /&gt;"Preciso sair daqui, os guardas vão recomeçar as buscas em breve", disse  com muito receio o fugitivo. "Os guardas já desistiram de você",  comentou o minotauro com seriedade. "Eles sabem que não se sai dessa  floresta. Não é à toa que construíram a prisão próximo a ela". "O que  quer dizer com 'não se sai dessa floresta'"?, perguntou preocupado o réu  da Inquisição. "Isso é bobagem", continuou desafiante. "Volta-se pelo  mesmo lugar por onde se entrou e já se está fora". "Se fosse possível,  eu já o teria feito. A floresta também é um labirinto", foi o que disse o  minotauro, cuja voz agora competia com um coro de aves canoras  anunciando a manhã que chegava por detrás da torre. "Tenho sede", disse o  homem. "Aqui, beba um pouco. É água da chuva que venho guardando há  muito tempo. Não há rios por aqui", ofereceu o minotauro numa espécie de  cuia feita do que parecia ser uma grande casca ressecada de um fruto  qualquer. O homem bebeu tudo de uma vez só e sugeriu querer mais. O  minotauro preparou-lhe mais uma dose que foi bebida dessa vez com mais  calma. Com algumas gotas de água represadas na espessa barba mal feita, o  homem quis prosseguir a conversa. "Por que não volta de onde veio? Por  que está aqui? E como assim veio daquela torre?" Ao ouvir essas  perguntas, o minotauro caminha até a sombra projetada pela torre para  fugir do sol. Seus passos faziam tremer pedras e folhas e mesmo o homem  pudera sentir a terra movimentar-se um pouco sob si. Ficou apreensivo,  mas não havia mais temor. "Vivia em meu labirinto uma existência  solitária, uma vida estúpida até mesmo para uma criatura como eu.  Alimentavam-me diariamente com jovens mulheres virgens, davam-me água,  vinho e mel, mas não era feliz. Vivia uma sobrevida bastante miserável e  infeliz..." Nesse instante pousa-lhe no chifre um pardal que é logo  enxotado com um movimento involuntário de sua orelha. "Até que um dia,  depois de uma feroz batalha, fui preso, acorrentado e jogado dentro da  torre. Jamais soube o motivo de tanta violência. Lutei apenas para me  defender". Depois perdeu-se num profundo mutismo. "E o que aconteceu  depois?", quis saber o homem, agora muito curioso. O minotauro continuou  em silêncio; sequer olhou novamente para o homem. Algumas aves voavam  pelo local e tudo o que se escutavam eram seus trinados. O minotauro  bufara algumas vezes e por outras batera o casco no chão. O homem  percebeu que a conversa terminara ali, foi o que viu bem dentro dos  olhos do minotauro. Por um momento as duas almas trocaram confissões  milenares e ambos os corações se reconheceram; e houve uma grande  comoção silenciosa. Milenar catarse.&lt;br /&gt;O homem então se levanta e, com  dificuldade, o tornozelo a doer, as feridas a sangrar, o olho a  latejar, manca desajeitadamente até a entrada da torre. Quando passa por  trás do minotauro, este lhe pergunta sem dirigir-lhe o olhar: "nunca  mais o verei novamente, preciso saber o seu nome". "Olaf", respondeu o  réu com voz embargada. "Mas por que quer saber?", indagou. "Para manter  sua história viva", respondeu o minotauro. "Mas você não conhece minha  história", contestou o homem. "Sei que houve um Olaf que entrou por esta  torre e jamais saiu. É tudo o que preciso saber", disse com um tom mais  áspero. O homem compreendeu o que deveria fazer e continuou o trajeto.  Deu alguns passos. A torre começou a mostrar uma imponência metafísica  que até então ele não havia sentido. Um calafrio percorreu-lhe todo o  corpo. Assustou-se. De repente sentiu receio, medo. Hesitou. Ainda sem  olhar para o homem, o minotauro disse em voz alta, assustando todos os  pássaros por perto: "θρύλος. Meu nome é θρύλος". O homem, que também não  olhara para trás, continuou seus passos cambaleantes e entrou na torre  que o engolira com a grande escuridão de suas entranhas. "Está feito",  diz solene θρύλος.&lt;br /&gt;Ao entrar na torre, Olaf precisou proteger a  vista de uma forte claridade que se fez presente naquele exato instante,  surpreendendo-o e desnorteando-o por algum tempo. Tirando o braço da  frente do rosto e abrindo os olhos muito devagar, apertando-os ainda,  Olaf precisou de algum tempo para se acostumar à claridade intensa.  Quando o fez, não ficou menos surpreso do que quando encontrara um  minotauro frente a frente: a biblioteca parecera-lhe à primeira vista  muito maior por dentro do que as medidas externas poderiam permitir!  Confuso – ou maravilhado –, ele percorreu os olhos agora bem mais  acostumados à claridade pela área circular interna. Todo o perímetro  interno – facilmente reconhecível como maior do que o perímetro externo –  era recoberto por estantes de livros que se elevavam até onde a vista  não pudesse mais acompanhar. Eram estantes de madeira produzidas por uma  carpintaria que Olaf não reconhecera como de seu tempo, ou, pelo menos,  não pareciam ser uma obra descuidada; pareciam perfeitas: as folhas de  madeira internas e laterais eram inacreditavelmente lisas, sem arestas,  sem empenos, pareciam mesmo quase não ser de madeira. Ao centro, uma  mesa de madeira e uma cadeira com encosto vazado igualmente trabalhadas.  Todas as peças eram da mesma cor: um marrom médio, suave, ora tendendo  para uma tonalidade mel, ora para um matiz mais escuro, caramelo,  dependia da luz e do ângulo pelo qual Olaf as observasse. Não havia nada  sobre a mesa, mas a cadeira estava afastada, dando a impressão de que  alguém estivera ali sentado, provavelmente a ler alguma coisa, e que, ao  sair, não a tivesse recolocado alinhadamente junto à mesa. Percebeu  então o piso da torre: um mármore de uma brancura inexplicável servia de  base para um desenho que, daquela altura, pareceu-lhe uma rosa dos  ventos. Um círculo negro, um grande ponto escuro no centro do piso era  circundado por uma outra área circular branca. Esta, por sua vez, era  circunscrita por um anel menos grosso de mármore negro, como o do ponto  central. Mais um círculo branco e Olaf, subindo na mesa para ter uma  vista melhor do desenho, reconhecera trinta e duas formas pontiagudas,  como pontas de lanças, cujas extremidades terminavam sua extensão na  parede circular. Estava simplesmente enamorado de todo aquele conjunto  arquitetônico. Desceu da mesa apoiando-se na cadeira e começou a girar  sobre si mesmo mais de uma dúzia de vezes, perscrutando o ambiente e  cada vez mais seduzido com o que se lhe apresentava. Não fosse tão  grande o encantamento em que caiu, teria percebido que a porta por onde  entrara não mais estava ali. A torre se convertera numa câmara cega.  Somente algum tempo depois é que Olaf percebera a quantidade de livros  dispostos nas estantes: estavam arrumados de acordo com o tamanho e a  cor; magnífica harmonia que completava o equilíbrio geral do ambiente, à  exceção de uma pequena estante que ficava na base de uma coluna de  estantes tão grande como todas as outras, onde os livros estavam  desarrumados, virados, abertos e onde também havia algumas folhas  espalhadas pelo chão, por cima de livros e pelas prateleiras. Olaf não  pareceu surpreso e levou muito tempo analisando todos os livros que  pudera ver e que estivessem à altura de um braço seu esticado para cima.  Havia incontáveis livros, de inúmeros idiomas, diversas capas e  lombadas, volumes antigos, volumes novos, códices de iconografias  antigas, outras desconhecidas, papéis de uma qualidade inimaginável para  a época, outros quase a se despedaçarem em suas mãos. Aquela pesquisa  excitava-o de tal forma que nada mais lhe passara pela cabeça durante  horas. Horas? Talvez minutos? Como saber? Não era a luz do sol que  entrava na torre, mesmo porque não havia, pelo lado de dentro,  diferentemente do avistado pelo lado de fora, uma pequena fresta alta.  Mas nem isso parecia ocupar a mente de Olaf, nem mesmo o tornozelo  imobilizado pareceu incomodar-lhe. Ficou nesse exame minucioso durante  muito tempo até que chegou na estante dos livros de desalinho. Não  reconheceu neles quaisquer palavras ou alfabetos, e nenhum possuía  ilustrações. “Será que θρύλος estivera lendo os livros dessa estante?”,  desviando a atenção por alguns instantes. Foi aí que se lembrou de olhar  para a entrada da torre, na esperança de que θρύλος estivesse por perto  ou mesmo pensando em sair para encontrá-lo e obter algumas respostas.  Procurou a abertura e não a achou. “Mas o que...”, começou a se  preocupar. Deu voltas e mais voltas, olhou atrás das estantes e não  encontrou nada, apenas livros e mais livros. Uma sudorese absurda  começou a brotar de todas as partes do corpo de Olaf e sua respiração já  não era mais a mesma. “Meu Deus, estou trancado. Θρύλος! Θρύλος! Eu  tenho medo de lugares fechados, são a morte para mim! Se for alguma  brincadeira estúpida, por favor, pare com isso agora mesmo! Posso  morrer!” A claustrofobia de Olaf aumentava de intensidade à medida que  ele não conseguia encontrar nenhuma saída um volta depois de outra.  “θρύλος, pelo amor de Deus, deixe-me sair daqui! Eu posso morrer, estou  dizendo!” Quando pareceu que Olaf finalmente sucumbiria a um estresse  monumental produzido por sua fobia a lugares fechados, um som forte  ecoou pela área interna da torre, uma pancada surda, objetiva. Olaf  virou-se como que esperando encontrar uma porta escancarada mas o que  viu não lhe trouxe nenhum alívio, e sim mais perplexidade: um livro  aberto jazia sobre a mesa central. Aproximou-se rapidamente da mesa,  mancando, já não estava mais tão entusiasmado com tudo o que lhe  cercava: seu instinto de sobrevivência começou a falar mais alto.  Chegando perto o suficiente, sentou-se na cadeira e analisou o livro.  Estava numa linguagem que compreendia e havia figuras. “Gente antiga”,  pensou em voz alta. “Parece um livro de história”. Estava a ponto de  identificar que “antigos” eram aqueles quando toda a claridade interna  da torre cedera lugar a uma escuridão sufocante rapidamente esfacelada  por uma claridade suave, natural, que parecia vir por trás de Olaf  através de...&lt;br /&gt;“Uma saída! Θρύλος, você podia ter me matado!”,  vociferou levantando-se da cadeira rapidamente em direção à abertura na  torre de tamanho suficiente para dois homens, inclusive na altura.  “θρύλος, saia já de onde estiver, precisamos conversar. O que são todos  esses livros? O que...”. Quando Olaf atravessou a abertura da torre, não  estava mais na floresta. Tudo o que havia eram construções em ruínas,  parecia uma cidade deserta, ou abandonada, ou destruída... “θρύλος? Você  está ai? Θρύλος?”. Não houve resposta, apenas o som de uma tarde  quente. Olaf decidiu sair da torre por completo, mas dessa vez olhou  para trás. A abertura permaneceu onde estava. Nada mudara em relação à  torre, era exatamente a mesma torre que viu pela primeira vez antes de  violá-la. Tornou o olhar para a cidade abandonada. Muitas colunas, casas  até onde a vista alcançava, muitas de telhas vermelhas, a maioria  descoloridas. Grandes vias ligavam nada a lugar nenhum. O mato já ia  alto por entre o que restava das edificações. Não avistara vivalma, nem  nenhum tipo de animal. Avançara por sobre as ruínas impelido pela maior  das curiosidades mas não encontrara nada além disso mesmo: ruínas;  testemunhas silenciosas de um evento irrecuperável, imemorial. Tendo  muitas vezes que saltar por grossas colunas e pedaços perigosamente  lascados de mármore, Olaf conseguiu chegar ao que parecia uma grande  peça com letras gravadas. Pareceu reconhecê-las mesmo a pouca distância,  e sua necessidade por respostas fê-lo se atirar desastradamente em  direção a ela, mas, por causa do tornozelo machucado, tropeçou numa base  de coluna e caiu de muito mau jeito sobre si mesmo e sobre pedaços de  mármore, ferindo-se de forma quase letal: velhas pústulas se lhe abriram  e outros novos cortes deixavam grossos filetes de sangue afluírem de  seu corpo. Sentindo muita dor, arrastou-se até a peça de mármore com  entalhes que lhe pareceram inscrições. As letras eram grandes. Na  inscrição que parecia um “V”, os traços eram do mesmo comprimento da  perna de Olaf. Jogou-se por cima do grande pedaço de mármore e,  arrastando-se por cima dos entalhes, fazendo com que seu corpo, braços e  pernas lessem para ele aquelas linhas, percorreu toda a inscrição. Ele  mesmo fora seus próprios olhos. “Para grandes letras, grandes olhos”,  foi o que resmungou enquanto “lia” a inscrição. Já no meio do percurso  sentiu um calafrio. “Não é possível. Não pode ser!” Apressou-se por  chegar ao final da inscrição, operação que transformou seu semblante  numa máscara de terrível perturbação e medo! “Oh, Deus, não, não pode  ser! Nada disso faz sentido!” Levantou-se e se pôs de joelhos em cima da  grande extensão marmórea, aturdido e chocado. Olhava para todos os  lados e desesperou-se definitivamente, passando a gritar: “θρύλος! Olá?!  Alguém!” Como ninguém respondesse, curvou-se novamente por sobre a  grande extensão de mármore e, em choro convulsivo, percebeu que tudo  passara a fazer sentido naquele exato momento. Se por ali, naquele  momento, passasse um ciclope e olhasse para baixo, veria um pequeno  homem abatido por sobre uma inscrição manchada de sangue que dizia:  SENATVS POPVLVSQVE ROMANVS.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Hb0GDo08PiQ/TsmeFZAF_DI/AAAAAAAAAGI/sVInqJmRoNQ/s1600/Minotauro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-Hb0GDo08PiQ/TsmeFZAF_DI/AAAAAAAAAGI/sVInqJmRoNQ/s1600/Minotauro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4002596016258446045?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4002596016258446045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/torre-de-papel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4002596016258446045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4002596016258446045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/torre-de-papel.html' title='A Torre de Papel'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Hb0GDo08PiQ/TsmeFZAF_DI/AAAAAAAAAGI/sVInqJmRoNQ/s72-c/Minotauro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-6372231758696939339</id><published>2011-11-20T22:38:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:38:45.594-02:00</updated><title type='text'>Amarguras de uma Oitava</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Presas  nos cachecóis de alabastro e polvilho seco, secam as necessidades  fúteis das campainhas envernizadas de sal, oprimindo elefantes arbóreos  que crescem à sombra dos alfaiates de Milão. Não muito longe dali, em  casulos de jasmim, despertam balancetes e botas enfileiradas por urubus  que mordiscam a Rosa dos Ventos amarela que plantei eu meu prato, em meu  gato, em meu pato, sem tato, fato! Como eu desejaria nesse momento  pintar com os vales de Marte as faces empoleiradas de meus sentimentos,  em cujas asas não mais desperdiçaria nem a neve nem o pranto do  gargalhar azul das fadas de cetim. Por que os gladiadores insistem em  perseguir as ondas? Tudo é feito pelo vento que sai dos estômagos de  chaleiras de pano. A cozinheira prepara o fígado solfejando góticos  etruscos e surdos visigóticos. Na ceia sou o garfo e me corto com a  faca: parabéns a você! A máquina de escrever se esquiva da luz; já não  sou palavra, sou jarro. Faço discursos nos armazéns envenenados caçando  bruxas ridículas nascidas em pés de alface que comi de manhã. Tudo de  cabeça para baixo, o choro é rascante e o metal faiscante. Os vermes são  meus amigos e saem pelo telefone: disse-me-disse-me-disse... Mamãe, tem  uma ratazana de óculos lendo o jornal! Assobia que ela pára! Quem  contou foi o Curupira, no fundo do rio, deitado na relva, debaixo da  própria sombra e falando em latim. Ah,  o oceano é a matemática de que gosto. Bisturi! O cheiro que vem da pia é  o mesmo que ilumina meus pés, mas já fiz dele minha coberta e agora  somente os anjos podem guardar as escadas. Quando vi que havia tijolos  em minhas orelhas, tratei de aquecer as lagoas: nunca tinha visto tantas  lagostas em moedas de madeira. Fique com o troco. Pensei que, remexendo  nas gavetas de Édipo pudesse desfraldar orgias de Pequim, mas só o que  economizei foram gansos gasosos que sonhei em voz alta. Dancemos dentro  da chaminé para que todos os açafrões consigam reluzir o farfalhar das  libélulas doces e invisíveis. Se tivesse lagartos em casa, não  haveríamos de morrer de História! Quero voar numa clave de sol  sustentada pelos dentes que me mordem as veias numa noite de maio: faz  frio nos meus bolsos e a catapora já se evapora em camisas de força.  Entro na caixa, ouço uma voz, explodo em pelo menos duas direções; numa  delas, entorpeço de realidade; noutra, sou coala; mas é na terceira que  me suavizam as catedrais. No cinzeiro, apenas as marcas de beijos; na  cama, flamingos. Abraço vulcões, delineio a atmosfera, carícias  homeopáticas. Quer deitar no meu túmulo?, está vazio, cheio de mim.  Quero abrir os portões mas as réguas são tão pesadas... Quanto esforço  fizemos para segurar a lua, que agora se quebra e nos liberta de nossos  corpos escorregadios enchendo os copos dos convidados. Nunca passei por  aqui mas reconheço as cruzes. Da boca entreaberta na relva escapam  furiosos rinocerontes de vidro, dando cor à montanha de fogo que se  derrete em cubos e paralelepípedos. Paralelepípedos.  Pa-ra-le-le-pí-pe-dos. Quase lá; estendo a mão; sorvete e grama, tudo é  melado. Quantos dias preciso fazer nascer para em cada noite em paz  perecer?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--r-j-ndvLLw/TsmdigDQIKI/AAAAAAAAAGA/1uPVCrIPMl8/s1600/teclado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://2.bp.blogspot.com/--r-j-ndvLLw/TsmdigDQIKI/AAAAAAAAAGA/1uPVCrIPMl8/s400/teclado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-6372231758696939339?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/6372231758696939339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/amarguras-de-uma-oitava.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6372231758696939339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6372231758696939339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/amarguras-de-uma-oitava.html' title='Amarguras de uma Oitava'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--r-j-ndvLLw/TsmdigDQIKI/AAAAAAAAAGA/1uPVCrIPMl8/s72-c/teclado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-999835434849159006</id><published>2011-11-20T22:36:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:36:50.924-02:00</updated><title type='text'>Logarítimo de Algarves</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha jornada costura sementes de hipocrisia de onde parto com uma sede intensa de espinhos e mártires. É nas cavernas que me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;atrevo&lt;/span&gt;  a soletrar o esperma de meus antepassados na busca incessante de dentes  de marfim e folhas de outono de que é feito o navio em que me equilibro  para não voar mais alto que as orquídeas flamejantes, as mesmas que,  outrora, esbocei em bocejos metálicos para as bruxas de papel de sorriso  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;contemporâneo&lt;/span&gt;. Dispo-me de todas as proporções &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;teocêntricas&lt;/span&gt;  e configuro raízes dos trópicos de câncer e capricórnio para finalmente  cear sob a noite dos cabelos vivos de minhas musas deformadas que  esculpi nas artérias das paredes de cetim. Não escapo, contudo, das  barreiras que as imagens em banho-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;maria&lt;/span&gt; resolveram escarnecer para prejuízo dos feirantes cozidos em alho e óleo: santa cozinha, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;mucama&lt;/span&gt;, giz de cera e quadro-negro! Resfolegam as pedras que entopem canais lacrimais em vestidos azuis, baile de máscaras, Veneza &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;longitudinal&lt;/span&gt;,  passaredo, tudo é som e ventania e não estou lá, distante de cada átomo  singular que escorrega da cadeira de balanço. O sótão é perfumado mas  não vêm de lá os enxames de abelhas que se abraçam e gritam como se  fossem meus próprios dedos envoltos nas raízes de figueiras ancestrais  que crescem em páginas de cadernos mortos. Se não piso na jangada,  também é por força das estrelas que carrego no cantil, cansado de temer  as ruas que cruzam os jardins de minhas tristezas. Quantas odes já  esfreguei, quantos homens já se estilhaçaram, de quantos espelhos já me  vesti para, no final, tudo rolar sobre o manto do rei. Fogueiras de  cascatas verdes sustentam os membros que construíram a casa de mármore e  o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;teto&lt;/span&gt; de veludo: sinfonia triste e dolorosa de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;filarmônicas&lt;/span&gt; infantis. Não desejo mais que as procissões de golfinhos a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;esgarçar&lt;/span&gt;  o que restou de meus devaneios, fecundo holocausto de mim mesmo.  Decepei o que pude de frutas transitórias e machados regulares, mas não  me foi possível escalar as vidraças da catedral. Santos de madeira &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;flamenca&lt;/span&gt;, cera de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;jacarandá&lt;/span&gt;:  o gelo é pesado nesta parte do mundo sempre que brotam carroças da lama  dos quintais. Minha arena são os chifres dos rinocerontes que morrem em  lagos de gelatina multicor, mas não nego que meus olhos são as casas do  tabuleiro de xadrez. &lt;br /&gt;Gira a ampulheta, perece o centauro, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;estrila&lt;/span&gt; o criado-mudo; desaba o obelisco. Quem subiu na roda-gigante? Trinca-ferro é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;jabuti&lt;/span&gt;! Sossega, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;saci&lt;/span&gt;!, descasca as melancias e devolve o anel da monja! Brutal ramalhete de juras corrompidas ofereço aos pequenos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;carcarás&lt;/span&gt;.  Que se há de fazer quando todas as luzem já não cabem em meus ouvidos?  Que eu saiba, são apenas diplomas de vagas lembranças incrustados em  escamas internas de elevadores sociais. Não pretendo suceder ao  terremoto pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;nanquim&lt;/span&gt; de meu penar, mas sei que são mangas isso que escavo e delas toda a água deve finalmente cortar meus pulsos numa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;epifania&lt;/span&gt;  de cristais de cimento e gordura. Já correu o sol dentro do templo, já  envolvi a lua com papel alumínio, já me fiz de andaluz mas na Ásia o pão  é de carne e não posso solfejá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Granizo, poeira e sal:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;mato o sapo canibal!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Grajaú&lt;/span&gt; não tem correntes,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;nem por isso mostro os dentes,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;para o padre aluvial.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Granizo, soleira e pau!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Pé-de-moleque é trabalho de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;ostrogodo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;e com risos não decoro&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;nem a carta nem o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;apodo&lt;/span&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Acres&lt;/span&gt; rosas, chá de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;boldo&lt;/span&gt;,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Vejo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;insetos&lt;/span&gt;, rio, choro,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;É trabalho de moleque &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;rejuntar&lt;/span&gt; o visigodo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Leite talhado eu nunca vi.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Um naco de telha, já vali.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Gironda&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;girondina&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Gioconda&lt;/span&gt;...&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RrXSlVaCI4k/TsmdBkUdBDI/AAAAAAAAAF4/qmbv3sDP-8k/s1600/Gioconda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-RrXSlVaCI4k/TsmdBkUdBDI/AAAAAAAAAF4/qmbv3sDP-8k/s1600/Gioconda.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-999835434849159006?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/999835434849159006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/logaritimo-de-algarves.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/999835434849159006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/999835434849159006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/logaritimo-de-algarves.html' title='Logarítimo de Algarves'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RrXSlVaCI4k/TsmdBkUdBDI/AAAAAAAAAF4/qmbv3sDP-8k/s72-c/Gioconda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-6497062215887763101</id><published>2011-11-20T22:34:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:34:09.352-02:00</updated><title type='text'>Lar Doce Lar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rolo no carpete amarelado, sujo, com manchas ressecadas pelo tempo. Todo  o pequeno apartamento de dois quartos é mal iluminado; o cheiro de  comida misturado ao de gente velha e lixo já nem me incomoda mais: é meu  bálsamo. O papel de parede &lt;i&gt;art déco&lt;/i&gt; está rasgado e  desbotado, como o próprio estilo. Os sofás de um verde antigo  cristalizaram as formas dos corpos de meus pais numa única fôrma macabra  de gente: gente morta; fantasmas. Eu grito alto, me debato furioso e  assustado; golpeio o chão com a minha cabeça e a baba suja meu rosto,  minha camisa rota e promete deixar mais uma marca no carpete amarelado.  Grito mais alto, me estico, forço meus músculos, quero me arrebentar num  esforço colossal de ver a mim mesmo rasgado! Acesso de fúria!  Ira!  Loucura violenta! Os espasmos voluntários e a gritaria selvagem cessam.  Me sinto melhor. Só precisava relaxar, aliviar a tensão. Minhas roupas  já estão começando a ficar fedidas embora só esteja com elas há uma  semana; uma semana de baba, restos de comida, poeira, insetos esmagados e  um pouco de sangue por causa dos golpes com a cabeça na parede. Vou até  a máquina de lavar que fica na área de serviço. Passo me arrastando  pela cozinha: gosto de sentir a sensação de ardência que o carpete  endurecido faz nas minhas pernas e pés. O chão da cozinha é frio e mais  sujo que o carpete; cerâmica vermelha, cor de tijolo, lascas, bolor. A  cozinha, ela própria, não é menos suja: uma lata de lixo grande  transborda imundície ao lado da geladeira, que quebrou e está  enferrujada. Na pia, toda a louça da casa espera ser lavada. Caixas de  papelão, sacos de plástico e papel, tudo amassado e empilhado pelos  armários sem portas. As panelas estão nas prateleiras de baixo, mas não  lembro de terem sido lavadas, normalmente termino de cozinhar o arroz  fermentado e as coloco no lugar logo em seguida. Paro.  Vejo  uma lacraia se arrastando com leveza numa das tampas de panela que  ficam ali, empilhadas aleatoriamente. Sorriso bobo, risada idiota,  felicidade imbecil. Me atiro em direção às panelas e me machuco, mas não  me importo, o importante são os amigos, e brincar com eles. O barulho  das panelas é irritante, então eu grito e rio estupidamente à procura da  lacraia. Que pena, esmaguei metade dela com meu rosto, mas metade dela  ainda caminha pelo chão da cozinha. Tiro da cara a porção que esmaguei e  guardo no bolso. Vou lavá-la junto com a roupa, depois junto as duas  partes. Paro um outro instante. Uma baixela mostra o meu reflexo  distorcido. Aquele sou eu... Aquilo sou eu... Passo a mão pelo rosto  tentando me reconhecer e sinto uma mistura quente de baba, suor, sangue e  lacraia esmagada. Provo. É bom. Não gosto de uma cicatriz que tenho no  rosto. Preciso tirá-la. É difícil encontrar uma faca nessa bagunça toda.  Enfio a mão pela pilha de talheres e louça adentro e sinto duas baratas  subirem pelo meu braço! Rio estupidamente, fazem cócegas! Gosto quando  abrem as asas, parecem pássaros, como os preguiçosos que vivem dormindo  na gaiola aqui de casa. Me distraio com as baratas e esqueço a faca.  Lembro da máquina de lavar. Sigo mancando até a área de serviço. Quais  roupas são as minhas, e quais são as limpas? Ah! As que estão na  máquina! Depois do pequeno incêndio na tomada, a máquina nunca mais  funcionou direito. Máquina de um azul celeste descascado, meio azul meio  ferrugem. Tiro minhas roupas e jogo dentro da máquina de lavar. Tiro de  baixo uma outra muda de roupa. Pronto. Agora é só despejar o sabão em  pó; está na caixa engordurada; sabão petrificado. Rasgo a caixa e a  pedra azul suja cai pesando sobre as roupas. Minha lacraia! Você esmagou  minha lacraia! Fúria, violência. Chuto a máquina e grito violentamente!  Bato, soco, chuto, grito! Ligo a máquina silenciosa. Percebo uma outra  barata a andar pelos azulejos, escondida atrás das cordas sujas do varal  de roupas. Sinto uma felicidade idiota e me atiro em sua direção. Dessa  vez o gancho onde se prendem as cordas do varal machuca muito meu  nariz. Sento no chão e choro. Chamo meu cachorro que está deitado no  chão da área mas ele não responde, enrijecido, parecendo sorrir pra mim,  olhos vidrados... Vou até ele e o abraço. Beijo-o muito. Mas que  danado! Você andou comendo baratas, é? Cachorro malvado! Arremesso-o  para o outro lado da área. Ouço um forte bater de portas. Chegou!  Chegou! Jogo-me no chão e me arrasto pela área, passo pela cozinha e,  antes de chegar na sala, lambo todo o piso em frente à porta de casa.  Está chovendo lá fora, a água no chão tem um gosto parecido com o do  chão imundo do meu quarto. Fico de quatro e vou engatinhando rapidamente  até ele. Da janela entra uma brisa suave que sacode as cortinas e atira  mariposas mortas em cima de mim. Que lindo... São como folhas negras...  Por isso junto todas e cada vez mais e as deixo agarradas nas cortinas.  O barulho da chuva, as mariposas mortas e mesmo assim esvoaçantes, as  cortinas de estampa floral e fundo vermelho dançando por cima da mesa de  jantar... Sorrio todo bobo, e me lembro de tirar o jantar de ontem de  cima da mesa. Daqui ele parece grande. O que será que jantamos? Enquanto  guardo mariposas dentro da camisa, percebo que Nossa Senhora está  falando comigo de novo. Na parede da sala, numa estante em cima do sofá,  toda pintada de vermelho, grandes olhos azuis e lacrimejantes, ela me  sussurra alguma coisa. Sim, senhora. Sim, senhora. Ouço um outro bater  de portas e mais gritos pela casa. Quase tinha esquecido! Chegou,  chegou!!! Continuo engatinhando pelo corredor. O carpete endurecido e  amarelado continua machucando meus joelhos. Gosto da dor, é uma dor  fininha de queimação. Rio. Passo pela porta do outro quarto fechada,  sinal de que não estou mais sozinho. Gosto dos gritos que vêm lá de  dentro e grito também, alegre! Do outro lado fica o banheiro. Acho que  preciso ir ao banheiro antes de ir para o meu quarto. Entro  engatinhando, apóio-me sobre o bidê de louça lascada, onde já perdi dois  dedos – mas coleio-os rapidamente na mão e ainda estão aqui. Sou  esperto. Rio feliz da minha esperteza. Fico de pé com alguma dificuldade  e vou para frente do espelho partido. Quando estou triste, gosto de ver  as formas coloridas que o espelho faz de meu rosto! Abro a torneira.  Primeiro vem sempre aquele barulho que a faz tremer, depois um fiapo de  água marrom escorre pela bica e eu, fcontente, me lavo! Há muito cabelo  na pia, preciso tirar tudo isso daí qualquer dia antes que entupa. Tenho  um pouco de medo desses cabelos, já os vi andarem sozinhos pela casa.  Uma vez acordei com eles em cima de mim... Fico sério, birra. Fecho a  torneira. Dor de barriga. Viro-me para a privada sem tampa e tudo o que  fiz desde ontem continua lá, quase na borda. Ai, que dor. Meto a mão na  privada, abraço um monte daquela porcaria e jogo na banheira. Desculpe,  não queria que caísse na sua cara, mas precisava de espaço! Pronto, me  sento e me alivio. Rio idiota. Enquanto me aliviava, olhava para a  pessoa deitada na banheira a quem tinha acabado de emporcalhar com minha  sujeira. Ela tinha os olhos fixos no teto e tinha plástico enrolando  seus braços e pernas. O que será que tanto olhava pra cima? Será que  está falando com Nossa Senhora também? Será que está vendo anjos? Me  levanto e pego a cortina que separa a banheira do resto do banheiro e me  limpo como me ensinaram. Escorrego. As pastilhas que formam hexágonos  azuis e brancos estão descolando e eu me desequilibro, caio em cima do  dorminhoco! Me assusto. Grito, bato, esperneio, choro e, me debatendo  muito, me jogo para fora da banheira. No movimento, uma mariposa cai da  minha camisa pelo ralo sem tampa. Não, não! Minhas folhas, meu outono!  Enfio a mão pelo ralo e, entre outras coisas, sinto as asas de minha  mariposa, um dos meus brinquedos mais bonitos. São bonitos porque voam.  Rio como um idiota. Mas sinto uma dorzinha na mão. Quando a tiro do  ralo, vem com ela, preso pelos dentes, um pequeno filhote de rato. Você  me machucou... Fecho o punho e bato com as costas da mão na parede  esmagando o rato malvado. Guardo a mariposa dentro da camisa. Rato  malvado. Deitado mesmo, estou pronto para ir até o meu quarto. Do outro  quarto agora vaza  por entre a soleira da porta aquela água vermelha que  acho tão engraçada porque é pegajosa, e doce, e quente. Tiro uma outra  mariposa de dentro da camisa e faço de conta que ela bebe a aguinha  vermelha. Rio muito da brincadeira. Guardo a mariposa e entro no meu  quarto. Tem tanta coisa no chão espalhada que já não tenho como  engatinhar sem quebrar algo ou me machucar. Papéis, caixas, bichos,  coisas, roupas, sapatos, uma porta do armário que caiu, amiguinhos que  tenho que colar ainda... Junto tudo no armário, mas estão tão cheios que  cai tudo no chão outra vez. A janela quebrada deixa passar pelas  madeiras que seguram toda a estrutura os primeiros raios de sol que  prometem o fim da chuva para aquela tarde. De baixo da janela, no outro  lado do quarto, a cama, que fica dentro de uma caixa, um pouco maior que  eu, com uma tampa. É ali que durmo. E como. E brinco. Levo todos os  meus brinquedos para a cama: minhas mariposas, os bichinhos que encontro  na cozinha, meus amiguinhos que às vezes conserto antes de dormir mas  acabo pegando no sono, tudo. E me lembro de que deve estar lá dentro!  Quando entra alguém em casa, sempre deixam lá na minha cama o que eu  mais gosto! Engatinho rápido por entre tantas coisas e chego até a cama:  lá está! Lá estão! Doces! Rio alto e estupidamente! Doces: os amarelos,  os escuros, os coloridos, de várias formas: redondos, compridos,  macios, uns com suquinho dentro... Mas eu sempre chego atrasado porque  as baratas que tomam conta do meu quarto pra mim já estão comendo tudo!  Danadas! Mas a gente divide! Pego primeiro o amarelo, que fica mais  bonito cheio de pontinhos pretos que fazem as baratas e uns outros  bichos. Coloco tudo na boca e rio feliz! Cai um pouco pelo canto da  boca. Uma vez caiu um dente todo sujo de brigadeiro, mas eu botei ele no  lugar. Teve também uma vez quando uma barata saiu pelo meu nariz mas  pus ela pra dentro de novo e respirei fundo! Me sinto cansado, com sono,  fiz muitas coisas hoje, vou pra cama. Ainda mastigando o doce amarelo,  entro na minha cama e espero adormecer. Estamos todos juntos: eu, as  baratas, os outros bichos, as mariposas. Hoje até um amiguinho inteiro  estava me esperando pra dormir comigo! Já estava até sonhando com os  olhos fixos nos anjos. Ouço o barulho forte da porta batendo e já sei  que tenho que me encolher ou posso machucar os dedos. Ouço outro. É a  tampa da minha cama que fecha com muita força. Agora tudo ficou escuro e  meus amigos se agitam um pouco. Vou comer ainda alguns doces antes de  dormir, assim que os gritos de que tanto gosto e que me fazem gritar  também terminarem no quarto ao lado. Rio estupidamente e grito ao mesmo  tempo com a boca cheia de doces.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-51M6YdoFDFk/TsmceH3Ww6I/AAAAAAAAAFw/v9NzlmmG63c/s1600/Lar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-51M6YdoFDFk/TsmceH3Ww6I/AAAAAAAAAFw/v9NzlmmG63c/s1600/Lar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-6497062215887763101?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/6497062215887763101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/lar-doce-lar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6497062215887763101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6497062215887763101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/lar-doce-lar.html' title='Lar Doce Lar'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-51M6YdoFDFk/TsmceH3Ww6I/AAAAAAAAAFw/v9NzlmmG63c/s72-c/Lar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-1887516224181095508</id><published>2011-11-20T22:31:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:31:45.415-02:00</updated><title type='text'>Surreal #3429780</title><content type='html'>&lt;div class="post-header"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Permeiam patos e pontes para preciosos petiscos. Pudera, perderam-se partes pilhadas de pérolas com pentes produzidos por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;pirilampos&lt;/span&gt;. Por pedaços de papel &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;pudicas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;pilhérias&lt;/span&gt; sob pesadas piranhas perambulam pedindo a pauta dos porcos. E os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;pleonasmos&lt;/span&gt; petrificados que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;pululam&lt;/span&gt; pipas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;papos&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;presentificando&lt;/span&gt;-se em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;pederneiras&lt;/span&gt; perigosas? Ah, pessoas que passam penas pelas pirogas não podem nem pretendem pescar pirâmides de palmito, isto por que os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;pirilampos&lt;/span&gt;  já teriam se preparado para o pior. Protestos cujos parques pensavam em  pedalar pilhas podres, perderam os pães e as práticas que precisavam de  piedade, para, no perímetro do planisfério &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;plúmbeo&lt;/span&gt; das perdizes, perfuram perfumes de pérfidos perfilhamentos e piscam para pereiras de pantanosas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;pererecas&lt;/span&gt;. Parem a paciência! Pulou o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;pajé&lt;/span&gt; pintado de preto pelos pulsos das prateleiras. Penhoraram os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;painés&lt;/span&gt; das panelas e perceberam as pestes penduradas nos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;pulôveres&lt;/span&gt; dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;pintassilgos&lt;/span&gt; pessegueiros. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Passárgada&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;pederastas&lt;/span&gt;! Pela &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;partenogênese&lt;/span&gt; partiram os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Pedros&lt;/span&gt; e prensaram os pombos em pequenos pepinos de pão-doce. Não fossem as pasmadas perucas dos poluentes e os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;pluviômetros&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;pentecostais&lt;/span&gt; que os postes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;prazerosos&lt;/span&gt; já haviam provocado em provas de pau, praticamente todos os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;projetos&lt;/span&gt; planetários teriam sido perdidos pela póstuma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;pituitária&lt;/span&gt;. Sem padres que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;pinicassem&lt;/span&gt; os pílulas. Mas, perturbadas as paráfrases, pensei no puma do palhaço que prometera ao piolho pacíficos pergaminhos, embora os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;pinhos&lt;/span&gt; pulverizados por pentes preferissem os palitos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;piriri&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Pífaros&lt;/span&gt;?, perguntou o presunto do prefeito. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Pitombas&lt;/span&gt; sobre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;pitombas&lt;/span&gt;, são essas as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;panquecas&lt;/span&gt; do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Peçanha&lt;/span&gt;! Mas e o pudim de Provença? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Prestativamente&lt;/span&gt;, o plausível pitéu privou-se de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;pseudos&lt;/span&gt; patins e postou as patas na polpa do peru. Quem vai punir a polvorosa dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;polvilhos&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;putrefar&lt;/span&gt; os pinos dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;polvos&lt;/span&gt;? Peremptória é a pomada que a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;palafita&lt;/span&gt; pregou em Paris. Pneus e pedaços de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;paineiras&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;peneram&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;putas&lt;/span&gt; e protegem piratas das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;precatórias&lt;/span&gt; e dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;pimpões&lt;/span&gt;. Paraíba é pecado? Presumivelmente, o peão com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;parafernálias&lt;/span&gt; de párocos provê a pasta para os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;Pireneus&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;Pterodátilos&lt;/span&gt; que personificam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;papoulas&lt;/span&gt; nem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;procastinaram&lt;/span&gt; os pais. Pobres mesmo são os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;pardaizinhos&lt;/span&gt; da pocilga, que poderiam pavimentar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;pugilistas&lt;/span&gt; em Pisa. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;Polêmico&lt;/span&gt; também é povoar a panificadora de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;polentas&lt;/span&gt; da polícia. Já provaram de tudo: agora possuem prataria que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;pirarucu&lt;/span&gt; não &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;pulula&lt;/span&gt;.  E por falar em punhal, a pelota peruana já permanece parada no  ponto-de-cruz, só por que o palafrém de Pantagruel não permitiu  patavinas de pocotó! Pérfida paranóica de pilares peçonhentos. Hás de  papar! O palimpsesto previu a parada dos perdigueiros pontiagudos como  uma precária possibilidade de peladas piadas. Ponto. Por quê? Pois sim,  pois não, poesia, pois é... Põe o prato para o preto a pejorativa  pamonha quando o pessoal pousava pele sob o pires da prisão de  pneumáticos. 'Pera lá, papagaio! Peróxido de proteína não paralisa  planta nenhuma! Puxe um pote de preços e não venha prantear o que o povo  pagou! Penélope, por onde passo?! Pelas paragens patéticas do pâncreas,  ora! Que pergunta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kHX_QcFaMVo/Tsmb6OOCHjI/AAAAAAAAAFo/yWQvE5XbvNc/s1600/p.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-kHX_QcFaMVo/Tsmb6OOCHjI/AAAAAAAAAFo/yWQvE5XbvNc/s400/p.gif" width="308" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-1887516224181095508?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/1887516224181095508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/surreal-3429780.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1887516224181095508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1887516224181095508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/surreal-3429780.html' title='Surreal #3429780'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kHX_QcFaMVo/Tsmb6OOCHjI/AAAAAAAAAFo/yWQvE5XbvNc/s72-c/p.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-8521785216321637693</id><published>2011-11-20T22:28:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:28:16.820-02:00</updated><title type='text'>Surreal #17</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre achei que relógios e coelhos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;epiteliais&lt;/span&gt; navegassem as bananas do entendimento usando caramelos espaciais. Não que os caramelos verdes-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;foscos&lt;/span&gt; também não dissolvessem as ordens da tela de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;paralelepípedos&lt;/span&gt;, claro, afinal, costurar três &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;oliveiras&lt;/span&gt;  fora da tíbia cruel de queixumes botânicos, que estão sempre em vasos  presidenciais, tornou-se rotina a partir de praticamente 26 por cento de  ábacos.&lt;br /&gt;Contudo, se me fermentarem quantos parafusos são desnecessários para redesenhar os selvagens pães de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;madrigal&lt;/span&gt;, incluiria ali nada menos que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;ônibus&lt;/span&gt; carecas e pastas curriculares, corrigindo sapatos e taças radiais. A primavera, por exemplo, deixou cair &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;gambás&lt;/span&gt; vermelhos de dentro da piscina do avião! A tragédia que se organizou depois da subida de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;guaxinins&lt;/span&gt; do Haiti &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;trovejou&lt;/span&gt; seca na aldeia imolada, e foi por isso, só por isso, que a matemática confidenciou o sexo aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;abajures&lt;/span&gt;  diabéticos. Não que eu não tivesse curvado as notícias numa pizza  abissal, era minha obrigação recuar até a Líbia, mesmo estando o mel  enclausurado na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;direção&lt;/span&gt; da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Monalisa&lt;/span&gt;.  A questão era que tanto o papel quanto a democracia da colher correram  pelas costas da maçaneta moribunda, e com isso eu não podia ralhar. Logo  depois, a banheira riu até o dilúvio facilitar a roda e a tocha  sobressaltar os ratos da bacia de Pequim, que até o Renascimento  resolveu diminuir sob a sopa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;ventríloqua&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IF3DjRNzAyQ/TsmbBHAw0jI/AAAAAAAAAFg/M_ijQ-ovEOQ/s1600/Surreal+3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-IF3DjRNzAyQ/TsmbBHAw0jI/AAAAAAAAAFg/M_ijQ-ovEOQ/s1600/Surreal+3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-8521785216321637693?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/8521785216321637693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/surreal-17.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8521785216321637693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8521785216321637693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/surreal-17.html' title='Surreal #17'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-IF3DjRNzAyQ/TsmbBHAw0jI/AAAAAAAAAFg/M_ijQ-ovEOQ/s72-c/Surreal+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4719902072663177903</id><published>2011-11-20T22:25:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:25:58.417-02:00</updated><title type='text'>Pequena Narrativa Surreal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo pela manhã, quando os barcos descascados à velocípedes triunfavam  sobre a academia de espelhos, recolheram-se como sempre fizeram em tempo  algum: assaram bolos dentro de cadeiras de marfim e áspides de  crocodilo. Totalmente em desacordo com as linhas da matemática de Van  Gogh, as cores e os paralamas também escolheram as gotas de Minerva  para, mais uma vez, suspenderem os corpos da ribalta em elegantíssimas  cortinas de um azul sinistro como o parto de uma elefanta de  botequim."Nem pensar", amarraram as sequóias em jantares amarelos,  confundindo triângulos e decompondo tratores como jaziam em rotatividade  as senhoras de Budapeste. Mas nem todas as famas e preguiças eram  oriundas de duas miscigenações retorcidas sob banguelas polifônicas:  toda uma movimentação sob as águas do Império Turco de Alexandre Magno  acabaram por eclodir em uma interpretação rítmica de mazelas etéreas,  uma vez que, constiuídas de sal e artérias, todas as orbes dentárias  terminaram por enaltecer as raízes de Fausto, já relatado por mordomos  em palácios de atalaia. Ora, se diante de toda essa colméia de  intrépidas orelhas, as cidades tímidas dos contos de Ur também quisessem  teorizar sobre bibicletas de algodão enquanto, ao mesmo tempo, logo  depois Moisés saltasse de uma panela segurando três cavalos de patas  prenhas, por onde estariam desalojadas as duzentos e oitenta e sete  secções de arroz? Numa janela cheia de moedas? Claro que não! Foi então  que o embaixador preferiu ordenhá-los: "Isto é um chapéu!" "Oh!",  resumiram os pomares de prata enlatados em fazendas da lua sob a flanela  caótica do meio-fio acéfalo. Tudo então começara a arder como se nuvens  concordassem com a tinta da parede de corsas. "Larguem a vela  dentada!", entornaram as vilas; "Quase lanço retratos, corais!", regaram  um peão. O xadrez estava atrasado e Nabucodonosor estalava camelos como  se regurgitam bengalas. Muito ainda estava por ansiar naquele vôo de  tremendas pontadas e orgulhosos batéis. Foi quando a fome do trema, cujo  trem expremeu toda a coluna, trincou a alegria da teia e escureceu a  roda da montanha de Holanda. As vacas horizontais suspeitaram de fechar a  cabeça ondulada de Matin Boleador, uma traça dedicada a conferir pêra  após pêra toda a salamandra octogonal de três uivos. Nem mesmo os rios  escreveriam na cisma nua de Pantagruel, verdadeiro ditame das  conferências de neve. E foi assim que subimos todos no terno ruidoso de  quarenta e sete urubus, dentre os quais esperneavam obtusos mil olhares  de bambu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--5_hkf9DXSw/TsmaizLQvaI/AAAAAAAAAFY/HoG9y-asv2k/s1600/Surreal+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/--5_hkf9DXSw/TsmaizLQvaI/AAAAAAAAAFY/HoG9y-asv2k/s1600/Surreal+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4719902072663177903?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4719902072663177903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/pequena-narrativa-surreal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4719902072663177903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4719902072663177903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/pequena-narrativa-surreal.html' title='Pequena Narrativa Surreal'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--5_hkf9DXSw/TsmaizLQvaI/AAAAAAAAAFY/HoG9y-asv2k/s72-c/Surreal+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-3066147330825368916</id><published>2011-11-20T22:23:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:23:25.713-02:00</updated><title type='text'>Surreal #17813</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Janelas incendiárias de Galápagos não  ressuscitam vozes abstratas, e nem as andorinhas de papel se afogam em  documentos tautológicos. Cabeças de avestruzes bailam em cortinas de  Bauru, disse o santo. Não, não as quero dentro de mim, sou uma fornalha,  um azougue, carrapato de teus sonhos imerso em consciências tranqüilas  de samambaias exponenciais: sagrada hipérbole do Curupira. Miau, sibila  Sá-Mariquinha-cadê-o-frade em ângulo obtuso da minha matemática  cartorária. Blém, blém, blém... Ancestrais de cordel sussurrantes  enervam minha conexão com o mundo à medida que choramos juntos arco-íris  feitos de melancia. Quem clonou o Céu e fez dos peixes medida de  azimutes? A queixa é pertinente dentro do teatro velho, menos para o  cirurgião, que evoca redondilhas em dó menor antes da viagem de  submarino. Já não sei quantos mares construí na ópera nem quantos  castelos lancei ao vento, ao vento da tragédia das charlatanices de meu  coração que bate no concreto. Da areia saem todos os sonhos que tive e  que não couberam no moedor de carne, e dos camelos explodem palafréns  fiéis às hortas de açorianas pequenas.   &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  É hora da janta, canta! Espanta a elefanta da manta, tanta e quanta, a  planta, o mantra. É das jabuticabas que partem os bondes orientais, e  eles navegam pelos cheiros de meu calor num movimento desordenado. Via  Láctea, processos e cajás secam à beira dos ossos de nanquim do chinês  de olhos africanos, pauta em dó menor da escala monocromática de Hertz.  Gulosa metonímia, sarcástica mania: mais de tudo! Sismografias  reluzentes dos cachalotes exalam abelhas que entopem as tubulações da  cidade nem sequer imaginam a altura dos supermercados. Se as ações  retomam ninharias, por que os padres não viajam pelo tempo em busca dos  açudes do Cão?! Cão Cristo, Sem Cristo e Pô, Cristo! Bússola, canção,  aaaaaa...tchim! Soneca tempestuosa de patos malaios eu desejo para a  avalanche que retardou todo o jogo de rodas, polias e catracas. As  tochas não dançam mais e as máscaras perderam a hegemonia:  roubou-se-lhes o manacá. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Comprei lençóis mas não vieram com eles os fantasmas, amarguei  diabruras de domingos roliços, bebi diamantes, teorizei castiçais e  subjuguei amêndoas, tudo em nome das reticências. O pó das maçanetas  dei-lhes eu mesmo ao marajá. Quando não havia mais o sumo das  ventoinhas, corrigi halteres? Tolhi minhas meias e desembarguei soluços  nos meios-dias de agosto, quando o fogo já não mais afogava sumérios,  nem pergaminhos de prata incutiam penas em curvas de maçaricos. Ananias  me disse; sorri, como quem foge de lagoas de dentro e como quem cospe os  pratos que não comeu. O mistério das ovas é rudimentar: se não se pode  com as âncoras, como se contornará o abissal das idéias dos indigentes  permissivos? Passo aqui, passo acolá, pego agora, largo já. Estou e já  me fui. A ausência de pesticidas só inflama as maritacas dos pormenores  que nascem tortos nas gengivas dos cavalos marinhos. E se falei, retiro,  pois só se pode reiterar a ceia que não se jogou do alto do primeiro  andar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BOAntUlHGy0/TsmZ9EEMNuI/AAAAAAAAAFQ/sEFzLI2LTbU/s1600/Surreal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-BOAntUlHGy0/TsmZ9EEMNuI/AAAAAAAAAFQ/sEFzLI2LTbU/s1600/Surreal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #003300; font-family: Arial; font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-3066147330825368916?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/3066147330825368916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/surreal-17813.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3066147330825368916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3066147330825368916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/surreal-17813.html' title='Surreal #17813'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BOAntUlHGy0/TsmZ9EEMNuI/AAAAAAAAAFQ/sEFzLI2LTbU/s72-c/Surreal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-8981413715056994179</id><published>2011-11-20T22:20:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:20:54.378-02:00</updated><title type='text'>Velório No. 13</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentado sob uma lápide rachada, apóio minha cabeça no ombro do cadáver  de uma bela jovem que me abraça carinhosamente. A mão gigante que nasce  do solo aponta o dedo indicador para cima e os ratos riem do coveiro sem  dentes que almoça filhotes de coruja. Sua risada boba acorda um homem  de cabelos alvoroçados metido em terno e gravata que corre em desespero  pelas alamedas de jazigos. Um cachorro segurando com os dentes seus  próprios intestinos, ao passar por nós, encara-me e diz suavemente:  "camafeu", e vomita tatus que se enfiam na terra sob o olhar estéril e  sorriso falso de reprovação de minha amante seca. Beijo seco. Olhos  secos. Vida seca. Quem matou Graciliano? Olho em volta e vejo um dia  cinza do mais sublime azul que se possa pintar em colheres de pau. Não  se fazem mais doces como antigamente e, do túmulo ao lado, oferecem-me  brigadeiros de milho, verdes e quentes, da cor de minha amante. Ela, meu  amor, cadavérica, mastiga sonhos e me deixa enjoado, mas beijo-a assim  mesmo e seu gosto é azedo. Azeites, azedos, azedumes... Sou gravura em  azulejos portugueses e sinto as divisórias em meus ossos. Passe o  vinagre, sim? A brisa no cemitério espalha meus dedos. Mais à frente, um  velho calvo vestido de branco suporta o peso de uma longa barba feita  de crianças e se sustenta com uma pata de camelo. Ele olha para o chão.  "Cuidado com as lagartixas". Corro para as capelas. 1B. Ninguém foi ao  meu velório. Minha amante puxa o sino, é hora de partir. Eu me levanto,  cumprimento-me e corro para perder-me entre os túmulos de rosas. Onde  está o médico? Não posso perder o avião! No coreto, micos devoram  abutres e rasgam jornais. O coreto é de madeira da cruz de Cristo, que  me observa com suas cores barrocas e suas perspectivas medonhas. Preciso  pintá-lo e prendê-lo no quadro de que saiu, mas as escadas são longas  demais! Agora que vejo o cemitério através dos vitrais da mansão,  costuro lhamas e comungo pregos temendo que minha amada recupere o  equilíbrio e consiga subir as escadas. Ela estica o que restou dos  braços em minha direção, suplicando meu amor. Seus músculos, ossos e  tendões podres lhe dão aspecto de marionete; talvez sejam as teias de  aranha que a sustentam e que enchem minha boca de verbos velhos; velhaca  literatura. Seus pés maculam de barro o tapete vermelho roto e rasgado.  Um coro de sete crianças entoa canções natalinas no saguão mas não  distingo as palavras por causa de suas línguas reptilianas. Um espectro  de mulher em longas roupas brancas passa por mim flutuando. Sigo-a até o  segundo andar onde o Papa me espera e me ignora. Minha amante sobe as  escadas de cristal e tudo é luto. Posso ver a água da chuva por entre  suas costelas. As maçãs penduradas no teto são de um vermelho vivo e  intenso, cristalino. Sinto fome. Bolo de cabelos. Puxo uma flecha de  minha aljava e miro na mulher que, morta, quer-me amar e atiro. Tenho um  pavor profundo dos quadros da sala. Todos eles falam comigo: amém,  amém, amém, amém, amém. O elevador não tem o botão do andar que quero e  desce sem parar. "Você vai morrer hoje?", pergunta-me o pássaro azul  que, ao abrir-se, rasgando-se de dentro pra fora, faz surgir um baú  velho onde guardo meus brinquedos antigos e pedaços de meus pais.  Térreo. Estou de volta ao cemitério. Besouros dançam a valsa dos  condenados; anjos tocam suas trombetas; jorra leite estragado dos vasos  de flores; a enfermeira me veda a boca com uma fita adesiva. Shhh...  Boneca de pano, mamulengo, fantoche. Dorothy mata o leão e o homem de  lata desmembra Totó. Acho tudo engraçado não fossem folhas das árvores  que cortam minha carne alimentando o espantalho. O espantalho é de  palha, espanta e talha. Estala. O cortejo segue pelo cemitério, seguro o  caixão que leva uma flauta enferrujada. Cortam-me as pernas e só me  resta voar. Vacas em chamas! Só a salada, obrigado. Martelo, prego,  martelo, prego, martelo, prego, martelo, prego, martelo, prego, martelo,  prego, martelo, prego. Terremoto. Juízo Final. É mentira! Caminho da  roça! Olha a cobra! A tudo assisto ao lado de minha amante, meu amor,  seca, dura, linda... Aceito! Entre os convidados, a leoa lambe os lábios  leporinos lendo Lescaut, lívida, lânguida libido, lírios leves e  luminosos lápis-lazúlis. Latrina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Ym3QeU2Fm40/TsmZW45auRI/AAAAAAAAAFI/AFwBGA4mcyc/s1600/Caix%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-Ym3QeU2Fm40/TsmZW45auRI/AAAAAAAAAFI/AFwBGA4mcyc/s1600/Caix%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-8981413715056994179?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/8981413715056994179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/velorio-no-13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8981413715056994179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8981413715056994179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/velorio-no-13.html' title='Velório No. 13'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ym3QeU2Fm40/TsmZW45auRI/AAAAAAAAAFI/AFwBGA4mcyc/s72-c/Caix%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-3486491253325696925</id><published>2011-11-20T22:17:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:17:28.225-02:00</updated><title type='text'>Sono-Tic-Sono-Tac</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Do pão vem o cheiro  de rosas, as rosas podres do campo onde me arrasto e me misturo às  minhocas lamacentas que desfiam a carne dos bois e vacas que voam  felizes dos matadouros, chorando lágrimas de um verde viscoso. Tudo é  música regida pelo sol pesado que rola sobre as ondulações negras das  formas montanhosas que a noite esculpe sob a Via Láctea. As  estrelas-do-mar desenham um coelho em minha retina translúcida, e o  coelho me sorri com seus dentes quebrados e amarelados um sorriso da cor  de seus olhos: a cor do cheiro das rosas que primeiro senti assim que  abri o armário. Naquela sala cujo fim nunca presenciei éramos apenas  nós: eu, o armário e meu coração que batia apressado no assoalho  enquanto meu peito vazio suspirava de saudade com um grande vazio.  Tic-tac-tic-tac-tic-tac faz o carrilhão no fim do corredor. Ele marca as  horas em que os cavalos devem morrer. Tic-tac-tic-tac-tic-tac os  cavalos estão mortos e eu galopo suas ossadas macias como as artérias de  minhas têmporas rompidas sob seus galopes. Sob a grande amendoeira  solitária Moisés caminha sobre o Mar Vermelho, o mesmo mar sobre o qual  Jesus caminha. Pedro grita de pavor: o Cristo é cego, gigantesco e de um  olho só! &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sob a noturna  tormenta, os apóstolos estão todos mortos, menos o faraó, que segura a  cabeça de São João Batista pela barba de ramos em  fogo. Tic-tac-tic-tac-tic-tac  estou em frente ao relógio e o pêndulo corta edifícios, corpos e almas,  e as ouço gritarem. Uma criança monstruosamente deformada me puxa pelas  rédeas e me pergunta por seus pais. Tic-tac-tic-tac-tic-tac tudo o que  vejo é o corredor frio, escuro, longo. O carrilhão foge de mim e eu não  consigo alcançá-lo! Não quero sopa! Ela me diz coisas horríveis e seu  aspecto é ruim. – Mas é boa para você, me diz o defunto estendendo a mão  de onde chovem peixes. Um livro surge perante mim e um gato preto me  obriga a lê-lo. Não gosto de galinhas! Tenho medo das penas! Mas elas  são boas para você, diz o corpo do homem sem rosto no caixão. Trancado  dentro do mausoléu, mal acomodado no esquife, só me resta ler o livro. O  teto de vidro faz vez um olho enorme entre as estrelas. Ele pisca. Elas  caem. Tudo treme. Do terremoto que vem da queda os túmulos se abrem e  os corpos voltam à vida, num silêncio feroz que me esgarça as tripas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tic-tac-tic-tac-tic-tac  é hora de ler o livro que eu não quero. – Mas é bom para você, sussurra  uma voz que vem da imagem de um santo devorando um cordeiro. O cordeiro  me sorri o sorriso do coelho e minhas asas se abrem. Um homem de muitos  rostos devora um braço. Não vejo seus olhos, mas eles me lembram dos  meus próprios, antes de se tornarem sementes e florescerem páginas de  livros. Tic-tac-tic-tac-tic-tac o piso é xadrez, preto e branco, curvo,  disforme e eu tenho medo do relógio. 8:17h. 20:17h? Sou presa fácil de  leões brancos com o rosto de meu pai: Nabucodonosor. O livro permanece  na escrivaninha e eu preciso lê-lo. Me aproximo enquanto as substâncias  químicas do laboratório parecem reagir às moscas. Sou mosca. Mozca.  Mozzzca. Zzzzzzzzzzzz. Sinto meu nariz entrar rosto adentro. Está  quebrado. – Isso é para aprender a ler o livro quando forem horas!, diz o  monge que estripa porcos. – Você acha que a sua casa é como este porco,  cheia de carne e merda? Vocês são porcos! Somos todos porcos!, grita o  monge nu que agora é estripado pelo porco semi-aberto. O porco sorri  para mim o sorriso do cordeiro que é o sorriso do coelho que é o sorriso  do monge nu e estripado. E eu ainda não li o livro porque o Diabo o tem  sob os cascos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O chão é  quente mas a água é tão pura que cada gole me lembra  tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac agora sei que falta pouco. Uma senhora  gorda, vestindo roupas de camareira e rostos de outras pessoas me espera  senta à beira da cama. – Venha, minha filha, eu vou ler para você! Mas  eu sei o que me espera e não quero. Reluto. São mais treze pessoas no  velório e o cemitério parece ser o quintal da casa que nunca tive mas em  que já estive em sonhos. A  cabeça da velha senhora gorda aumenta de tamanho e fica cinza. Seus  olhos explodem deixando dois buracos no crânio mumificado e ela grita  comigo algo que sei que não compreendo mas sei que é hitita. Nas paredes  do quarto, há inscrições em hebraico em  vermelho. Tudo  é hebraico e eu sinto um presságio de bruxaria. Estou preso em minha  camisa de força e grito histericamente alto, de pavor, um pavor  ancestral, um pavor surdo, um pavor inumano. Na mesa da sala, uma cobra  silva sobre o livro. Tic-tac-tic-tac-tic-tac é hora de ler o livro. Com a  boca cheia de fios de cabelo não sei de quem, sento-me à mesa que fica à  beira-mar e leio a primeira página. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cada palavra  lida um pássaro morre e cai ao meu lado. Cai e fede. E é consumido pela  areia da praia. E deixa uma carcaça pútrida da qual me alimento cada  vez que viro a página. Vem a noite, o sono e os lobisomens uivam no alto  da montanha fria que me acolhe. – Envolva-me, diz a montanha para a  noite. Me ame!, diz a noite para a montanha. Do seu amor nasço envolto  em placenta verde e sou devorado por borboletas cujas asas são as  páginas do livro que não li, mas que comecei. Tic-tac-tic-tac-tic-tac  Agora as girafas estão mortas e tudo exala medo no zoológico. Os macacos  batem com as próprias cabeças nas jaulas até se matarem. Os jacarés e  crocodilos ficam parados observando os tigres virarem do avesso por eles  mesmos. De seu avesso aparecem flores, e os jacarés correm para  devorá-las. Um hipopótamo sua sangue e respira com dificuldade. O  rinoceronte se divide em dois e eu executo Mozart na flauta transversa.  As aves voam agitadamente dentro de suas gaiolas até que, numa  velocidade inimaginável, explodem chocando-se entre si. Seu sangue  espirra em mim e me atrapalha a leitura. Tenho sono. Temo o sono. Tempo e  sono.  Tic-uma-piscada-tac-outra-piscada-tic-balanço-a-cabeça-tac-vejo-pessoas-tic-estou-morto-tac-ressuscito-tic-sou-peixe-tac-sou-homem-tic-enlouqueço-tac-na-missa-tic-na-feira-tac-na-cruz.  E o Cristo me sorri o sorriso do coelho que é o sorriso do cordeiro que  é o sorriso do porco que é o sorriso do monge que é o sorriso da  criança deformada que é o sorriso dos macacos que é o sorriso da  montanha que é meu sorriso no espelho que é um sorriso de dentes tortos,  sujos, quebrados, amarelos, rotos, fedidos. Como são meus olhos e como é  meu coração. Fecho o caixão e durmo. &lt;span lang="EN-US"&gt;Tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-t.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_tv0ZfrwexQ/TsmYkMGD7jI/AAAAAAAAAFA/gIYsRsOzKgw/s1600/Rel%25C3%25B3gio+em+Espiral.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-_tv0ZfrwexQ/TsmYkMGD7jI/AAAAAAAAAFA/gIYsRsOzKgw/s1600/Rel%25C3%25B3gio+em+Espiral.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-3486491253325696925?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/3486491253325696925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/sono-tic-sono-tac.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3486491253325696925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3486491253325696925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/sono-tic-sono-tac.html' title='Sono-Tic-Sono-Tac'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_tv0ZfrwexQ/TsmYkMGD7jI/AAAAAAAAAFA/gIYsRsOzKgw/s72-c/Rel%25C3%25B3gio+em+Espiral.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-2139269494744472286</id><published>2011-11-20T22:15:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:15:55.851-02:00</updated><title type='text'>O Cheiro do Espelho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cheiro do espelho as cegonhas se  camuflam de sedas e fogem das tesouras cegas que despejo de meu peito  como as peles dos touros estampados nas folhagens do milharal de  diamantes. O som dos oceanos não é verde, mas fazem as pedras chorarem  estrelas-do-mar e, com elas, a cera que derrete das velas que perfuram  meu corpo e acendem cometas no céu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cheiro do espelho o camponês  louva a deusa da fertilidade e a terra se rasga em terremotos de fogo e  dor. As paredes da igreja sangram bispos e padres e nas panelas as  feridas cozinham línguas e serpentes. Sou presa das nuvens e o vento  separa minha alma. Assombro pessoas: “é o demônio! É o demônio!” No  trono, Carlos Magno janta sua coroa dentro de seu cavalo, e as cortinas  do templo são costuradas com as tranças de Rapunzel. Cavaleiros se  fundem no metal de suas armaduras enquanto faço amor com a donzela  morta. A pele fria congela meus lábios: beijo da morte; um corte; já não  tão forte...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cheiro do espelho rachado  vomito insetos que comem a mim mesmo e sinto o cheiro de terra molhada  que entope meus ouvidos com larvas. Jesus me sorri mas é o Diabo quem  ri! A graça sou eu...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O espelho me dilacera e me afogo  em pus e sangue. O Cálice Sagrado está cheio de cinzas! Relembro o dia  da foto: a lápide e o vaso, o coveiro e a pá, eu e meu corpo, chora a  menina ao lado da cozinha onde os escravos preparam os restos de seus  patrões para a ceia. Chega o Carnaval e sou estandarte pregado na cruz.  Dentro de casa a sala me engole e os móveis me perguntam onde está o  chá. Sou barro!!! A música de um alaúde me toma e o cálice está no  pântano. As árvores falam comigo: não devo tocar o cálice. No céu de  estrelas cadentes gira a ampulheta de areia vermelha. Tudo é movimento e  o som dos trovões derruba os templos gregos. Aristóteles.  A-ris-tó-te-les. A-r-i-s-t-ó-t-e-l-e-s. A... ris... tó... te...  Platãããããooooo! A cicuta sou eu que preparo e o abutre sai de meus  calcanhares para bebê-la. O rei está morto! Acordo no deserto de mil  dunas que bailam com os ventos. Escorpiões me picam e o profeta recita  os salmos. Tudo é areia. O que é embaixo é como o que é em cima e tudo é  areia que escorre da ampulheta e cai no vaso que jaz sobre a lápide.  “Não toque no vaso”, sussurra a donzela deitada sob a pirâmide de âmbar.  Caminho na direção da lua que cai de repente e esmaga o lobo. Seu  sangue espirra em minha boca e cuspo filhotes uivando para a lua. Os  filhotes têm rostos humanos. O homem é o lobo do homem. Fecha aspas.  Depois de uivar com as entranhas pelo lado de fora, súbito surge o  cemitério e vejo cadáveres enterrando seus parentes vivos. Os mortos  choram e os vivos deliram em suas covas. Tudo é noite menos os olhos da  coruja. Espelhos. A luz do farol abandonado aponta para um túmulo e um  murro em meu rosto me coloca em sua direção. “Quem foi? Quem é?” “Não  toque no vaso”. Acompanho a luz que afasta os morcegos. É época de  morangos e o cheiro das mangas me faz lembrar dos limões que cresciam  nos abacateiros de minha infância cruel. Doces de laranja e goiabadas  fétidas no pão embolorado que a empregada gorda tirava da cabeça e me  oferecia. Era bom e eu adoecia. A empregada ria e logo voltava à panela.  Grito e me debato no chão violentamente com pavor da empregada que se  cozinha a si mesma no caldeirão. Não há ninguém na cozinha do palácio. À  noite sobrepõe-se o dia que é substituído pela noite que dá lugar ao  dia e é possível ver os planetas pela varanda da sala. O relógio dá  meia-noite mas eu sei que é mais cedo. Depois da décima-terceira  badalada, chego no túmulo que ostenta a lápide com um nome que não  conheço. O vaso está cheio de cinzas; o vaso é cinza; o céu é cinza; meu  sonho é colorido! “Não toque no vaso!” Estendo a mão e vejo ao meu lado  a morte golpear a ampulheta com sua foice. A areia sai das ampolas e se  fundo aos ossos sob o manto e lhe dá minha carne. Estendo a mão e toco  no vaso. Tudo é muito rápido. Sinto-me leve. Sou cinza. A donzela morta  está sentada para o meu funeral e o alaúde toca uma melodia triste.  Sinto calor. Está quente, mas confortável. Parabéns, é um menino! Na  boca, o leite se transforma em cinzas e eu engasgo com beija-flores no  colo da morte...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Qvwzq1pHnKA/TsmYMbnG7AI/AAAAAAAAAE4/xaJmcqamkp0/s1600/Cheiro+do+Espelho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-Qvwzq1pHnKA/TsmYMbnG7AI/AAAAAAAAAE4/xaJmcqamkp0/s1600/Cheiro+do+Espelho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-2139269494744472286?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/2139269494744472286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/o-cheiro-do-espelho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2139269494744472286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2139269494744472286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/o-cheiro-do-espelho.html' title='O Cheiro do Espelho'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Qvwzq1pHnKA/TsmYMbnG7AI/AAAAAAAAAE4/xaJmcqamkp0/s72-c/Cheiro+do+Espelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-1494004627183384411</id><published>2011-11-20T22:09:00.001-02:00</published><updated>2011-11-20T22:09:32.216-02:00</updated><title type='text'>Rosas e Porcos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Lembro que caminhava  por uma estrada, à noite, com o sol a pino e as aves se arrastavam pelo  chão. Borrões passavam pelo céu e alguns tinham rosto, e os rostos me  encaravam com longos cabelos que queimavam silenciosamente.  Freqüentemente toda a cena perdia as cores; era quando tudo tremia e as  casas caíam sem fazer barulho, jogando pessoas pela janela. De uma  delas, eu podia ver os prédios tombando uns por cima dos outros e sentia  um pânico tranqüilo. Então via que não podia simplesmente subir mais  alto e que toda aquela água fatalmente chegaria até onde eu estava.  Pensava em minha família sendo afogada e tinha a certeza de que todo o  bairro logo estaria debaixo d'água. Alguém berrava do meu lado, mas eu  não podia ouvir porque era menor do que esse alguém. Ele não tinha  cabelos e o rosto era pintado, mesmo estando tudo branco, eu podia  identificar as cores em mosaico do seu rosto. Não consegui ser rápido o  bastante e meu cachorro passou pelas grades da varanda, caindo  lentamente, como se fosse uma folha e, sem que eu esperasse seu corpo  inerte cair no pátio interno do prédio, corri para as escadas para  resgatá-lo lá embaixo. Talvez estivesse vivo, vivo como as sombras que  me cercavam no corredor do meu andar até o elevador. Ali estavam as  escadas. Como tinha pressa, pulava os lances como se estivesse voando  até que as escadas deixassem de ser as escadas do meu prédio e se  tornassem as escadas do meu colégio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um urso comia  as árvores que eu não conseguia alcançar e, do pátio, só podia ver o mar  cinza jogando navios para cima e destruindo pontes. As pessoas ao meu  lado desmoronavam como se fossem figuras montadas de blocos de madeira  de jogos infantis. Não havia sangue, mas eu estava apavorado. E ria, ria  muito! Até que finalmente começou a chover estrelas. O céu ficou  nublado e uma figura gigantesca apareceu por sobre uma pesada nuvem cor  de âmbar. Uma voz gritava ao fundo: "ele vem! Ele vem!", e se fez  silêncio em todo o planeta, e uma opressão tomou conta do meu peito. Não  queria tomar aquela injeção, não de novo, mesmo que o enfermeiro  mostrasse que não iria doer nada experimentando em um de seus próprios  olhos, que sempre saía por inteiro com a agulha. No meu bolso havia  sempre baratas, e por um buraco na parede, escondido debaixo da cama, um  incontável número de lacraias e aranhas me dava nojo. Não conseguia  dormir tentando matá-las. Os bichos em si não eram o problema, mas de  onde poderiam sair tantos?! Se ainda fosse um sonho... &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De uma pequena  ilha para outra a distância não era assim tão grande, mas era a única  coisa que eu podia fazer: nadar. A areia era sempre tão pesada que  tornava tudo mais difícil, até mesmo sair do carro. De repente me sinto  acordando e estou novamente na estrada, de dia, com a lua iluminando os  sapos que derretiam dentro das panelas que eu mesmo deixara nos  armários. "Mas o enterro é mesmo por aqui?", lembro que o cemitério era  enorme, e muito movimentado. Muitas capelas, muitos velórios, mercado  das pulgas em Marrocos! Os túmulos subiam numa babel de cortejos e  caixões e lá estava o velório de meu avô. Caixão fechado, gatos que se  mordiam e arrancavam pedaços um do outro. Cheiro de formol no ar e a  figura mumificada de meu avô. De repente todos começam a se dirigir em  direção à saída com pressa. Dezessete horas. É hora de o cemitério  fechar. Do alto, olho para a distante saída e os espelhos começam a se  quebrar em cima das pessoas. As escadarias da Glória são escorregadias,  não se pode correr. Elefantes de circo também correm para a saída. Se  pelo menos eu conseguisse me livrar dessas flores... Todos saem e eu  fico sozinho. De repente, silêncio. Eu sei que é a hora do caos, da  morte, da fome, do terror, do pânico, do medo, da dor... Meu coração dói  ao ver que as tampas dos túmulos e dos caixões vão se abrindo.  Cachorros correm por todo o cemitério: serei comido vivo pelos cães  antes de ser a única testemunha do Juízo Final. Quantos livros cabem  dentro de um homem? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quantos homens  cabem dentro de um livro? Meu carro começa a ficar pequeno e logo estou  a pé sobre o viaduto que começa a ruir. Consigo evitar a queda mas as  pessoas me cumprimentam e se jogam no mar acenando para mim. Seus  sorrisos se despedaçam junto com seus corpos. Quando finalmente me  sento, consigo me ver deitado num velho quarto de hospital. Estou  morrendo, mas é meu eu sentado que não tem rosto, apenas ossos. Perco  todos os meus dentes e uma colher me tira as entranhas. Me levanto da  maca e o quarto está fechado, trancado! Não sei quem colocou todos  aqueles jacarés no lago, mas a presença do demônio é clara e logo minha  mão se torna uma só com a maçaneta. Quanto olho para trás, vejo a casa  inteira pegando fogo e o frio cessa. Corro para lá e os rostos mal  desenhados nas paredes me seguem com as pupilas desiguais. Mesmo com as  plantas emergindo do tapete, consigo chegar às escadas e entrar no meu  quarto. Pronto, posso deitar na cama, estou cansado. Sentado na cadeira,  vejo pela parede que as pessoas correm na rua, mas não posso ouvir o  que dizem, apenas as vejo sumindo. Um anjo bizantino, com sua aparência  terrível, estende a mão para mim e me leva para cima. Agora tudo é luz e  ódio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Disseram que o  remédio me faria ficar melhor, e que eu passaria a ver apenas a  realidade. Mas isso foi antes do hospital ficar às escuras e eu ser  perseguido por uma enfermeira cambaleante. Mesmo no escuro eu sei que,  se atravessar aquela porta, ela estará me esperando com os bisturis.  Mas, se fico, terei que olhar para o seu rosto sem olhos... Sento e  converso com o minotauro que já está ali há muito tempo e divide comigo  uma porção de alguma coisa que grita. Eu sei que nunca mais escaparei da  realidade. Mas, se lá não há minotauros nem medusas que choram vermes,  por que sairia daqui? Os sonhos são terrivelmente monótonos: gosto da  dor da realidade. Agora preciso ir, metade de mim já foi devorada pelo  minotauro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Fimfimfimfimfimfimfimfimfimfimfimfifmfifmfifmfifmifmimimfimfimfifmimfimfmfimfimfifmiffifmfmfiimfmifimfifmimifimfimfimifmifmimifmfimfimfimfimifmfimimifmfimfimfimfifmifmifmifmifmifmfimfi...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rsT2m37ALRs/TsmWpXqa7fI/AAAAAAAAAEw/tYNzo0S0Gbw/s1600/Flor-Cad%25C3%25A1ver.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-rsT2m37ALRs/TsmWpXqa7fI/AAAAAAAAAEw/tYNzo0S0Gbw/s1600/Flor-Cad%25C3%25A1ver.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-1494004627183384411?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/1494004627183384411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/lembro-que-caminhava-por-uma-estrada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1494004627183384411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1494004627183384411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/lembro-que-caminhava-por-uma-estrada.html' title='Rosas e Porcos'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-rsT2m37ALRs/TsmWpXqa7fI/AAAAAAAAAEw/tYNzo0S0Gbw/s72-c/Flor-Cad%25C3%25A1ver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-6279837425176301477</id><published>2011-11-20T22:01:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T22:01:36.954-02:00</updated><title type='text'>Quarta-Feira de Cinzas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele seria seu último carnaval, por  isso resolveu ir à Veneza. Lá encontraria a tradição das máscaras, o  começo de tudo; seria o seu renascimento. Já havia algum tempo não  sentia mais prazer em suas vítimas. Havia se especializado, é verdade:  muitos cirurgiões não tinham a sua habilidade nem a sua perícia nem  mesmo depois de anos de prática cirúrgica. A manipulação da dor, sua  intensidade, a orquestração do sofrimento alheio; era uma mestra na sua  arte, uma arte que agora parecia não mais fazer sentido. Teria sido o  vazio que nunca foi preenchido com todo aquele sofrimento que a fizera  desistir? Tantos bailes, tantas máscaras, tantas vítimas e tantos  carnavais... Seus primeiros trabalhos tinham sido um desastre. Tinha a  técnica, mas ainda não dominava a paixão. Raramente seu ateliê ficava em  ordem. Limpar a maca, os instrumentos, as paredes e algumas vezes até o  teto mostrara-se muito mais trabalhoso e cansativo do que o trabalho em  si, embora este lhe desse um profundo prazer, ainda mais ao som de  velhos musicais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da mesma forma que sentira o  primeiro impulso, este agora a abandonava: sem motivo aparente, sem  explicação; como vêm e vão os amores e as paixões, como vêm e vão os  rostos das pessoas que cruzam nossas vidas desta ou daquela forma. Ah,  os rostos... Difícil explicar por que algumas faces desaparecem de  nossas mentes depois de terem atravessado nossos caminhos. Ela jamais  esquecera um rosto. Afinal, nem podia: colecionava-os. Sua ligação com  as pessoas era tão profunda que não podia simplesmente deixá-las ir.  Amores passageiros, lembranças permanentes. Teria para sempre seus  sorrisos, seus olhares, suas feições... Carregava cada semblante  conhecido numa máscara veneziana. Algumas eram sustentadas por varetas,  outras faziam parte do conjunto chapéu-máscara. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Carnaval de Veneza começara há  três dias, e ela já recebera alguns elogios pelas máscaras que usava.  “Parecem tão naturais, tão expressivas!” Ela agradecia com um sorriso.  Natural e expressivo. De uma gôndola veio-lhe um cumprimento e um beijo.  Sorriu. O mascarado desceu na escadaria mais próxima e aproximou-se  dela. Conversaram sem tirar as máscaras: tradição. Um convite para uma  conversa mais tranqüila, longe da confusão das ruas. Num beijo roubado,  um sonífero na jugular. Engenhoso, engenhoso! Sem mais ateliês sujos,  perfeição! Um rosto a mais para guardar, o último, prometera a si mesma.  Satisfeita, deixou a nova máscara em curtimento e saiu às ruas para  buscar inspiração para o seu acabamento. De repente, passa-lhe ao lado  um mascarado com um fantoche e lhe faz algumas brincadeiras.  Desprevenida, ela sorri e retribui a brincadeira quando lhe vem à mente:  “Fantoches... E por que não?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RWqBu1-WjmA/TsmU03T4RHI/AAAAAAAAAEo/NocfWlsKhjE/s1600/Quarta-Feira+de+Cinzas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-RWqBu1-WjmA/TsmU03T4RHI/AAAAAAAAAEo/NocfWlsKhjE/s1600/Quarta-Feira+de+Cinzas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-6279837425176301477?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/6279837425176301477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/quarta-feira-de-cinzas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6279837425176301477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6279837425176301477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/quarta-feira-de-cinzas.html' title='Quarta-Feira de Cinzas'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RWqBu1-WjmA/TsmU03T4RHI/AAAAAAAAAEo/NocfWlsKhjE/s72-c/Quarta-Feira+de+Cinzas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-2278063326016822952</id><published>2011-11-20T21:58:00.000-02:00</published><updated>2011-11-20T21:58:56.372-02:00</updated><title type='text'>A Menina</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Da torre mais alta  da mansão ela podia ver toda a propriedade: o jardim em forma de  labirinto abandonado, o chafariz com o mármore sujo e rachado, a capela  em ruínas, o pequeno cemitério da família e a estrada em forma de túnel,  que assim se formara devido às copas das árvores que a margeavam não  serem podadas há anos. Uma brisa suave e pesada, quente, como aquelas  que sussurram nossos nomes num presságio terrível em dias nublados e nos  fazem ter a certeza de que alguém nos observa arrastava algumas folhas  pela grama queimada. Passava um pouco mais das dezoito horas. Começava a  anoitecer. Da janela da torre a menina de longos cabelos pretos, pele  clara, vestido branco e descalça observava a vida morta da mansão que  começava a estalar com o frio que substituía o calor da tarde que fugia  com pressa da noite. Pousou os olhos em alguns anjos esculpidos pelo  cemitério, guardando lápides e orando pelos mortos. Achava-os lindos:  eram muito altos, imponentes, olhar penetrante, expressão dura e ternos  ao mesmo tempo. Parou o olhar numa escultura que não tinha percebido  ainda, parecia nova. Era um anjo mais jovem. Analisava bem suas feições  quando de repente ele abriu os olhos e encarou-a! Ela deu um grito agudo  e não conseguiu controlar as pernas, caindo no chão. Assustada, voltou à  janela, ainda em pânico, mas precisava certificar-se de que tudo não  passara de uma má impressão. Reviu a face do anjo, temerosa, mas nada  mais aconteceu. Decidiu ir até o cemitério para vê-lo mais de perto.  Desceu as escadas da mansão escura sem se incomodar com os corpos  putrefatos, os quadros de rostos deformados, a mobília rasgada e o  sangue que se espalhavam aleatoriamente por toda a casa. Um ou outro  gemido lento e dolorido fazia coro com portas que batiam e com os vidros  que se quebravam sozinhos. No saguão da entrada olhou para cima. Viu  uma mulher coberta de sangue e a cabeça esmagada acenar para ela. A  menina sorriu e seguiu para o cemitério. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem nenhum  cuidado, algumas lápides estavam cobertas de musgo e trepadeiras, e  outras escondiam-se atrás de pequenos arbustos. Até as esculturas  pareciam sofrer com o abandono. Muitas estavam rachadas, outras sem  cabeça, outras ainda sem os braços ou pedaços das asas. Achou o anjo que  a observara e, ao se dirigir a ele, viu que ele guardava uma sepultura  aberta. Afastou a franja dos olhos sem pupilas e, com naturalidade,  observou um caixão aberto e vazio. Sorriu e olhou para o anjo, que já  tinha os olhos abertos novamente em triste expressão e chorava sangue.  Uma alegria ingênua de criança invadiu-lhe o peito e ela começou a  brincar e a correr por entre as lápides. Voltou a casa e, na entrada,  encontrou uma outra criança cambaleante. Talvez tenha sorrido para a  menina, mas o rosto de um cadáver parece sempre sorrir... A menina  tentou abraçá-lo mas seus braços perpassaram o pequeno corpo sem ventre e  costelas à mostra. Foi quando o seu sorriso cessou e a alegria acabou. A  partir daquele momento tudo na casa passou a incomodá-la e a  perturbá-la, e ela nunca mais saiu da torre, nem olhou pela janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_9J5xAOskbI/TsmULcQ6XWI/AAAAAAAAAEg/ZZoydz7Z4hU/s1600/A+Menina.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-_9J5xAOskbI/TsmULcQ6XWI/AAAAAAAAAEg/ZZoydz7Z4hU/s1600/A+Menina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-2278063326016822952?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/2278063326016822952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/menina_20.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2278063326016822952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2278063326016822952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/11/menina_20.html' title='A Menina'/><author><name>António Corvo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041623740349386077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nFnM-ZMaRiQ/TscM7ThOXaI/AAAAAAAAAC0/BSvxIwGVRiM/s220/380794_2562485669378_1471170237_32865897_1296158796_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_9J5xAOskbI/TsmULcQ6XWI/AAAAAAAAAEg/ZZoydz7Z4hU/s72-c/A+Menina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-498644648677022286</id><published>2011-09-24T22:53:00.002-03:00</published><updated>2011-11-25T11:22:53.638-02:00</updated><title type='text'>Diários da Casa Verde V</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedi ao enfermeiro para me colocar na solitária, estava ficando violento, agressivo, irremediavelmente arredio. Violento no discurso, amargo nos comentários, distante demais das pessoas: já não era mais sociofobia, era misantropia, era mania de perseguição, perdição completa. Foram-se os parâmetros, sobrou a indiferença. Tornara-me pura e total intolerância. Já não me reconhecia mais em mais nada, e isso me irritava. Não foi esse o mundo que escolhi, não eram essas as pessoas que conheci, nada disso me importava. Tudo o que eu sabia se fora para sempre, todas as minhas referências abandonaram-me; foram-se todas as cores e todos os sonhos. O que ficara não me era mais familiar, também havia mudado, ou fui eu que mudei. Não queria mais nada daquilo; desejava uma grande, enorme página em branco e todo o meu tempo de volta. Minha vida é a história de meus sonhos contada de forma errada; nada faz sentido, nada é como eu planejara. Não vejo alegria em nada. Dou-me conta, hoje, de que, ela também, a alegria, ficou para trás. Tudo ficou para trás. Em algum momento virei à esquerda quando deveria ter virado à direita. Dali para frente, me perdi. Vejo o mundo cinza, de forma distante. Peço meia-dúzia de pães mas não sei o que quer dizer isso; estou no personagem de uma peça que não foi escrita para mim. No fundo, não sinto o desejo nem a vontade de realizar nada, porque este não sou eu. Às vezes sinto que não tenho alma, é como se tivesse morrido em algum ponto do passado mas, de alguma forma, meu corpo é animado e segue os dias vazios, vazio também. Faço consultas, tomo remédios, mas não sei o que isso quer dizer, não sei o que significa. Ando de carro, conheço o mundo, mas é um sexo que não é presencial, é oco, não faz sentido. Lembro de quando minha vida começou a se esvaziar: as pessoas indo embora, a alegria se ausentando, o sentido perdendo força, o espelho sem viço. Minha revolta e minha ira são imprecisas, é só um movimento espasmódico, talvez meu único movimento voluntário. Não, não é. E involuntário também, é contínuo. Não posso sair do labirinto, então tento destruí-lo, e nisso vai tudo o que está à minha frente. Ouço um pássaro cantar e me encanto com uma gota dependurada na pontinha de uma folha; que bela foto. Patética. Patético. Ver a beleza da sutileza é um esforço desmesurado que faço na tentativa de recuperar o que não tenho, o que não sou. A realidade é clara, tão clara, mas tão clara, que de tão clara é transparente e a trespasso. Sou cinza, preto e branco, e não me importo tanto assim. Um dia peguei uma foto minha quando criança, uma foto em preto e branco, envelhecida, de cores radiantes. Naquele tempo eu sorria como uma criança. Talvez tenha sido meu último sorriso de criança; depois, nem como adulto: era preciso disfarçar as perdas, as traições, os abandonos e os descaminhos. Confesso, não sei mais o que é sorrir como uma criança, há muito tempo. Sorrio como pego um ônibus ou leio um livro: não sei o que estou fazendo; tudo me parece uma grande perda de tempo, uma desesperança profunda, um caminho sem volta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou vazio, não há nada aqui. Sou a própria solitária num hospício abandonado. Todos os hospícios são abandonados, estão cheios de abandonados e, ainda assim, abandonados, vazios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. Carroll, posso ir?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leve Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-fK6LLCGJu8M/Tn6KdcztYJI/AAAAAAAABQw/yhbjruaKEss/s1600/AliceLewisCarrol.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="296" src="http://2.bp.blogspot.com/-fK6LLCGJu8M/Tn6KdcztYJI/AAAAAAAABQw/yhbjruaKEss/s400/AliceLewisCarrol.png" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-498644648677022286?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/498644648677022286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/09/diarios-da-casa-verde-v-solitaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/498644648677022286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/498644648677022286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/09/diarios-da-casa-verde-v-solitaria.html' title='Diários da Casa Verde V'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-fK6LLCGJu8M/Tn6KdcztYJI/AAAAAAAABQw/yhbjruaKEss/s72-c/AliceLewisCarrol.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4799017943157429739</id><published>2011-09-14T22:58:00.002-03:00</published><updated>2011-11-25T11:19:00.593-02:00</updated><title type='text'>Atropelamento e Fuga</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta terça-feira fui atropelado por um avião. Um acidente improbabilíssimo, como esse superlativo. É verdade, eu não estava na calçada, talvez a culpa tenha sido minha; além disso, andava desatento das coisas do mundo, pensava mais nas minhas próprias, perdia-me em picadas, caminhos e estradas que me levam a lugares que desconheço totalmente, porque aquilo que conheço já não me diz nada, já não traduz nada, já, nada. Sequer deu tempo de ouvir o som das turbinas, ferozes, pesadas, milagrosamente sustentando vidas em pleno ar, como fazem os escritores com seus personagens. Tampouco houve uma gritaria tão típica de prenúncios trágicos, ninguém me avisou de nada, não houve tempo; eles também perdiam-se em suas próprias vielas. Foi veloz, velocíssimo, como esse superlativo. Num segundo, o sol da tarde no céu claro, azulzíssimo, como a sua imaginação quiser, fazia iluminado o meu caminho, quase não precisei dos meus óculos tamanha a nitidez da realidade. Num outro, inesperado, tudo ficou mais escuro, mais nublado, mais... mas antes que este segundo se consumisse e se consumasse em si mesmo, tive tempo de olhar para o lado e pude ver, novamente com a clareza da realidade banhada de luz vespertina, uma sombra, mais veloz que ela mesma, deslizando por pedras, grama, calçada, paralelepípedos e outras vítimas, afastando-se do local do crime. O som das turbinas veio logo depois de eu ter sido atingido e ter percebido que fora atropelado, poeticamente, por um avião. E quais as chances de alguém ser atropelado poeticamente por um avião? Tem-se que estar no lugar certo, na hora certa, na velocidade certa e na direção exata para que o avião o encontre a certa altura do caminho - ou do voo: nada além de um problema de física daqueles que fazíamos nas escolas, mas com trens e, se bem me lembro, os trens se encontravam em algum lugar no meio do caminho... Eu, perplexo e imobilizado por ter sido parte de um evento de probabilidades infinitesimais, como pobre ser humano que sou, simbolizei. Simbolizei e filosofei sobre as coisas e sobre os eventos, os infinitesimais e os descomunalmente gigantescos que acontecem em nossas vidas e as mudam profundamente. Um milésimo de segundo teria feito toda a diferença. Na verdade, um milésimo de segundo fez toda a diferença. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-BGdjml1Q6hg/TnFbqyVElhI/AAAAAAAABQU/asF_X5YQIaQ/s1600/avi%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="253" src="http://4.bp.blogspot.com/-BGdjml1Q6hg/TnFbqyVElhI/AAAAAAAABQU/asF_X5YQIaQ/s400/avi%25C3%25A3o.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;crédito da foto: http://www.flickr.com/photos/neekohfi/5259832483/&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4799017943157429739?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4799017943157429739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/09/atropelamento-e-fuga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4799017943157429739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4799017943157429739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/09/atropelamento-e-fuga.html' title='Atropelamento e Fuga'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-BGdjml1Q6hg/TnFbqyVElhI/AAAAAAAABQU/asF_X5YQIaQ/s72-c/avi%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4778382654299363363</id><published>2011-06-08T17:40:00.002-03:00</published><updated>2011-11-25T10:04:44.609-02:00</updated><title type='text'>E o show era eu!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre tive um pouco de reserva quanto ao jeito carioca de ser que, por sinal, nunca adotei e não veio comigo na certidão de nascimento; sou um carioca circunstancial, não gosto sequer de praia. De certa forma, até admiro a carioquice alheia: são descontraídos, despreocupados, absurdamente desorganizados, desligados, preocupam-se quase que somente com as coisas boas da vida, enfim, são descolados (ainda se diz "descolado"?). O problema é que todo esse, digamos, desinteresse civilizatório, muitas vezes beira a total falta de educação: fura-se filas, joga-se lixo nas ruas, mata-se no trânsito por nada, desrespeita-se o vizinho... Nada disso é exclusivo do carioca, mas entra em choque com a fama de povo bonachão e simpático, com o mito de que, para o carioca, não tem tempo ruim, tudo está sempre bem, tudo e todos são sempre lindos, leves e soltos. Não sou um carioca da gema, limitei-me à clara, ou talvez apenas á casca. Ora, eu também tenho as minhas carioquices - provavelmente mais adquiridas do que natas, dada a convivência -: sou irreverente, detesto formalidades, não tolero protocolos, mas tenho o cuidado de não cruzar a fronteira do respeito, essa coisa que, diz-se por aí - não sou só eu -, já não mais existe em lugar nenhum. Talvez o carioca tenha desgastado tanto sua carioquice que não percebeu ter passado a barreira do comportamento inaceitável, julgando-o procedente, um mera fanfarronice inocente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, tenho que dar a mão à palmatória: esse desembaraço do carioca, essa vocação para a informalidade é, muitas vezes, divertida, e pega a gente de surpresa, a ponto de desarmar qualquer tromba de mau humor. Nesta segunda-feira, depois de sair do curso de italiano, fui almoçar no Plaza Shopping, em Niterói. Antes do almoço propriamente dito, arroz e feijão, frango e uma salada caesar, eu gosto de pedir, numa casa de produtos naturais, um pastel de forno e um copo grande de mate com limão diet, só pra instigar o apetite. Fui até o caixa, peguei a notinha com a menina e fui até o balcão fazer o pedido. Foi quando chegou o rapaz e não pensou duas vezes ao perguntar o que eu queria: "fala, show"! Eu não estava de mau humor nem nada, pelo contrário, estava até bastante tranquilo, quase feliz, talvez por causa do chapéu - agora uso um chapéu Panamá quando saio de casa - mas não teve jeito: a espontaneidade do funcionário conseguiu me arrancar um sorriso, apesar da total inconveniência e inadequação com o cliente, do ponto de vista empresarial, é claro. Qual o dono de qualquer negócio que iria achar muito conveniente o seu funcionário abordar o cliente com uma expressão do tipo "fala, show"? Só um carioca e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas. Eu, pessoalmente, não recrimino o funcionário, nem achei ruim a abordagem porque, como eu disse, eu também tenho as minhas irreverências e não acho que a dele tenha sido descabida. Foi um pouco desconcertante, quer dizer, você não espera, enquanto cliente, um "fala, show" e, no final das contas, foi de carioca para carioca, apesar de a cena ter se passado em Niterói, que, como todo mundo sabe, é praticamente um bairro do Rio. Não sei se é o caso de enveredar pela já desgastada querela entre a cultura popular e a cultura erudita, acho isso uma grande bobagem, cultura é cultura e estamos conversados, paciência. Inevitável: o jeito carioca de ser é irrefutável, morando no Rio de Janeiro ou adjacências, não adianta nadar contra a maré: a irreverência vai deixar você com as calças na mão. Talvez até literalmente! Ainda assim, seria tão bom se conseguíssemos resgatar a irreverência responsável do carioca, aquela liberdade respeitosa... Seríamos verdadeiramente uma cidade maravilhosa, e não apenas viveríamos a sua mitologia... Mais tarde, chegando em casa, vi-me no espelho do elevador e pensei: também, com esse chapéu, o que é que eu queria, um "pois, não, cavalheiro, em que posso servi-lo?" Fui eu mesmo quem pediu o "fala, show!" Ponto pro balconista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9WGEpZLN2YA/Ts-DeH5mmeI/AAAAAAAABX4/1O-oRJL7_mE/s1600/man-in-hat-md.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-9WGEpZLN2YA/Ts-DeH5mmeI/AAAAAAAABX4/1O-oRJL7_mE/s1600/man-in-hat-md.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4778382654299363363?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4778382654299363363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/06/fala-show-e-o-show-era-eu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4778382654299363363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4778382654299363363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/06/fala-show-e-o-show-era-eu.html' title='E o show era eu!'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9WGEpZLN2YA/Ts-DeH5mmeI/AAAAAAAABX4/1O-oRJL7_mE/s72-c/man-in-hat-md.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-6916636828668679699</id><published>2011-06-08T12:51:00.003-03:00</published><updated>2011-11-25T01:49:13.137-02:00</updated><title type='text'>Sobre Nós (Mas Não Apenas)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Mais além do aleatório, cabalmente perfunctório,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Somo aos tantos empilhados outros, teu amor reprobatório. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sou capaz e sou audaz de lançar-te ao breu mais denso,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Tu e esse teu imenso desapego a quem lhe quer,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Mal ou bem, mas, quer, mulher, meu maior desassossego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O amor, já me disseram, não deve rimar com dor, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Nem tão pouco com a flor que tu és mostrando o horror&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;De um perfume apodrecido dessas pétalas sem cor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Licor de amargo gosto que me leva ao estertor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Cama e lençol puídos, manhã sem nenhum frescor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Não faço do cansaço de teu maço de cigarros,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Nem da marca de batom deixada em porres nos gargalos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O motivo da repulsa e da recusa a ti, convulsa,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Expulsa da minha senda cuja prenda era tu,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Cabelo, pescoço, vulva, todo esse corpo nu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Atira-me ao mar, à deriva, faz-me perder o rumo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Essa tua inocência furtiva, falsidade que rasga e cliva,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Olhar de soslaio cigano que confunde e provoca engano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sem prumo, de ódio, espumo, desprezo e te quero mal,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Malandrina, malas-artes, malcriada; mulata malemolente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Quando faltas sobre a cama, sobre a mesa, sobre a pia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sobra a minha fantasia, que te cria e recria&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;No papel que têm as outras de estarem nuas noutras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Posições que não as nossas porque nessas nossas fossas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ninguém mais, só tu, me acossas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Mas parte se não te agrada como sói a todas elas, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ter tudo, rasgada a carne, mesada e cheias panelas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Pois não foste a primeira fêmea nem a última mulher&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A ser minha alma gêmea, a lamber, puta, a colher!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Fui teu, astuta, não nego, mas também dou-me a quem quiser!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-w6mpNVOCNz8/Ts8QMCwX5cI/AAAAAAAABXo/0mCcGXNzOH8/s1600/fimrelacionamentoG.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-w6mpNVOCNz8/Ts8QMCwX5cI/AAAAAAAABXo/0mCcGXNzOH8/s320/fimrelacionamentoG.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-6916636828668679699?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/6916636828668679699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/06/sobre-nos-mas-nao-apenas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6916636828668679699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6916636828668679699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/06/sobre-nos-mas-nao-apenas.html' title='Sobre Nós (Mas Não Apenas)'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-w6mpNVOCNz8/Ts8QMCwX5cI/AAAAAAAABXo/0mCcGXNzOH8/s72-c/fimrelacionamentoG.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-1825294410291977880</id><published>2011-03-23T14:46:00.002-03:00</published><updated>2011-11-25T01:05:53.300-02:00</updated><title type='text'>Malabarismos Poéticos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E lá estava eu, no metrô quando percebo um senhor falando alto e, aparentemente, sozinho, no vagão. Não dei muita importância, já que vovozinhos falando sozinhos no metrô não são incomuns, assim como eu mesmo falando sozinho no metrô não é nada incomum. Mesmo assim, a minha mente já estava se preparando para dar àquele senhor, que estava com um aspecto mais desleixado, calçando sandálias velhas, blusa social um pouco rota sobre uma bermuda cáqui também com seus dias contados, barba por fazer e um semblante de desinteresse e insistência automática pela vida, uma procedência européia, uma ascendência cigana e uma história de crimes de guerra e amores infiéis quando descubro, chegando ele mais perto de onde eu estava, seu verdadeiro propósito ali no metrô (mas a idéia de um senhor cigano fugido de guerra e de relacionamentos infiéis com filhos bastardos espalhados pelo Brasil e que em breve se juntariam numa épica busca pelo pai não foi abandonada): ele estava vendendo um livro de poesias, desses que a gente mesmo manda imprimir e que tem umas vinte páginas, no máximo. O nome do livrinho: Malabarismos Poéticos. O senhor falava sem parar, em ritmo lento, mas falava baixo, de forma que não pude saber se ele era o autor do livrinho. Dizia ele que o título do livro se explicava na medida em que seus poemas faziam malabarismos com as palavras, que o autor era um artesão de palavras, e citou uma trovinha bem interessante:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma canoa no rio,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma sardinha na brasa,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um cobertor para o frio,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um amor dentro de casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me lembrou muito os poemas simples mas fortes de Cora Coralina. Tive vontade de comprar o livro. À essa altura, como eu estava pensando em meu próprio livro de poemas, já comecei a tecer todo a tipologia fatalista possível para o surgimento do vovozinho poeta justamente naquele vagão e naquela hora, afinal, o universo gira ao meu redor, e aquela presença era, sem dúvida, um aviso, um sinal de que eu estava no caminho certo, e que meu destino era mesmo escrever. Mas também, confesso, fiquei com um pouco de dó do poeta. Mesmo sem saber se ele era o autor do Malabarismos Poéticos, na pior das hipóteses estaria ajudando alguém e se prestara a vender cópias xerox de poemas sabe Deus de quem ou de que qualidade no metrô, e isso, pelo menos para mim, já merece uma recompensa. Não digo que quem pede esmola não mereça ser ajudado, não é de nossa alçada julgar isso, mas, poxa, o senhor estava trabalhando, e como o seu aspecto já supunha alguma necessidade econômica, por que não ajudar? (mesmo que a gente saiba de casos em que milionários perambulam pelas ruas como mendigos, mas isso é um outro romance). Fiquei esperando ele dizer o preço do livrinho. A minha intenção era comprá-lo por um real, talvez dois, já estava preparado para pegar a carteira, mas então ele anunciou o preço de três reais. Na hora não achei que valia, afinal, não saberia o que estaria comprando de fato, quem era o tal senhor, nada. É verdade, um real de diferença não me faria mais pobre, mas, mesmo assim, hesitei. Provavelmente errei e fui vítima de um mal julgamento, me arrependi logo depois que o vovozinho saiu do metrô na estação Cinelândia. Já não se tratava mais de ter perdido a chance de ter comprado os poemas mais interessantes da história da literatura, era, agora, a chance perdida de ajudar alguém que, pelo menos aparentemente, precisava muito. Arrependi-me, e pronto. Os versos, entretanto, não me saíam da cabeça:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma canoa no rio,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma sardinha na brasa,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um cobertor para o frio,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;Um amor dentro de casa.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora também não me abandonava a idéia de não tê-lo ajudado por causa de um mísero real. E agora, quem poderia me ajudar? São Google, ora, como sempre! E lá fui eu para nosso Mágico de Oz contemporâneo em busca do vovozinho poeta. Surpresa: encontrei os versos sob títulos poéticos e autores diferentes!!! Um deles, Canção da Felicidade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;uma canoa no rio&lt;br /&gt;uma sardinha na brasa&lt;br /&gt;um cobertor para o frio&lt;br /&gt;muito amor dentro de casa&lt;br /&gt;felicidade sonhada e&lt;br /&gt;e só isso quase nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o ar e bom e um vale flor&lt;br /&gt;o por do sol e tudo amor&lt;br /&gt;a voz do pinho numa noite enluarada&lt;br /&gt;felicidade sonhada e só isso quase nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro site, encontrei Felicidade Sonhada, que seria uma música do cancioneiro popular português, gravado por Roseleide Farias e o grupo de chorinho de Cabedelo. A letra é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma canoa no rio,&lt;br /&gt;Uma sardinha na brasa,&lt;br /&gt;Um cobertor para o frio,&lt;br /&gt;E um amor dentro de casa.&lt;br /&gt;Felicidade sonhada é,&lt;br /&gt;É só isso, e quase nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao arredor, campos e flores,&lt;br /&gt;E um cavaquinho para o meu amor,&lt;br /&gt;Ao som de um pinho, uma noite enluarada,&lt;br /&gt;Felicidade sonhara é, é só isso e quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as surpresas não pararam por aí, veja esta versão do poema que recebeu o título de A Felicidade do Pau de Arara e que consta como tendo autor desconhecido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma canoa no rio,&lt;br /&gt;Uma sardinha na brasa,&lt;br /&gt;Um cobertor para o frio&lt;br /&gt;E o amor dentro de casa. &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta me pareceu uma versão mais próxima daquela declamada pelo senhor no metrô, e a dica foi a expressão "pau de arara", que é o nome pelo qual se chamam, nem sempre pejorativamente, os nordestinos, e, estando a expressão no título de uma poesia, aí mesmo é que não há nenhum desmerecimento, pelo contrário. Pareceu-me essa expressão uma boa pista porque o senhor do metrô tinha alguns traços fisionômicos mais próximos do nordeste brasileiro, mas não foi só isso. Mais intrigante foi o pedido que encontrei no site que abriga A Felicidade do Pau de Arara (http://www.veraviana.com.br/PDF-Jornal/julho,%20agosto%20e%20setembro-2001.pdf), que diz o seguinte: "gostaria de saber quem escreveu estes versos!... Se algum confrade puder informar, ficarei muito grata". Para um escritor, ou para quem não é escritor mas tem a imaginação a mil por hora e não sossega de invencionices, está criado o mistério perfeito! Será, então, que o autor dos versos é mesmo o senhor do metrô? Será que o título original do quarteto é A Felicidade do Pau de Arara? Ou será que, vindo do nordeste para o sudeste, e sabendo da música portuguesa, o autor pensou que bastaria mudar o título para apossar-se da autoria original do poema? Isso aconteceu há quase um mês e não voltei a encontrar o autor misterioso de Malabarismos Poéticos. Se alguém o encontrar no metrô do Rio, por favor, compre o livrinho e me avise, faço o reembolso, isso é o de menos. Poderemos até trocar uma boa prosa poética, poética e misteriosa, como toda poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JoE-16KjTxs/Ts8GDOfGBOI/AAAAAAAABXY/dm18wQ7jEVY/s1600/poesia2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="272" src="http://1.bp.blogspot.com/-JoE-16KjTxs/Ts8GDOfGBOI/AAAAAAAABXY/dm18wQ7jEVY/s320/poesia2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-1825294410291977880?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/1825294410291977880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/03/malabarismos-poeticos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1825294410291977880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1825294410291977880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/03/malabarismos-poeticos.html' title='Malabarismos Poéticos'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JoE-16KjTxs/Ts8GDOfGBOI/AAAAAAAABXY/dm18wQ7jEVY/s72-c/poesia2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4572065321617492824</id><published>2011-03-05T20:24:00.003-03:00</published><updated>2011-11-24T23:46:34.505-02:00</updated><title type='text'>i-São Longuinho</title><content type='html'>São Longuinho é igual ao Google: se não encontrou é porque não existe. Ou não está mais neste plano existencial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Xa9kbmvy44o/Ts7zcG7ag-I/AAAAAAAABXQ/XtZtzYLG01k/s1600/S%25C3%25A3o+Longuinho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="185" src="http://3.bp.blogspot.com/-Xa9kbmvy44o/Ts7zcG7ag-I/AAAAAAAABXQ/XtZtzYLG01k/s400/S%25C3%25A3o+Longuinho.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4572065321617492824?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4572065321617492824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/03/da-serie-novos-ditados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4572065321617492824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4572065321617492824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/03/da-serie-novos-ditados.html' title='i-São Longuinho'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Xa9kbmvy44o/Ts7zcG7ag-I/AAAAAAAABXQ/XtZtzYLG01k/s72-c/S%25C3%25A3o+Longuinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-1215039327672878005</id><published>2011-02-27T14:50:00.002-03:00</published><updated>2011-11-24T19:33:06.801-02:00</updated><title type='text'>Desapegando</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há muito tempo venho tentando levar um estilo de vida minimalista ou, como preferem muitos, um estilo &lt;i&gt;clean&lt;/i&gt;. O minimalista é aquele que tenta se desapegar ao máximo de tudo o que é material, principalmente o que é supéfluo, resultado da satisfação irracional do desejo inconsciente de consumo desnecessário. Muita gente, aliás, acha que minimalismo é só um nome chique para falta de grana. Bom, muitas vezes não deixa de ser... Mas nem sempre foi assim. Como todo jovem normal, atropelado diariamente pelos apelos consumistas subliminares que nos assaltam a cada esquina, a cada intervalo comercial, eu também já enchi meu quarto e minha casa de todo o tipo de quinquilharia inútil, desde as mais caras - que antigamente eram os invejáveis "importados", que nossos parentes ricos traziam dos Estados Unidos - até as mais baratinhas, bobagens de plástico que vinham como brinde em revistas infantis. É claro que isso nem sempre está associado à propaganda brutal das mídias que nos frustram interrompendo ótimos documentários, filmes e desenhos animados. O consumo desenfreado já foi, inclusive, catalogado como uma desordem mental, uma compulsão chamada oneomania, muito séria e que traz muitos problemas ao oneomaníaco. Outras vezes, as compras são um recurso com o qual pretendemos preencher vazios emocionais e que, por não conseguirem preenchê-los, acabam se transformando numa bola de neve. Quando, então, decidi levar um estilo de vida mais &lt;i&gt;clean&lt;/i&gt;, mais responsável, mais saudável - e eu me pego pensando, algumas vezes, se isso também não foi a compra de uma idéia -, me vi diante de um problema prático que me consumiu por um bom tempo da minha vida: o que fazer com tanta tranqueira? Muita coisa foi parar em orfanatos, bibliotecas públicas, viraram doações para quem quisesse, enfim, foram dadas. Outras, com o advento da internet, foram parar no Mercado Livre. É, eu sei, antes do Mercado Livre existia o Jornal Balcão, acho até que ainda existe, mas nunca pensei em vender minhas tralhas dessa forma, distante, fria; muitas delas tinham um componente emocional que não só me impediam de me livrar delas como me impossibilitavam de dá-las a qualquer um. E algumas coisas foram ficando comigo, emocionalmente presas. Mesmo eu querendo me livrar muito delas, sentia que iria me arrepender depois, ou que era uma traição emocional com quem as havia me dado. Foi quando vi a capa da última edição da revista Vida Simples, uma revista que fala de bem estar, qualidade de vida, conscientização, responsabilidade social, preservação do meio ambiente, meditação, enfim, uma revista cuja intenção, me parece, é reeducar nossas mentes, nos centralizar e harmonizar com o caos que é a vida contemporânea. A matéria de capa da revista era justamente essa questão do desapego, das tranqueiras que temos em casa e guardamos durante décadas sem nem saber, muitas vezes, que guardamos, donde, numa arrumação de fim de férias, por exemplo, nos pegamos exclamando: "nossa, isso ainda existe"? É, muitas vezes é uma boa recordação, mas, ainda assim, é um entrave. A questão que a revista coloca é bem simples: por que guardamos coisas? Quais devem ser guardadas? Por quanto tempo? Segundo a repórter, que vivenciou essa experiência do desapego, o que torna essa postura difícil é justamente a etiqueta emocional que insistimos em dar a elas. Já perdi a conta de quantas vezes quis me livrar de uma coisa, seja por doação, seja vendendo, e uma série de flashbacks de que fazia parte o objeto ameaçaram julgar-me como a pior das criaturas: frio, calculista, alguém que não se importa com o sentimento dos outros, sociopata (nessa até que passaram perto). Há, na reportagem (http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/0102/grandes_temas/desapego-raca-615380.shtml), uma série de técnicas para quando lidamos com esse tipo de resistência emocional. E tem gente que leva isso muito a sério, como a americana Gail Blanke, que escreveu o livro Jogue Fora 50 Coisas, lido pela repórter da Vida Simples e que, de fácil, como o título pode sugerir, não tem nada! Fico imaginando em que momento da vida das pessoas o próprio Jogue Fora 50 Coisas será, ele também, jogado fora... A matéria é interessante. Não tem o aprofundamento que eu acho que deveria ter, fica muito restrita à experiência da jornalista; parece muito mais uma postagem de um blog pessoal do que uma matéria, mas, ora, nisso não reside nenhuma crítica às postagens em blogues e, como foi a primeira vez que parei para ler realmente uma matéria da Vida Simples, pode ser que o próprio perfil da revista seja esse tipo de texto, o que é válido até certo ponto. De qualquer maneira, "Desapego na raça", título da matéria da Liane Alves, é bacana, até porque reportagem nenhuma de revista nenhuma vai dar soluções aos nossos problemas ou nossas questões interiores: ela vai apontar caminhos, dar umas dicas e pronto, o resto fica por conta da gente. Mas, como vocês sabem, sou mais neurótico que o Woody Allen, e a matéria que parecia lançar luz a meus conflitos de desapego acabou gerando mais conflito. Na visão de Blanke, o valor emocional é um problema; entretanto, já vi vários outros autores, filósofos e guias espirituais darem uma grande importância aos nossos sentimentos, a toda aquela história de ouvir o coração e papos Disney afins. Se formos por esse lado, então, ao jogarmos fora coisas a que estamos ligados emocionalmente passamos a cometer uma violência contra nós mesmos! Veja, numa postagem minha anterior a essa e bem recente, o caso de um brinquedo que acabei doando e que hoje, ao encontrá-lo na internet, me arrependo ou acho que me arrependo de tê-lo dado. E agora? Qual o diagnóstico? Arrependimento? Questões emocionais e psicológicas do passado cuja representação são esses objetos que conservamos com a gente e que são, no fundo, um lembrete permanente da nossa mente a nós mesmos sinalizando que algo precisa ser resolvido internamente? Ou será que sinalizam que algo já foi resolvido internamente e que precisamos seguir em frente ao invés de nos agarrarmos a certezas e zonas de conforto do passado? Eu acho que consegui algum progresso - se é que tudo não passa de um grande equívoco do qual vou me arrepender mais tarde, se bem que, com quase quarenta anos, isso de me arrepender mais tarde também já está ficando relativo... - em relação ao desapego que desejo tanto praticar e que já venho praticando. Muita coisa eu de fato dei, vendi, joguei fora ou digitalizei - muitas imagens e cartas podem ser digitalizadas, driblando a tal etiqueta emocional. Dessa forma, livra-se do que não se quer mais e, ao mesmo tempo, mantêm-se as lembranças de uma forma mais otimizada, mais &lt;i&gt;clean&lt;/i&gt;, ainda que isso suscite outro questionamento filosófico muito recorrente nesse tipo de situação: a imagem do objeto, a representação do objeto, até que ponto substitui esse objeto? Jogou-se fora uma carta que foi digitalizada. Muito bem. E agora? Ainda temos a carta ou apenas perdemos tempo tentando nos enganar? Se a memória da carta é mais importante do que a própria carta, que se transformara num gatilho para a memória, então, tudo bem, a digitalização procede. Mas, por outro lado, a carta digitalizada não tem status de objeto que, depois que dele nos livramos, passou simplesmente a não existir mais, e isso gera um luto, mais uma perda com a qual temos que lidar e que nós mesmos originamos. Isso tudo sem mencionar a questão histórica, documental, que alguns de nós levam em consideração. O passado pode ser revivido de diversas maneiras, uma delas, pelos objetos que se mantiveram no presente. Ora, se não não há mais o objeto, então, será que houve uma história? A memória de uma história é suficiente para provarmos a nós mesmos que nós vivemos aquela história? Eu tenho muito pouca coisa do passado, não só por causa da minha postura conscientemente minimalista, como também por achar que muito do meu passado, em termos de aquisição material e memorial, foi, ou equivocado, ou fruto de uma teimosia besta, ou desnecessário, enfim, foi influenciado de alguma forma que, na época, fez sentido e que agora, conhecendo um pouco mais de mim mesmo, vejo que não faz mais sentido algum. Ficaram pouquíssimos objetos pessoais que cabem num daqueles organizadores de plástico transparente que se vendem em lojas de utilidades. Meu, hoje, tenho apenas roupas, livros e alguns poucos estojos de CDs, contendo filmes e músicas importantes para mim e, mesmo assim, esses filmes e músicas são a raspa do tacho, porque o que eu podia - ou tive paciência - para baixar na internet eu baixei, aposentando os CDs. Lembram quando a gente comprava discos, e depois CDs, por causa de uma ou duas músicas que eram mais divulgadas nas rádios e na TV? Pois é, me livrei de quase todos eles. Se eu pusesse tudo o que tenho em cima de uma mesa, as pessoas diriam que eu sou um desabrigado ou um flagelado. Tenho uma pasta com documentos e uma mochila para guardar meu notebook, uma máquina fotográfica e uma filmadora. E só. Quando digo só, estou dizendo só coisas pessoais, que considero minhas, importantes. O resto, como lâmina de barbear, escova de dentes, pratos, talheres, coisas que pertencem muito mais à casa e não ao morador, por exemplo, isso não considero meus, arruma-se em qualquer lugar e, além de serem descartáveis, fazem mais parte da decoração do que da história de vida de alguém. Mas estou feliz com esse pouco, me sinto mais leve, mais livre. Ainda tenho uma vontade latente de me livrar de quase tudo, guardando apenas os livros, as músicas e os filmes, e muito menos do que trouxe de outras épocas, que já é bem pouco. Às vezes acho que se conhecesse alguém que quisesse essas traquitanas não teria mais nada, porque daria de bom grado, embora acho difícil que alguém fosse querer aquilo. E nem adianta imaginarem se há alguma coisa de valor que vocês podem receber generosamente. Já fui na internet e não tenho nada raro que valha milhões nem tenha milhões de anos e eu inocentemente nunca tenha percebido. Talvez um dia eu faça uma lista com todos do que tenho e acho que quero me livrar. Ah, sim, tenho um busto de Atena em cima da estante de livros, talvez a minha única peça de decoração, que comprei há muitos anos, muitos antes de sequer imaginar que iria me formar em Letras e aprender latim e grego. Além de ser muito representativo onde está, o busto de Atena me faz lembrar de Poe, que coloca sobre um mesmo busto, em seu poema O Corvo, o próprio, a repetir: "nunca mais". De certa forma tudo parece estar ligado e, pensando agora sobre isso, talvez toda a tralha da qual tenha me livrado seja justamente o que nunca esteve ligado ao meu destino, ou às minhas aspirações, ou aos meus caminhos que, portanto, devem mesmo ser &lt;i&gt;clean&lt;/i&gt;, leves, até porque não vamos levar nada mesmo no dia em que batermos as botas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-1MFh1Wd3Etg/TWqKHSs9q4I/AAAAAAAABMg/M8TACEtbmxE/s1600/ApartmentCleaning.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="https://lh5.googleusercontent.com/-1MFh1Wd3Etg/TWqKHSs9q4I/AAAAAAAABMg/M8TACEtbmxE/s400/ApartmentCleaning.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Meu único sonho de consumo: uma vida de desapego.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-1215039327672878005?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/1215039327672878005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/so-o-basico-ou-quase.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1215039327672878005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1215039327672878005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/so-o-basico-ou-quase.html' title='Desapegando'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-1MFh1Wd3Etg/TWqKHSs9q4I/AAAAAAAABMg/M8TACEtbmxE/s72-c/ApartmentCleaning.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-6015060927275824887</id><published>2011-02-27T13:04:00.004-03:00</published><updated>2011-11-24T18:48:56.639-02:00</updated><title type='text'>De Dragões e Serpentes Marinhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cismei de ler a Época desta semana e tive uma ótima surpresa: uma pequena nota sobre as novas espécies de peixes descobertas no Brasil recentemente. Além de escritor e, recentemente, achar que sou fotógrafo, sempre fui biólogo, entre outras coisas: matemático, engenheiro, médico, historiador, cineasta, psiquiatra, advogado, etc., etc. Não, não é um caso de distonia do ego ou transtorno de personalidade, é que, para sermos escritores, é preciso que sejamos um pouco de tudo, porque escrevemos sobre um pouco de tudo, e isso exige um mínimo de conhecimento da área sobre a qual nos metemos a falar. Então, é muito difícil uma notícia com ares de cultura geral ou do tipo "você sabia?" não chamar minha atenção. E hoje, na Época, o que me chamou a atenção foi um dragão, e um dragão de verdade, em carne, osso e escamas! (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI214134-15224,00.html) O dragão, como é conhecido em águas brasileiras, é um peixe raríssimo e que quase ninguém conhece, mas que fez parte de uma pequena lista de peixes brasileiros pouco conhecidos (existe isso de peixes brasileiros? Peixe não tem certidão de nascimento, como é que a gente se refere aos animais que só existem em determinados lugares?) publicada pela revista. Acho simplesmente notável que nós não tenhamos a menor idéia de com quantas espécies convivemos no planeta. Descobrem-se novas espécies de todo o tipo de animal em todas as partes do mundo a todo o momento, o que me faz reforçar a idéia de que julgar peremptoriamente que um dragão, ou uma serpente marinha, ou um unicórnio e até um cavalo como o Pégaso não tenham existido, apesar de a existência de todos esses mitos estarem baseadas na descoberta, por povos antigos, de fósseis de dinossauros, por exemplo, é, no mínimo, precipitada. Ou então sou só eu mesmo que fico procurando chifre em cabeça de cavalo. Do jeito que a coisa vai, quem sabe um dia eu acho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-qitN5wVn7qA/TWpye1kmeII/AAAAAAAABMQ/moRjJE8I6Y0/s1600/Drag%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="293" src="https://lh4.googleusercontent.com/-qitN5wVn7qA/TWpye1kmeII/AAAAAAAABMQ/moRjJE8I6Y0/s400/Drag%25C3%25A3o.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Aí está o &lt;i&gt;Trachypterus jacksonensis&lt;/i&gt;. É óbvio que, se um pescador grego no mediterrâneo há mais de dois mil anos visse um bicho desse agarrado no seu anzol, largaria caniço e samburá e voltaria rapidinho para a terra, inaugurando o mito das serpentes marinhas! Palavra estranha essa, samburá, não? É de origem tupi, significa pequeno cesto. Quem me disse foi o Houaiss.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-ZhkmhzcgPAo/TWp0RQ_TkyI/AAAAAAAABMY/OhVB75ZRwuA/s1600/Soe_Orm_1555.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="192" src="https://lh3.googleusercontent.com/-ZhkmhzcgPAo/TWp0RQ_TkyI/AAAAAAAABMY/OhVB75ZRwuA/s400/Soe_Orm_1555.jpg" width="400" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-ilOUwGLD_K8/TWp0P-kpKmI/AAAAAAAABMU/rByP_ltqlWY/s1600/Sea_serpent1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt; &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-ilOUwGLD_K8/TWp0P-kpKmI/AAAAAAAABMU/rByP_ltqlWY/s1600/Sea_serpent1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="258" src="https://lh3.googleusercontent.com/-ilOUwGLD_K8/TWp0P-kpKmI/AAAAAAAABMU/rByP_ltqlWY/s400/Sea_serpent1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-_wvLpZb5UmQ/TWp0a-CdTBI/AAAAAAAABMc/Qsw_MK_NzqU/s1600/2mm7nlv.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="https://lh3.googleusercontent.com/-_wvLpZb5UmQ/TWp0a-CdTBI/AAAAAAAABMc/Qsw_MK_NzqU/s400/2mm7nlv.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Acima, três flagrantes da construção de um mito. Nas duas primeiras ilustrações, relatos medievais de serpentes marinhas muito divulgados por alguns marujos europeus que não estavam com a menor vontade de levantar cedo naquele domingo para descobrir o Novo Mundo, usados como desculpa para ficarem em casa. Na foto logo acima, uma típica história de pescador: o, também raríssimo, peixe-remo, também conhecido como &lt;i&gt;Mythoictius Photoshopensis&lt;/i&gt;.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-6015060927275824887?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/6015060927275824887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/posta-de-dragao-vai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6015060927275824887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/6015060927275824887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/posta-de-dragao-vai.html' title='De Dragões e Serpentes Marinhas'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-qitN5wVn7qA/TWpye1kmeII/AAAAAAAABMQ/moRjJE8I6Y0/s72-c/Drag%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-3419218786803296503</id><published>2011-02-27T02:01:00.005-03:00</published><updated>2011-11-24T18:45:14.323-02:00</updated><title type='text'>Assis, Valente!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejam vocês como são as coisas, já dizia o velho Tirésias naqueles tempos... Hoje estava ouvindo rádio no carro quando resolvi trocar de estação. Normalmente escuto CBN ou BandNews, porque de música ruim todas as estações estão cheias, e o meu saco também, então prefiro ficar pelo menos atualizado. Não lembro, entretanto, se era uma destas duas estações a que eu ouvia quando decidi mudar para uma outra qualquer. Não escolhi nada premeditadamente, foi uma evento totalmente aleatório, e o botão me levou para a FM 94,1, que descobri agora ser a Rádio Roquette Pinto, uma rádio, hoje, que pertence ao Estado do Rio de Janeiro e que foi, antes, a primeira rádio do Brasil, a Sociedade Rádio do Brasil. Roquette Pinto foi quem inaugurou a rádio: médico, botânico, antropólogo, escritor... sabe aqueles caras do século passado que, por falta de televisão e internet, se dedicavam a ser simplesmente geniais? Roquette Pinto era um desses caras. Não vou colocar a biografia dele aqui, na Wikipédia tem, queria só que vocês ligassem o nome à pessoa, nem que seja no básico do básico. Pois bem, a programação da Roquette Pinto é aquela programação feita para poucos, poucos que se interessam não só por boa música, dessas que ninguém mais faz hoje, e pela história da música e da cultura brasileiras. Só para vocês terem uma idéia, na programação da rádio, disponível em www.fm94.rj.gov.br, há programas como Choro, Chorinho e Chorão; Nossa Raíz; Concertos UFRJ; Rádio Memória; Eles Têm História pra Contar, entre outros, como Tempo de Jazz; Vai dar Samba e Rádio Baile. Pois é, como eu disse, é uma rádio para poucos, mas, que fique claro, que esse "poucos" não é sinônimo de elite, porque, por exemplo, se tem alguém aqui que não é elite, esse alguém sou eu! Além disso, bom gosto e sensibilidade nunca estiveram presos à nenhuma classificação sócio-econômca distinta. Portanto, para "poucos" que dizer "aqueles que têm uma paciência enorme e uma curiosidade mais resistente do que os chiados que as antigas bolachas faziam nas vitrolas e que a Roquette Pinto reproduz em vários dos seus programas, o que é absolutamente fantástico e não tem preço"! E foi nessa estação de rádio que fui parar hoje sem querer. Conferindo a grade da programação no site, acho que, pela hora, entre meio-dia e uma da tarde, peguei o meio do Eles Têm História pra Contar que, por causa da época do ano, falava sobre músicas antigas de Carnaval. E põe antiga nisso: composições da década de 30, composições que, pra quem gosta de samba, mas samba de verdade, de raiz, samba carioca, de bamba, de malandro gente fina, de morena frajola, com letra de conteúdo, não essas bobagens de hoje que tem quem tenha a coragem de chamar de samba, pagode e partido alto, são um verdadeiro tesouro. Como eu sempre gostei desse tipo de música, fiquei escutando algumas composições daquela época, e olha que eu nem gosto de samba tanto assim - talvez porque tenha sido raro eu ter escutado samba de verdade. Enfim, o programa de hoje era um especial sobre as composições de Assis Valente. Conhece? Nem eu, mas fui a ele apresentado hoje, durante as explicações do locutor sobre sua vida - não sei quem era o apresentador do programa - e, mais tarde, também pela wikipédia. Assim como o Roquette, Assis Valente era inteligentíssimo, de vários talentos, inclusive o de protético e desenhista, e que, como todo artista sério que se preze, tinha problemas familiares, emocionais e psicológicos severos. Embora tenha sido um compositor incrível, Valente teve uma vida bastante tumultuada, usando um termo mais gentil. Tentou suicídio três vezes, conseguindo acertar na terceira. Eu ia atravessar a primeira galeria do Rebouças quando o locutor ia falar dos tais problemas psicológicos do Valente, de forma que o sinal ficou péssimo e eu só voltei a ter notícias do compositor entre a primeira e a segunda galeria, muito rapidamente, com a informação de que ele tinha se jogado do Cristo Redentor e, pasmem, não morrera!!! Ficou preso nas árvores que não o deixaram cair além dos 70m que tinha conseguido antes de ser "salvo" por elas. Depois da segunda galeria do túnel, o mais interessante da vida de Assis Valente já tinha sido contada pelo apresentador, restando-me apenas ouvir na voz de Carmem Miranda e do próprio Valente, pérolas como o "Té Já", "Recenseamento", "Minha Embaixada Chegou" e "Maria Boa". São músicas, pra quem não está acostumado, diferentes de tudo: têm qualidade na rima, no conteúdo, na ironia, na emoção, na imaginação, na criatividade. É preciso ouvir Assis Valente, não só pelas suas composições, mas também porque, nas suas letras, estão descritas todas as boas memórias de um Rio de Janeiro que sabia o que é brincar o Carnaval sem violência, sem baixaria (ou tanta baixaria assim), sem trio elétrico, sem falta de respeito, com tranquilidade, eu diria até com um prazer genuíno mesmo, tão característico da própria época. São letras que falam de morros sem tráfico, sem mortes; que falam de uma outra vida carioca, de um outro espírito das ruas do Rio de Janeiro, um Rio do João do Rio e das crônicas da Alma Encantadora das Ruas do Rio, um Rio profundamente ingênuo, ou, melhor, feliz, sem estresse, sem neuroses, um outro Rio que já foi, mas que é preciso lembramos que existiu. E tudo isso por causa de uma simples mudança de estação. Como são poderosas as pequenas mudanças, como são imprevisíveis os caminhos a que a intuição nos leva (ou uma música imbecil que nos faz trocar de estação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O Dinheiro que eu ganho &lt;/i&gt;(Assis Valente)&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="div_letra" tabindex="-1"&gt;O dinheiro que ganho&lt;br /&gt;Não dá pra ficar no meio da rua&lt;br /&gt;Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá&lt;br /&gt;O dinheiro que ganho só dá pra viver&lt;br /&gt;No meu barracão, sentado no chão&lt;br /&gt;Comendo de mão farinha, feijão&lt;br /&gt;Olhando a cabrocha mexendo o legume&lt;br /&gt;Pra não azedar&lt;br /&gt;O dinheiro que ganho ...&lt;br /&gt;Se fico na rua lá vem um amigo&lt;br /&gt;E eu sou obrigado a lhe convidar&lt;br /&gt;Tomar um traguinho, bater um papinho&lt;br /&gt;Dar uma voltinha pro tempo passar&lt;br /&gt;Depois do passeio, lá vem o jantar&lt;br /&gt;E também o café&lt;br /&gt;Lá se vai meu dinheiro&lt;br /&gt;E eu vou pro Salgueiro a pé&lt;br /&gt;Meu dinheiro não dá&lt;br /&gt;O dinheiro que ganho ...&lt;br /&gt;Se fico na rua lá vem um amigo ...&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assis Valente deixou uma nota de suicídio e, por causa dela, a&amp;nbsp; certeza de que, entre tantos talentos, morreu escritor, morreu poeta: "&lt;i&gt;Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos, e de tudo.&lt;/i&gt;"&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-cPlMeW0WQQU/TWnaLJQU1TI/AAAAAAAABMI/QQbRKa0Xkuw/s1600/Assis.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="https://lh6.googleusercontent.com/-cPlMeW0WQQU/TWnaLJQU1TI/AAAAAAAABMI/QQbRKa0Xkuw/s400/Assis.jpg" width="307" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Assis, Valente! (1911 - 1958)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-3419218786803296503?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/3419218786803296503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/muito-prazer-assis-valente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3419218786803296503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3419218786803296503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/muito-prazer-assis-valente.html' title='Assis, Valente!'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-cPlMeW0WQQU/TWnaLJQU1TI/AAAAAAAABMI/QQbRKa0Xkuw/s72-c/Assis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4620384182553639645</id><published>2011-02-27T00:47:00.001-03:00</published><updated>2011-11-24T18:37:52.214-02:00</updated><title type='text'>Infância (quase) Recuperada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa eu contar uma história pra vocês: há muito, muito tempo, quando eu era criança e os dinossauros caminhavam sobre a Terra, e corria-se para sacar dinheiro no banco antes das 16h de uma sexta-feira, caso contrário só se teria dinheiro na segunda-feira seguinte, numa época em a gente colocava fichas de chumbo com a marca da Telerj nos orelhões - porque era mais fácil comprar um apartamento e um carro na garagem do que um telefone -, quando não existiam sequências cinematográficas e se você perdesse um episódio de seu seriado favorito, não tinha isso de videocassete pra ver quando quisesse, muito menos baixar na internet pra guardar no pendrive e assistir no notebook; quando, aliás, a maior capacidade de armazenamento de dados era uma fita k7, eu tive um daqueles momentos que o cinema costuma eternizar como os mais tristes e marcantes na vida de uma criança. Não, na verdade, nem tanto, tanto que sobrevivi psicologicamente intacto (?), mas eu sou dramático assim mesmo. Eu estudava no Colégio Palas, quando ele era um colégio preparatório para se entrar no Colégio Militar - sim, eu já quis ir para o exército; não, na verdade fui levado a pensar que queria entrar para o exército. Dá pra imaginar um lugar mais inapropriado para mim? Enfim, vivia eu os dias da minha quarta série, o que vocês hoje chamam de quinto ano do ensino fundamental, quando, num desses dias de maior carência emocional, quis levar uns brinquedos de que eu gostava muito para o colégio. Pois é, naquele tempo, as crianças da quarta série levavam brinquedos para o colégio, e não celulares como hoje em dia. Naquela época, as crianças eram crianças, e não os pretensos adultos mal formados e de infância precocemente abandonada dos dias de hoje. Pois, naquele dia, cometi o terrível erro de levar os tais brinquedos para o colégio. Que brinquedos eram esses? Quatro bonecos de plástico rígido, não articulados (bonecos de ação articulados ainda eram raros, e caros), de uns 10cm de altura, ou menos: o lobisomem, o drácula, o frankenstein e uma caveira que deveria ser a caveira de Napoleão, porque tinha a mão direita nas costelas e usava um chapéu preto idêntico àquele pelo qual também ficou iconograficamente famoso o ditador baixinho. Pois bem, estava eu, como de costume, brincando na aula (não me perguntem como consegui sair dali para o doutorado que faço hoje em literatura!), como era costume, e esse costume depois virou simples falta de atenção e uma inclinação irresistível para ficar imaginando milhões de coisas sobre os mais diversos assuntos nas aulas, menos em relação às matérias dadas em sala - por isso, talvez, a facilidade para a profissão de escritor, quando, de repente, do nada, sério!, do nada, a diretora apareceu em sala e me tomou os bonecos. Pode ter sido por causa do trauma eu ter esquecido como foi todo o processo de inserção da diretora em sala até o momento em que eu fiquei sem meus bonecos, mas, que eu me lembro de ter sido assim, me lembro, tipo, Ha!, e a velha sai de uma cortina de fumaça, rouba meus brinquedos e some deixando atrás de si apenas o ecoar de uma risada malévola. Foi nesse dia também que eu disse à professora de português que a palavra "açúcar" não tinha acento, porque não tinha feito o dever e, quando ela perguntou pra mim se mais alguma palavra da lista tinha acento, não fazia a menor idéia de que palavras tinham ou não acento, daí chutei "açúcar", que, obviamente, tem acento. "Tem certeza"?, ela me perguntou. "Tenho", disse com a maior cara de pau do mundo e com um desespero maior ainda de estar falando bobagem. Peraí, será que foi por conta disso que a diretora foi chamada em sala? Será que eu estava brincando com os monstros clássicos do cinema ao invés de prestar atenção na ortografia? Ou será que... Ah! Já sei!!! Lembrei! - É sério, lembrei em tempo real mesmo!!! Foi a professora que me tomou os bonecos e depois, no final da aula me mandou para a diretoria!!! A dúvida está se os bonecos foram comigo para a sala da diretora. Lembro-me claramente de eles sendo colocados numa gaveta, mas não sei se era a gaveta da professora ou da diretora. Bom, agora não importa mais, porque eles nunca me foram devolvidos. Verdade! Indo contra todos os princípios pedagógicos, didáticos, éticos e morais da escola, não me devolveram os meus brinquedos. Por que não pedi de volta para a professora? Bom, eu sempre fui muito tímido, não era bom com isso de confrontar as pessoas e, de qualquer maneira, aqueles eram outros tempos, em que criança não tinha muita vez não, como hoje, se bem que hoje tem vez de mais até... E por que estou contando isso? Só porque escrever sobre nossas lembranças traumáticas, ou expressá-las de outra maneira qualquer, é absolutamente saudável e recomendável por 10 entre 10 terapeutas razoavelmente sérios? Também. Tira um peso que vocês não fazem idéia. Mas não foi só por isso que escrevi, queria compartilhar algo que aconteceu hoje comigo e que só foi possível graças à internet e ao São Google: achei os bonecos!!! O quê? Não é possível! É sim, achei! Bom, não digo que sejam exatamente os mesmos bonecos que me foram, como é que eu posso dizer isso com elegância sem me desviar da verdade... compulsoriamente desapropriados, mas achei três deles num site de brinquedos raros: o frankenstein, de que eu mais gostava, o drácula e o lobisomem. O site é esse aqui: http://www.brinquedosraros.com.br/pdetail.php?id=413 (neste link já vem a foto do frankenstein). Valor dos bonecos: R$ 72,00 cada! O drácula já foi vendido, ficaram o lobisomem e o frankenstein, que eu estou pensando muito seriamente em comprar. Não tenho coragem de dar toda essa grana só pra reviver algo traumático, embora essa experiência possa enterrar mais esse episódio em aberto da minha infância, mas, convenhamos, são R$ 72,00! Por enquanto vou ficar com as fotos que baixei. Além disso, não tem como saber se aqueles foram mesmo os bonecos que eu tive. Eu tenho quase certeza, quero ter essa certeza, preciso dessa certeza, ah, que falta faz uma terapia de regressão! A Gulliver (descobri que a fábrica que fez os bonecos foi a Casablanca, que eu não conhecia, em parceria com a Gulliver, que eu nem sei mais se ainda existe) não produziu os brinquedos apenas no Rio de Janeiro, ou produziu e eles foram parar em São Paulo. Ainda estou na dúvida sobre o vampiro e o lobisomem, mas aquele frankenstein era o meu!!! Ou será que, pelo fato de eu gostar mais dele... Ih, peraí... para tudo! Eu me lembro de, bem mais velho, dar o frankenstein para um orfanato junto com outros brinquedos antigos... Eu fiquei com ele de recordação durante muitos anos. Mas aí o problema é maior ainda: se eu guardei comigo o frankenstein, porque não guardei os outros bonecos? Será que a professora ou a diretora me devolveram só um? Será que eu fui me livrando dos outros bonecos aos poucos e ficou só o que eu mais gostava e, porque era esse o de que eu mais gostava, criei toda essa fantasia de que não me devolveram os brinquedos? De qualquer maneira, reencontrei um brinquedo cujas chances de ser reencontrado eram mínimas, porque não sabia como descrevê-lo no google, nem qual era a fábrica, nem nada, só a descrição física, que foi, aliás, pela qual cheguei até eles. Isso é o que mais importa, eu revi três dos quatro, ou cinco, se contarmos com a múmia que eu acho que chegou a existir também, depois de uma separação que, obviamente, foi traumática. Às vezes eu queria ser menos perturbado, apesar de a graça toda residir aí... Talvez eu compre o frank, mas, e se não for o meu frank? Tenho uma cisma com esse negócio de estar com as coisas dos outros, pricipalmente quando eu não faço a menor idéia de quem sejam os outros... Acho que vou comprar! Vou sacrificar O Tempo e a Narrativa, do Paul Ricoeur, pelo frank, o que, aliás, seria bastante irônico, não?, dadas as circunstâncias, sacrificar o tempo e a narrativa em prol de algo que, com o tempo, produziu uma narrativa. Mas aí o ideal seria também comprar o livro para servir de lembrança de todas as circunstâncias do reencontro e do momento em que eu readquiri o motivo de toda essa catarse? Agora fiquei na dúvida, aflito e ansioso, inclusive com a possibilidade de alguém comprar o frank na minha frente, que eu nem sei se quero, até porque estou vivendo um momento conscientemente minimalista, zen e de desapego material, embora o frank seja muito mais do que um bem material, é uma corporificação de uma lembrança importante na construção da minha psiquê e do equilíbrio do meu eu emocional. Ah, a quem estou enganando, o meu eu emocional não tem mais equilíbrio e a minha psiquê é mais caótica que baile de carnaval às3h da manhã. Quem sabe se eu mandar um email para o dono do site, propondo uma troca?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-a6AB_zGkkZM/TWnIdCimO7I/AAAAAAAABL8/_FXD__UtXRk/s1600/Lobisomen-+Gulliver.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="https://lh4.googleusercontent.com/-a6AB_zGkkZM/TWnIdCimO7I/AAAAAAAABL8/_FXD__UtXRk/s400/Lobisomen-+Gulliver.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O lobisomem, de que não me lembro tão bem, mas acho que tinha.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-WKnpLMBjeNM/TWnIett1pZI/AAAAAAAABMA/wO49aYd4JHs/s1600/Dr%25C3%25A1cula+Gulliver.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="https://lh5.googleusercontent.com/-WKnpLMBjeNM/TWnIett1pZI/AAAAAAAABMA/wO49aYd4JHs/s400/Dr%25C3%25A1cula+Gulliver.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O drácula, de que me lembro perfeitamente bem.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-9vbVsKixw0s/TWnIfTIRDJI/AAAAAAAABME/UqlC93O6kfo/s1600/Frankstein+Gulliver.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="https://lh4.googleusercontent.com/-9vbVsKixw0s/TWnIfTIRDJI/AAAAAAAABME/UqlC93O6kfo/s400/Frankstein+Gulliver.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;E o Frank, de quem eu mais gostava e que esteve comigo durante vários anos, mas cuja doação para um orfanato foi tão traumática que eu preferi criar uma outra versão da realidade. Agora, que esse é o meu Frank, ah, podem ter certeza!&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nota do autor: agora que vocês viram os "brinquedos", vamos combinar que, de normal, eu já não tinha nada há muito tempo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4620384182553639645?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4620384182553639645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/festa-do-monstro-maluco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4620384182553639645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4620384182553639645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/festa-do-monstro-maluco.html' title='Infância (quase) Recuperada'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-a6AB_zGkkZM/TWnIdCimO7I/AAAAAAAABL8/_FXD__UtXRk/s72-c/Lobisomen-+Gulliver.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4637300219906998484</id><published>2011-02-23T21:29:00.001-03:00</published><updated>2011-11-24T18:13:42.708-02:00</updated><title type='text'>Divagando...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode ser só impressão minha, mas... Vocês não estão achando o Bento XVI extremamente acabado, com uma aparência mais envelhecida do que devia? Tantos terremotos, inundações, revoluções políticas, doenças... Sei lá, só conjecturando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-r4Lxb8nSxSs/TWWluqVa7NI/AAAAAAAABL0/ZPQWz8UQCaI/s1600/Papa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="271" src="http://3.bp.blogspot.com/-r4Lxb8nSxSs/TWWluqVa7NI/AAAAAAAABL0/ZPQWz8UQCaI/s400/Papa.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;-- É, meus filhos, a chapa esquentou pra nós...&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4637300219906998484?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4637300219906998484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/divagando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4637300219906998484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4637300219906998484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/divagando.html' title='Divagando...'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-r4Lxb8nSxSs/TWWluqVa7NI/AAAAAAAABL0/ZPQWz8UQCaI/s72-c/Papa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4574635291284512582</id><published>2011-02-22T15:32:00.001-03:00</published><updated>2011-11-24T18:12:52.987-02:00</updated><title type='text'>Eu, Julio Verne</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como vocês sabem, vamos todos morrer em 2012, segundo o calendário Maia, mas é possível que haja sobreviventes, pelo menos foi o que eu vi quando estive num futuro distante num sonho que tive numa dessas noites em que passei na Casa Verde. Eu estava num carro, no banco do carona - e não sei quem era o motorista - quando começamos a nos mover numa velocidade altíssima, tanto que o carro pareceu transformar-se em helicóptero e começou a voar! Até aí, para um sonho, tudo normal. Acontece que, lá em cima, de repente, a paisagem muda, e a cidade que deveríamos estar vendo logo abaixo de nós transformara-se numa ilha, onde era impossível aterrisar por conta do solo, que deveria ser profundo, deixando na superfície apenas plantas, como se fosse um daqueles lagos de jardins botânicos cheios de vitórias régias e juncos e papiros. A cada tentativa de aterrissagem frustrada, voltávamos para o alto e tornávamos a ver a cidade da qual havíamos saído anteriormente. Como não conseguíamos mais descer à rua, ficávamos no céu - vejam como os sonhos são dementes: o minúsculo helicóptero só se mantinha no ar porque eu e o desconhecido girávamos as pás da hélice manualmente!!! - neste ir e vir de mundos, até que avistamos uma espécie de iceberg perto da ilha e lá pousamos. Saímos do helicóptero e, andando poucos metros, depois de uma pequena colina de gelo, vi uma espécie de pier, muito pequeno, ligado a uma cabana um pouco maior - onde, aliás, lembro-me agora, eu já havia estado em outros sonhos, cercada pelo mesmo mar infinito!!! Neste pier havia algumas pessoas descansado em espreguiçadeiras e até garçons servindo drinks. Ao fundo, pude observar uma bandeira da Petrobrás!!! Eu não queria chamar a atenção, mas pensei que, sendo um "resort" tão pequeno - quem sabe um clube para funcionários da Petrobrás do futuro -, as pessoas certamente saberiam quem era e quem não era dali. Descemos calmamente, como se tivéssemos ido dar uma volta pelas redondezas e acabamos nos misturando sem maiores problemas. Entrei na tal cabana e havia umas pessoas conversando normalmente, num ambiente totalmente comum aos nossos cômodos contemporâneos de casas de praia. Mesmo com toda essa normalidade, eu sabia que havia algo errado: como era possível aquela cabana no meio do mar, próxima a um iceberg, com apenas água ao redor até onde a vista alcançasse? Tinha essa impressão de que não estávamos mais no Kansas... Aproveitei que não fora considerado um estranho e comecei uma daquelas conversas típicas de viajantes do tempo que não querem dar bandeira, do tipo: "mas que ano, esse, hein? Parece até aquela época de..." ou "Por um momento me esqueci de onde estamos com toda essa tranquilidade. Onde é mesmo?" e por aí vai. E foi assim que acabei fazendo com que eles me mostrassem um mapa-múndi, dobrado, como aqueles que vêm nos guias de turismo, e nele tive a confirmação de que estava há muitos, mas muitos séculos depois de 2010. O mapa mostrava o mundo como o conhecemos de cabeça para baixo, sendo que, do norte (agora o sul) até mais ou menos o finalzinho da América do Sul, ali onde acaba o Chile, na Terra do Fogo, havia apenas... gelo! A calota polar do ártico havia avançado até esse limite que excluía um pouco da África do Sul e Austrália, entre outras várias ilhas que não constam no nosso mapa de hoje! Foi um daqueles sonhos sem som, embora colorido, de forma que não sei o que as pessoas conversavam comigo ou do que me informavam sobre o planeta. Acordei nesse ponto do sonho, e foi só. Vou ficar atento para o dia em que a Petrobrás instalar uma base petrolífera no pólo sul, ou norte, no caso de eu e ela sobrevivermos a 2012...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wKwyFOG-S6U/TWQA-R2zoaI/AAAAAAAABLw/0xfHtldj5jA/s1600/Sonho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="368" src="http://1.bp.blogspot.com/-wKwyFOG-S6U/TWQA-R2zoaI/AAAAAAAABLw/0xfHtldj5jA/s400/Sonho.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A cabana era mais ou menos assim, só não tinha a morena.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4574635291284512582?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4574635291284512582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/eu-julio-verne.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4574635291284512582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4574635291284512582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/eu-julio-verne.html' title='Eu, Julio Verne'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wKwyFOG-S6U/TWQA-R2zoaI/AAAAAAAABLw/0xfHtldj5jA/s72-c/Sonho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-8423792045101566648</id><published>2011-02-21T01:27:00.001-03:00</published><updated>2011-11-24T17:57:57.256-02:00</updated><title type='text'>Antikafka</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela manhã sentiu-se estranho, como se estivesse inchado, pesado, acometido de uma torpeza que até então jamais sentira, mesmo quando ingeria veneno em quantidade suficiente apenas para deixá-lo tonto. Abriu os olhos e... abriu os olhos?! E que sensação era esse de ter estado numa espécie de hibernação, num escuro diferente do escuro a que estava acostumado? Uma inquietação sinistra começou a tomar conta de sua mente, uma mente encharcada de cores, sons, lembranças, coisas absolutamente sem sentido, tantas que precisou abandonar-se ao próprio peso e respirar profundamente pelo nariz... Nariz? Levou as mãos ao rosto e sentiu-se estranhamente deformado; buscou as antenas e... não havia mais antenas, apenas uma grotesca camada de pêlos sobre a cabeça, o que lhe deu um grande nojo e fê-lo vomitar deitado, sobre si mesmo, sem compreender o que lhe acontecia. Nenhuma das sensações que sentia haviam sido experimentadas antes: cores, pesos, pêlos, quatro enormes patas... apenas quatro patas? E o que são essas coisas em suas extremidades? Horrorizado, rolou sobre si mesmo e viu que estava em cima de baratas, esmagadas e agonizantes com o peso de seu tamanho desproporcional. Sentiu um novo asco e, num impulso involuntário, tentou ficar de pé num salto. Trôpego, sem controlar direito os próprios movimentos, batia contra as paredes daquela viela estreita e escura, incapaz de entender o que lhe acontecia e sem a percepção correta da realidade, uma realidade que não era mais a sua realidade. Do alto, reconheceu lugares por onde se esgueirava, cantos por onde vivia, mas agora redimensionados por uma perspectiva totalmente nova e inusitada. Da rua, no fim da viela, veio um burburinho que o deixou instintivamente em alerta e levou-o a buscar um daqueles cantos familiares. Atirou-se a ele mas bateu com a cabeça na parede, machucando os braços numa caçamba de lixo ao lado. Não conseguia entender nada, de repente seu corpo não cabia mais em frestras das paredes nem podia mover-se mais com agilidade. Ao levar a mão à cabeça por causa da dor e de um ferimento, percebeu que não conhecia seu próprio corpo, e o que era aquele líquido vermelho que lhe saía da cabeça? De fato, conhecia aquele corpo, mas nunca por aquele ângulo. O barulho parecia ter ido embora, e ele tentou se levantar uma vez mais, dessa vez com menos desequilíbrio, e seguiu para o fim da viela, no limite com a calçada da rua à frente. Apoiando-se nas paredes, assustou-se com uma grande correria e tumulto que tomaram conta das pessoas que apontavam e gritavam em sua direção e paralisou, não pôde mover-se, talvez pelo medo, talvez pelo instinto, talvez porque não soubesse correr, talvez porque sua estratégia fosse fingir-se de morto. Logo dois homens vieram em sua direção com um casaco e tentavam cobri-lo, aproximando-se de sua cintura. Gritavam muito, gesticulavam, mas nada daquilo fazia sentido; nada daquilo era compreensível. A única coisa que fez foi seguir seu instinto, tentando afastar-se rapidamente daqueles homens, daquele tumulto, correndo desajeitadamente nu pela rua quando foi atingido em cheio por um ônibus que o lançou a alguns metros de distância. As pessoas correram para ver o homem agonizante, deitado de costas, balançando as pernas e os braços para cima, levantados porém quebrados com as fraturas expostas. A agitação começou a diminuir, e o homem foi encolhendo braços e pernas quebrados e, olhando para cima, finalmente morreu. Experimentou, como homem, o mesmo destino que teria se ainda fosse uma barata: acabaria esmagada em uma rua qualquer. Eu sei porque já fui assim, mas dei sorte, adaptei-me. Aprendi que não há diferença, são só outros insetos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lUAjeESyb5Q/TWHo9bes0II/AAAAAAAABLc/9MR0CjzYcvY/s1600/kafka.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-lUAjeESyb5Q/TWHo9bes0II/AAAAAAAABLc/9MR0CjzYcvY/s400/kafka.jpg" width="341" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-8423792045101566648?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/8423792045101566648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-iv-antikafka.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8423792045101566648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8423792045101566648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-iv-antikafka.html' title='Antikafka'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-lUAjeESyb5Q/TWHo9bes0II/AAAAAAAABLc/9MR0CjzYcvY/s72-c/kafka.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-2999868725145287197</id><published>2011-02-21T00:07:00.001-03:00</published><updated>2011-11-24T17:57:37.048-02:00</updated><title type='text'>Diários da Casa Verde III</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não creio mais em coincidências, a não ser que se queira continuar chamando os eventos mais significativos, mais representativos sobre os quais o universo e a vida dialogam conosco insistentemente, tornando cartomantes e horóscopos diários obsoletos, de coincidência, apenas como um gesto simpático, de uma ingenuidade ironicamente simplória, unicamente para mantermos os pés no chão e não surtarmos com a possibilidade, ela mesma, de estarmos escutando a voz do universo, pois só o reconhecimento dessa possibilidade já bastaria para atestarmos nossa entrada na penumbra da sanidade. Recuso-me a voltar a crer em coincidências! Para tudo, até que se prove o contrário ou até que eu mude de idéia, há um propósito. Nem sempre saberemos que propósito é este, mas a informação será dada, a comunicação será feita, a mensagem terá sido passada, e escute-a quem quiser e quem souber! Se isso é um dom dos desajustados, dos escritores, dos complexos, dos esquisitos, dos diferentes, dos marginalizados, dos grandes artistas e gênios da humanidade, aceitemo-lo com feliz resignação, porque somos poucos os que sabemos ouvir o universo! Ouvir eu disse, não apenas escutar, porque de escutá-lo até os surdos são capazes. E por que falo de coincidências mortas? Porque esta semana na Casa Verde foi uma semana de, como diriam os tolos, de coincidências. Há pouco tempo fui obrigado a matar um rato dentro de casa, e o peso, a amargura que isso trouxe à minha vida foi muito grande. Eu sei, falando assim até parece que sou insensível às grandes tragédias da vida, como se estivesse tentando comparar a morte de um rato à perda de tudo o que alguém construiu durante uma vida inteira, ou à morte de um familiar. Não faço tal comparação e nem tento diminuir a dor alheia, porque à dor de cada um não está ajustada a escala da régua de outrem. A morte do meu rato pelas minhas mãos doeu-me como ninguém pode imaginar, assim como a outras dores não poderei sequer me aproximar de entendê-las e senti-las. E ponto final, doa a quem doer. E foi assim, nesta semana, precisamente a semana em que precisei bater à porta da Casa Verde e ser readmitido em seus umbrais, que o universo socou-me o estômago: enquanto caminhava no centro da cidade à tarde; a poucos passos diante de mim formou-se uma pequena confusão, da qual só pude perceber um único chute a fazer rolar na calçada um rato assustado, suponho, cujo único erro foi sair à rua movimentadíssima à luz do dia. Os chutes vinham com escárnio, com zombaria e uma violência desmesurada para um animal daquele tamanho, a quem só restou receber o golpe e rolar para o meio-fio, na minha direção, do meu lado, na minha frente, agonizante. Depois do golpe recebido, não havia mais o que fazer, por mais que eu quisesse. Impossibilitado de correr, agonizou ainda alguns minutos. Vi suas patas se moverem mecânica e aleatoriamente, vi suas últimas respirações, vi seus últimos espasmos no asfalto quente a queimar-lhe o corpo. Talvez tenha morrido de calor, e com dor, e sem nenhum amor, nem poesia alguma. Eu podia evitar a cena, podia desviar o olhar, mas não pude. Não consegui me mover nem me afastar, porque este rato, como aquele outro que matei sem querer matá-lo, este também morreu olhando para mim, talvez pedindo socorro, talvez maldizendo minha espécie, mas olhando para mim. Vi o brilho dos seus olhos se apagar diante de mim, vi seu corpo endurecer ao aceitar a morte sem mais luta, e vi os homens comuns rindo da morte e achando graça. Mesmo depois de morto, ainda fiquei ali, encarando o animal e, ele, a mim. E doeu, e ainda dói, porque ficou claro para mim que o universo e a própria vida queriam alguma coisa de mim que não posso imaginar o que seja. Tudo é mais significativo na Casa Verde, tudo necessita ser mais significativo na Casa Verde. Talvez aqueles homens comuns estivessem rindo de mim também, talvez você também esteja, chamando-me de pobre diabo, veja só, martirizar-se por um rato. Depois de mais uma semana na Casa Verde, asseguro-lhe, pode rir: os ratos não são apenas ratos. O que pode motivar alguém a querer salvar da morte lenta um rato, afinal? São animais que transmitem doenças, que podem matar nossos filhos, nossos parentes, nossos animais de estimação, ora! Mas e quando esse rato é covardemente morto e, pelo olhar, pede ajuda ou uma morte rápida como aquele me pedia, como aquele anterior também pedia. Tudo muda, acreditem, quando a morte começa a fazer parte de nossa rotina. Na verdade, a morte sempre fez parte de nossa vida, mas a conscientização de sua presença, nem sempre, e, talvez, estando na Casa Verde, minha percepção da morte e do que ela significa tenha aumentado... significativamente. A morte do solitário rato de rua, razão para desejar uma higienização mental - e não é à toa que a palavra sanatório tenha vindo do latim "sanitarium" - ecoou pelos quatro cantos de mim mesmo e, portanto, transformou-se em comunicação universal, deu-se a si mesma e a mim um sentido qualquer, mas, acima de tudo, fez-me reviver o horror que é presenciar inerte a agonia da morte de um inocente. Chamai-me do que quiserdes: superficial, exagerado, louco, tolo... Hoje, mais uma vez, um bebê, desta vez com apenas onze meses de idade, morreu espancado pelo pai. O caso aconteceu em Curitiba, Paraná, e foi notícia em vários periódicos - periódicas notícias... Assim como eu, você também não fez nada. Assim como nós, os bombeiros também não conseguiram reanimar a criança e assistiram, diante deles, a última agonia da criança. Os ossos quebrados como os do rato, os órgãos internos estourados como os do rato, a mesma covardia humana, a mesma violência, a mesma ira, a mesma selvageria. O que difere aqueles ratos daquele bebê? Uma pequena percentagem genética, ao passo que o que os iguala é serem inocentes numa terra de bárbaros! E não pensem que não sofro pela morte também desse bebê, mas sofro calado, como sofro com o rato, pois meu calar vem do silêncio da compreensão do que somos todos nós, da compreensão do ritmo da vida, de nossa essência, da vida como ela é. Sofro, sim, com as mortes inocentes e estúpidas, mas meu silêncio faz-se mais soturno quando me lembro - e o universo não esquece nunca de me lembrar - que somos nós mesmos os que matam ratos e crianças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ass3w2y1Iwc/TV80Tn13KNI/AAAAAAAABKo/93FXpZEgTrs/s1600/Rato.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://4.bp.blogspot.com/-ass3w2y1Iwc/TV80Tn13KNI/AAAAAAAABKo/93FXpZEgTrs/s400/Rato.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Se me fosse pedida uma foto que representasse minha raça, minha espécie, essa seria a foto que eu mostraria. Disfarce você o cheiro de podre do túmulo com o perfume que achar melhor. Ainda assim não passará este mundo de um túmulo mal perfumado.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-2999868725145287197?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/2999868725145287197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-iii-morte-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2999868725145287197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2999868725145287197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-iii-morte-da.html' title='Diários da Casa Verde III'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ass3w2y1Iwc/TV80Tn13KNI/AAAAAAAABKo/93FXpZEgTrs/s72-c/Rato.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-7502899548521041908</id><published>2011-02-20T22:46:00.002-03:00</published><updated>2011-11-24T16:45:59.647-02:00</updated><title type='text'>Personal Coke</title><content type='html'>&lt;div id="page" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="articleWorkspace"&gt;&lt;div class="SEC-16355" id="article"&gt;Segundo matéria publicada essa semana no Época Economia online, a descoberta do segredo mais bem guardado de todos os tempos - e todo mundo sabe que fim levam os segredos mais bem guardados - foi pura sorte. Diz a revista que "A fórmula original do refrigerante mais popular do mundo estava  na fotografia que ilustrava um artigo sobre a história da Coca-Cola  publicado num jornal em 1979. A receita da &lt;b&gt;Coca-Cola&lt;/b&gt;,  guardada sob sete chaves pelos proprietários da empresa durante 125  anos, deixou de ser um mistério, segundo um site que afirma ter  descoberto os ingredientes em uma página esquecida de jornal. Como  publicada nesta terça-feira (15/02)&amp;nbsp;em seu site pelos produtores do  programa de rádio "&lt;b&gt;This American Life&lt;/b&gt;", a fórmula  original do refrigerante mais popular do mundo estava na fotografia que  ilustrava um artigo sobre a história da Coca-Cola, publicado no jornal "&lt;b&gt;Atlanta Journal Constitution&lt;/b&gt;" de 1979. A  imagem mostra uma lista de ingredientes escritos de próprio punho em  1886 por um amigo do criador da bebida, John Pemberton, em um livro de  boticário passado de geração em geração que atualmente estava com uma  mulher em Griffin (Geórgia), conforme "Thisamericanlife.com". A  Coca-Cola, que mantém a versão oficial de sua receita em um cofre em  Atlanta que só dois funcionários têm a chave, não confirmou se a  composição publicada é a correta. Da  lista publicada, a parte mais reveladora é a que explica como misturar o  7X, uma substância que só representa 1% da bebida, mas que é crucial  para dar o sabor característico. Para a mistura do famoso ingrediente  secreto são necessárias oito onças de álcool, 20 gotas de óleo de  laranja, 30 gotas de óleo de limão, dez de óleo de noz moscada, cinco de  óleo de coentro, 10 de óleo de neroli - das flores da laranjeira amarga  - e 10 de óleo de canela. O  restante da bebida é elaborado com três onças de ácido cítrico, duas  onças e meia de água, uma de cafeína, uma de baunilha, duas pintadas de  suco de lima, uma onça e meia de bala para dar cor e uma quantia de  açúcar que é ilegível na lista. A receita original inclui três copos de  extrato de fluído de coca, um ingrediente que a companhia retirou do  composto no início do século 20 após um corrente de críticas. Resta  saber se, além da eliminação desta substância, os proprietários da  Coca-Cola aplicaram modificações substanciais na fórmula desde que  Pemberton a projetasse. Para tentar comprová-lo, a equipe do programa  radiofônico reuniu um grupo de analistas e de amantes da bebida em uma  degustação da mistura obtida pela receita. Segundo o  site, a maioria dos que provaram não encontravam diferenças da Coca-Cola  comercializada. "Acho que esta é de verdade uma versão da fórmula",  disse ao programa o historiador Mark Pendergrast, autor de uma história  da bebida".&lt;br /&gt;Agora é só esperar a Ana Maria Braga mostrar como se faz a Coca-Cola no Mais Você pra eu poder fazer também a minha e vender no trânsito carioca a "dois real".&lt;br /&gt;Mas tem uma coisa me incomodando... Quer dizer que a fórmula da Coca-Cola estava na cara de todo mundo, publicada numa revista de circulação razoável e que ninguém, ninguénzinho da silva prestou atenção nisso? Não teve uma viva alma que dissesse: ih, olha lá, é a fórmula da Coca-Cola!? Como é que nenhum leitor se deu conta?! Como é que o editor da revista não percebeu?! E o fotógrafo que tirou a foto para a matéria? Foi uma foto qualquer, golpe de sorte, a máquina apontou sozinha para a fórmula e tirou a foto?!!! E só agora descobriram?!!!&lt;br /&gt;Sei não, mas acho que ainda vai demorar um tempinho pra comprarmos Coca-Cola na Uruguaiana ou na Vinte e Cinco de Março... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-VxhTcIscqTo/TWHDU57JIBI/AAAAAAAABLY/j0HOG3wZBfs/s1600/Receita+da+Coca-Cola.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="313" src="http://2.bp.blogspot.com/-VxhTcIscqTo/TWHDU57JIBI/AAAAAAAABLY/j0HOG3wZBfs/s400/Receita+da+Coca-Cola.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Com o descobrimento da fórmula da Coca-Cola já é possível fabricá-la em casa. Eu mesmo já anotei a fórmula do meu caderno de receitas para a Maria fazer e deixar pronta para a semana toda.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-7502899548521041908?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/7502899548521041908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/coca-cola-na-minha-mao-e-mais-barato-so.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7502899548521041908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7502899548521041908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/coca-cola-na-minha-mao-e-mais-barato-so.html' title='Personal Coke'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-VxhTcIscqTo/TWHDU57JIBI/AAAAAAAABLY/j0HOG3wZBfs/s72-c/Receita+da+Coca-Cola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4154569787896891522</id><published>2011-02-20T16:32:00.002-03:00</published><updated>2011-11-24T16:34:35.732-02:00</updated><title type='text'>Diários da Casa Verde II</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Quando desci às profundezas de meu inferno pessoal, entre tantos rostos, memórias, cicatrizes, cismas, teimosias, certezas empoeiradas, equívocos, desvios, atalhos que nunca me levaram a lugar nenhum a não ser ao mesmo lugar, encontrei-me comigo mesmo, ainda jovem, ainda inocente, ainda genuinamente feliz, ainda cheio de esperanças e doces incertezas repletas de futuros ideais. E ele lançou-me uma única pergunta com o olhoar e o sorriso de certezas ancestrais e esperanças futuras:&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7xoCsKZh2_M/TWFrIIz9JII/AAAAAAAABLQ/BmDqJUVHoBY/s1600/Eu+Jovem.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-7xoCsKZh2_M/TWFrIIz9JII/AAAAAAAABLQ/BmDqJUVHoBY/s400/Eu+Jovem.JPG" width="326" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;— O que fizeste de mim?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4154569787896891522?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4154569787896891522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-ii-perguntas-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4154569787896891522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4154569787896891522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-ii-perguntas-e.html' title='Diários da Casa Verde II'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7xoCsKZh2_M/TWFrIIz9JII/AAAAAAAABLQ/BmDqJUVHoBY/s72-c/Eu+Jovem.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-5473346282705227389</id><published>2011-02-20T16:01:00.002-03:00</published><updated>2011-11-24T16:24:30.656-02:00</updated><title type='text'>Diários da Casa Verde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que, quando se chega ao fundo do poço, não há mais com o que se  preocupar, pois, estando no fundo, o único caminho possível é a saída,  logo acima. Talvez seja verdade, dependerá apenas de a que estamos  chamando "fundo do poço". No meu caso, havia como descer ainda mais,  logo abaixo do poço: o inferno. E se você está pensando em labaredas de  fogo, almas sendo torturadas ironicamente, engana-se (até porque o  inferno, como o imaginamos, caso vocês não tenham notado, é aqui, e são os outros!):  abaixo do fundo do poço havia meu inferno pessoal, e os infernos  pessoais são muito piores do que um mero mar de lava em que você se vê  se afogando e ressurgindo para nele se afogar de novo. Ou outro castigo  que o valha, mas, para isso, é melhor sugerir a leitura do Inferno, de  Dante. Quanto ao meu inferno pessoal, este era apenas um grande  espaço vazio, negro como o universo, enorme, infinito, de um silêncio  opressivo, pesado, enlouquecedor.  No meio desse grande vácuo eu não estava sozinho, fazia-me companhia alguém  que conheço mas que deixei de reconhecer há muito tempo: eu mesmo.  Antes, contudo, é importante contar por que desci a tão grande  profundidade por ter-me afastado tanto do mundo. Há muito tempo tenho  lidado com uma forte pressão emocional e psicológica que me tem feito  caminhar continuamente na beira do abismo. Talvez a visão do abismo,  encantador, sereno, sedutor, é que tenha me impedido de me afastar de  sua borda, e não os fatos externos, a vida, ter me empurrado para o  limite arenoso e escorregadio  do precipício. Há quem goste ou precise viver nesse limite, nessa  beira, nessa possibilidade. Nunca, entretanto, passou-me pela cabeça jogar-me no abismo, pois lançar-me  neste desfiladeiro sem volta e sem fundo é não ter controle sobre ele, e, confesso, sempre me fascinou muito mais a idéia  de ter controle sobre o abismo, de passear por ele, de saber o que ele  me oferece, de vivê-lo sem nele abandonar-me; é como se eu pudesse  utilizar-me de uma loucura ou de uma inconsciência quando dela  precisasse e, sendo escritor, e um escritor do surreal, essa  possibilidade passa a ser uma necessidade. Mas, ainda que minha rotina  psíquica seja a corda bamba consciente, às vezes o vento sopra mais forte e o equilíbrio torna-se bem mais difícil, insustentável,  e foi o que aconteceu por estes dias com uma fresta de luz, réstia pouca de recomeço, que acabou se fechando,  como todas as portas, janelas, alçapões, porões, sótãos, rasgos, furos e  cortes em minha vida se fecham, na razão inversamente proporcional  com que as cicatrizes da vida se abrem e permanecem abertas. Quando vi  que a esperança de uma mudança, talvez a última, aquela que confirmaria o  ditado de que elas são as últimas a morrerem, acabou, ela também,  sucumbindo a uma força que decidiu impedir-me de tudo de forma pessoal.  Foi quando quebrei. Já tinha rachaduras  e a estrutura estava comprometida, mas ainda sustentava-me, balouçava  com o vento, acomodava-me no solo, resistia. Nesse dia, toda a frágil  resistência e existência a que me agarrava num instinto de sobrevivência  - e talvez amor pelo abismo - extinguiu-se. Foi quando toda luz apagou,  todos os sons se calaram, todas as vozes emudeceram, todas as cores  desbotaram; foi quando caí no abismo, quando transcendi o fundo do poço.  Ali, naquele momento, implodi.  Decidi que, se o universo não fazia questão, ou melhor, fazia, mas em  me frenar e sufocar, então não faria eu questão nenhuma de lutar nem  mais um momento. E tudo ficou escuro, e deixei a porta da vida  entreaberta para quando ela houvesse por bem sair. Lembro-me apenas de  um único som, o da própria porta da vida se fechando, mas não porque a  vida decidira passar por ela e, finalmente, me libertar, mas porque eu  mesmo havia entrado por ela e a fechado. Era preciso fechá-la, a  conversa era particular. Surgi diante de mim com um olhar tranquilo,  quase de incompreensão por tudo aquilo que acontecia, como se não  houvesse necessidade nenhuma daquela queda no abismo. Ajudei-me a  levantar-me e convidei-me para um passeio pelo abismo, já que nele  houvera caído. E foi o que fiz por aqueles dias. Caminhei pelo escuro na  companhia única de mim mesmo. Não era necessário, nem possível, a  presença de mais ninguém. E vi muitos episódios de minha vida, e revi  muitas escolhas e outros fatos que não dependeram de minha escolha,  embora houvesse escolhas quando da ocorrência dos fatos. E foi preciso  reavaliar tudo, repensar todos os valores, sentir mais intensamente as  feridas que jamais se fecham e aprender a lidar com elas ao invés de  reclamar da dor que elas proporcionam.  E fui aprendendo, nesse escuro, sendo guiado por mim mesmo, por um eu  que talvez só tenha tido a chance de se aproximar agora, que pude me  recriar, ou, melhor, que pude criar todas as condições necessárias para  que a minha existência fosse suportável e compreensível, ou minimamente compreensível,  porque nenhuma existência pode ser compreendida. E refiz muitos passos,  olhei para o espelho com serenidade, e com a mesma serenidade ele refletiu.  Foi quando pude sentir a inutilidade da luta, do confronto, da  simulação, da máscara, da resistência, da revolta. Mas também foi quando  eu vi que pagaria&amp;nbsp; um preço enorme por todas essas decisões, mas,  ironicamente, foi também quando eu comecei a ver que expressões como  "pagar o preço", "resistir", "lutar", "ser aceito", "ser normal" e  outras tantas são complemente absurdas! A existência, incompreensível, supérflua, fugaz e insignificante  nossa, minha e sua, não requer ajustes, não reclama adaptações, não  admite formatações porque ela é rápida demais para ser desperdiçada com a  torturante idéia  de compreendê-la e ajustá-la não só na existência dos outros, mas na  existência da própria civilização como ela é, pois as civilizações são  arbitrárias, os valores são arbitrários - exceto  aqueles comuns a todos e que vêm do fundo de nossas almas e podem ser a  única tentativa de explicação para uma ordenação ou razão de nossa  existência - e não é admissível perder tempo e energia no debater-se da  acomodação da vida, na legislação da vida, na padronização da existência coletiva,  justamente, porque tudo passa. Foi quando percebi com assustadora  nitidez a bobagem da retórica da vida, é ela o freio de que vinha me  queixando e não a própria vida ou uma força invisível desconhecida a  quem confortavelmente chamava ocasionalmente de Deus, porque culpar a  Deus é profundamente libertador, mas também é burro, havendo ou não um Deus. E foi  quando mostrei a mim mesmo o quanto a juventude pode ser terrível sem o  conhecimento da vida como ela é, que só vem depois, com o tempo, com a  idade, com os erros, com o conhecimento dos medos, com o conhecimento de  si mesmo. A juventude, essa tenebrosa etapa de nossa existência ainda  mais tenebrosa que se espreme entre a inocência feliz da ignorância  infantil e o domínio de si mesmo e do mundo próprios da velhice. A  juventude, a fase em que não temos a menor idéia  do que fazer com o que sabemos e com o que não sabemos, a idade em que  tudo é motivo para felicidade e também para infelicidade, a idade em que  não há razão, a idade em que a dúvida se disfarça de certeza mas não se  utiliza de apenas uma fantasia, troca de rosto o tempo todo.  Pode ser que, por esse dias, eu tenha deixado a adolescência, mas, apenas por assim dizer, pois, a adolescência, como a velhice e como a infância, são conceitos arbitrários, convenções e, como toda convenção é equivocada, parcial e tendenciosa... É possível até, confesso, que meu caminhar na beira do abismo nada tenha sido além da minha adolescência, que, como toda adolescência,  mesmo a cronologicamente arbitrária, é longa - ou parece longa - e  difícil, e torturante, e insuportável, e cheia de dúvidas, e cheia de  erros e arrependimentos, e cheia de escolhas ruins, e cheia de falsas  felicidades, e tão distanciada de um ego consistente, de uma personalidade  sólida, de uma sanidade atestada... Até estes últimos dias, então, quem  sabe, eu era um adolescente em crise, crise essa que eu não compreendia  como crise, que eu não compreendia como apenas uma resistência à vida  como ela é, a mim mesmo como eu sempre fui; crise de uma rebeldia boba,  típica dos que se rebelam pelo simples prazer de rebelarem-se, uma  rebeldia sem causa, uma rebeldia nascida da falta de conhecimento, de autoconhecimento,  de conhecimento da vida, de domínio da vida, porque o domínio da vida  não é conseguirmos realizar tudo o que querermos, nem fazer com que tudo  saia conforme o esperado - porque, creia, não sairá -, mas é aceitá-la e  vivermos de acordo com o seu diapasão, ainda que nossa escala cromática  e a da vida esteja em oitavas diferentes, ou em sustenidos e bemóis,  mas em harmonia. E foi assim que estes últimos dias se passaram: da violenta  queda no abismo até a compreensão de que é tudo, até mesmo a idéia de que existe um abismo, é uma grande bobagem, é uma grande construção ideal advinda  de outros ideais aos quais estamos inevitavelmente afixados, mas dos  quais podemos nos libertar depois da compreensão, do entendimento, da  queda. E, se falo tanto de conhecimento como salvação, talvez seja por  que, dias antes, conheci Cora Coralina, uma escritora que conhecia apenas de nome e não fazia idéia, sequer, confesso, de que fosse brasileira. Nunca me dei ao trabalho de saber quem era Cora Coralina,  mas, felizmente, ela se deu a esse trabalho de fazer-se conhecer por  mim, e eu apanhei de uma senhorinha curvada, lenta, pesada da vida,  cansada dos versos, mas absolutamente feliz e em paz com sua própria  existência, dona de uma compreensão da vida e de si mesma que faria  inveja ao mais incognoscível  filósofo existencialista alemão. Levei uma surra de uma senhora que  aprendeu a viver e que me mostrou a estupidez de minhas certezas, de  minhas relutâncias, de minhas manias. Ou, antes, mostrou-me como a vida é  absurdamente fácil de ser vivida, basta vivê-la, assim como basta  também olharmo-nos  no espelho e dizermos: pois, se é assim que eu sou, por que não sê-lo? A  vida vai-nos derrubar todo dia. Por vezes será apenas um esbarrão, outras vezes vai colocar o pé na nossa frente e ainda nos empurrar na direção dos carros na rua. Poucas vezes vai nos dar a direção  certa. Nossa felicidade se resumirá apenas em se vamos querer brigar com  ela a cada tombo ou se vamos aprender a cair, e achar graça na queda, e a  empurrá-la ela também na direção  dos carros ou, quem sabe, de uma janela aberta do décimo primeiro  andar. Foi com esse germe de vida, implantado debaixo da pele por causa  de Cora Coralina  que de Aninha fartara-se e de Cora preenchera-se, que, por sorte, caí  no poço, e passei o fundo, e cheguei no fundo do abismo que é, amigos,  ele também, uma grande bobagem! Mas o germe de Cora não fora  gratuitamente injetado  em mim. Eu, que já fora bem mais teimoso, bem mais cego, já vinha menos  trôpego no compasso da vida e decidira aceitar um convite para ver Cora.  O plano era Escher, no Centro Cultural Banco do Brasil. A escolha não podia ser mais representativa: os desenhos de Escher são ilógicos, deformam perspectivas, criam labirintos, nos obrigam a nos perder, confundem, iludem... Eu também vivia um momento Escher da vida, mas foi um momento Cora, totalmente inesperado, não planejado,  que me preparou para a queda, queda que provavelmente tenha sido  desejada, provocada por mim, que acabei culpando a vida e tudo aquilo  que eu pensava não ser o certo, que não andava no compasso que eu  queria, que não correspondia à minha realidade, que não atendia aos meus propósitos, eles também construídos por um consenso alheio, coletivo e... burro! Talvez toda a minha vida labiríntica tenha chegado a um momento de questionamento insustentável e tenha encontrado na incoerência de Escher  e na força simples de Cora, com a qual ela me dera uma surra memorável, a  chave psicológica que abriria os porões de meu inferno pessoal, do qual  saí, mas ao qual voltarei, porque sou um escritor, e um escritor não o  pode sê-lo sem seus infernos pessoais. Entretanto, é preciso que se  desça a eles com um mapa, que agora eu tenho, e descer acompanhado de si  mesmo, e não mais sozinho. E foi assim que centrei-me com todas as minhas imperfeições,  questionamentos, insanidades, improbabilidades, estranhezas; estou bem, porque agora vejo que não é necessário adaptar-se a  convenções transitórias, aleatórias e voláteis, é preciso apenas saber  viver, e não basta conhecer as histórias mitológicas, é necessário chegar a  essa conclusão pelas próprias pernas, pelas próprias pernas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SdzHi7rogc8/TWFkzXZvi-I/AAAAAAAABLM/Uge9zrTRrgc/s1600/Sanitarium-431.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="277" src="http://2.bp.blogspot.com/-SdzHi7rogc8/TWFkzXZvi-I/AAAAAAAABLM/Uge9zrTRrgc/s400/Sanitarium-431.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foi quando guiei-me através de meu inferno pessoal...&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-5473346282705227389?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/5473346282705227389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-i-meu-oriente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5473346282705227389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5473346282705227389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/diarios-da-casa-verde-i-meu-oriente.html' title='Diários da Casa Verde'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SdzHi7rogc8/TWFkzXZvi-I/AAAAAAAABLM/Uge9zrTRrgc/s72-c/Sanitarium-431.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-208379687049939959</id><published>2011-02-03T14:30:00.008-02:00</published><updated>2011-02-03T22:26:35.604-02:00</updated><title type='text'>Há Vagas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;De tão sozinho, à espera de qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer lugar,&lt;br /&gt;De uma esperança qualquer, ainda que um mal-me-quer,&lt;br /&gt;Fiz de um de meus vazios uma casa de passarinho,&lt;br /&gt;Dessas prosaicas, madeira e tinta e um pouco de desalinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi por bondade apenas, nem só amor aos animais,&lt;br /&gt;Já tinham abrigo certo, andorinhas e pardais,&lt;br /&gt;No forro de gesso e cimento, protegidas do relento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, sem teto nem pintura, sem comida nem bebeouro,&lt;br /&gt;Vi-as sempre voando ao final da tarde, tão perto, pertinho,&lt;br /&gt;Fazendo-me companhia, e nem sabiam, salvando-me, Deus, do quê?&lt;br /&gt;Não era uma nem eram duas; três sequer podiam ser,&lt;br /&gt;Havia tantas que o trisso avolumado de prenúncio despertava&lt;br /&gt;Minha mente adormecida entre sonhos esquecida,&lt;br /&gt;Sonhos bons mas inquietantes pois o bom que eu desejo&lt;br /&gt;É o mal de que te afastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas eram e tantas vinham e machucavam tanto a solidão,&lt;br /&gt;Que, uma vez, talvez duas?, um sorriso me arrancaram&lt;br /&gt;E assim eternizaram um milionésimo de alegria.&lt;br /&gt;Minha paixão por fotografia, quem diria, é culpa de uma andorinha,&lt;br /&gt;Que, pousada, fez-me pose e ensinou-me a mal fotografar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia experimentei: água e alpiste em pires deixei&lt;br /&gt;Sobre a mesa da varanda numa vã esperança (e não são todas vãs?)&lt;br /&gt;De que alguma viesse mais perto, quem sabe, dar-me um zoom,&lt;br /&gt;Um olhar, um "eu te entendo", coisa que ninguém mais faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem uma delas pousou, não comeu do alpiste, não bebeu da água&lt;br /&gt;E nunca mais sequer voou cá por perto.&lt;br /&gt;Pensei que fosse a estação, quem sabe procriação?&lt;br /&gt;E não me importei com o abandono,&lt;br /&gt;Porque mais um ou menos um... é uma só a solidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia voltaram os voos, os revoos, os trissos,&lt;br /&gt;Tanto que me acordavam do sono de morte do meio-dia,&lt;br /&gt;Do sono de morte das três da tarde,&lt;br /&gt;Do sono de morte das seis da noite,&lt;br /&gt;Só para me deixarem à morte da vigília noturna da meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi aproveitar o retorno e fiz a casinha de madeira,&lt;br /&gt;Fiz, construí, pus bebedouro, pus comedouro,&lt;br /&gt;Furei a parede, prendi-a firme como uma resignação tola.&lt;br /&gt;De água, alpiste e esperança provi-a; hão de voltar, hão de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca voltaram. Nenhuma avezinha jamais retornou.&lt;br /&gt;Voam tão perto mas nem chegam mais perto deste deserto que eu construí e que sou.&lt;br /&gt;Seca o alpiste, seca a água, renovo o estoque para um inquilino que não mais virá.&lt;br /&gt;Agora, o que devia ser redenção e alegria é a lápide fria&lt;br /&gt;Da sepultura onde vivo e a morte aguardo.&lt;br /&gt;Me pergunto se um dia a morte vazia vai me ignorar&lt;br /&gt;Deixando-me a vida como ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIyOZk3RMI/AAAAAAAABKQ/UT1zClOqe5Y/s1600/Casa+de+Passarinho.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIyOZk3RMI/AAAAAAAABKQ/UT1zClOqe5Y/s400/Casa+de+Passarinho.JPG" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Aqui Jaz um Sonhador e sua Esperança&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-208379687049939959?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/208379687049939959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/ha-vagas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/208379687049939959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/208379687049939959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/02/ha-vagas.html' title='Há Vagas'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIyOZk3RMI/AAAAAAAABKQ/UT1zClOqe5Y/s72-c/Casa+de+Passarinho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4915656669659966167</id><published>2011-01-28T02:53:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T16:04:36.983-02:00</updated><title type='text'>Rapidinha no Theatro Municipal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta quarta-feira estive pela primeira vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Por mais vergonhoso que seja, confesso, aos vinte e nove anos de idade (é a idade com a qual me sinto, não amolem!) nunca tinha visitado esse marco arquitetônico e histórico da cidade. Não foi por falta de esforço da direção do teatro, que tem programado espetáculos de vários tipos, inclusive temporadas a preços populares, já há algum tempo. Eu é que, confesso, ando com preguiça cultural mesmo, até pra Mozart e Beethoven, e a arquitetura do século XIX, como o próprio século XIX em si, não são muito do meu agrado, tenho certa antipatia pela art decó e rococós neoclássicos tardios. Em outras palavras: ainda não havia ido ao Theatro Municipal por pura ranhetice minha. Mas isso de não ter ainda conhecido o lugar me incomodava: já fui a Paris, Lisboa, tantos lugares no Brasil, e a minha cidade? Tá certo, de vez em quando a cidade merece algumas críticas, mas que culpa tem o Theatro Municipal? Só porque o projeto arquitetônico do teatro vencedor da licitação aberta pelo prefeito Pereira Passos, no final do século XVIII, teve com vencedor seu próprio filho, Oliveira Passos? (E você pensando que a bandalha era mais recente, hein?!). Claro que não, ora pois. Foi quando peguei na rua a última edição do simpático e gratuito jornal Destak, que trazia uma matéria sobre uma nova atividade cultural no Theatro Municipal: a visita guiada. Era a oportunidade que eu estava esperando! Por apenas R$ 10,00 poderia pela primeira vez visitar o imponente prédio que compõe a paisagem arquitetônica neoclássica franco-carioca da Cinelândia, que inclui a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes e a Câmara Municipal, esta última, por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento. Marquei a tal visita; a gente tem que agendar pelo telefone mas consegui para o dia seguinte. São várias visitas por dia, se não me engano são seis ao todo. Fui todo animado, com a minha máquina fotográfica semi-profissional (que combina muito bem com um fotógrafo semi-profissional, mais semi do que profissional, assim como a máquina) para o evento; a visita guiada mais rápida da história do turismo urbanístico mundial! Pois é, minha primeira vez no Theatro Municipal foi uma rapidinha, e nem foi tão bom assim pra mim... Antes do tour, o grupo (as visitas são em grupo) assiste a um vídeo sobre a restauração do Theatro. O vídeo é fantástico e, mesmo sem uma narrativa, apenas uma sucessão de imagens da restauração com, claro, um clássico da música erudita de fundo (conhecidíssimo, mas não ligo nomes a pessoas nem títulos a obras...), quase que vale como a visita guiada. Aliás, agora que falei nisso... deixa pra lá. Fomos liderados por dois guias e a visita funciona mais ou menos assim: um dos guias vai na frente explicando o que há para ser explicado e o outro vai atrás do grupo impedindo que ele se desfaça ou que alguns visitantes fiquem sozinhos e perdidos tentando tirar fotos de ângulos inusitados achando que serão os próximos Sebastiões Salgados da vida. Se você pensou "parece excursão de colégio", acertou em cheio!, à exceção de termos que andar com as mãos dadas ou com a mão no ombro do coleguinha da frente. O tempo de visitação foi de uma hora mais ou menos, mas confesso que não reparei e, se foi de uma hora, não vi o tempo passar, talvez porque estivesse muito mais preocupado em tirar as fotos do que outra coisa. Fotos, aliás, são um problema em lugares como o Theatro Municipal: na maioria dos ambientes está proibido fotografar e, onde é permitido, não é permitido com flash. Para mim, que também estava interessado numa série de exercícios de fotografia em ambientes com pouca luminosidade, foi ótimo! Mas teria sido melhor se o tempo fosse maior. Os guias são ótimos! Contam os detalhes da reforma, da estrutura original, dos materiais usados, etc., mas o ritmo da visitação é muito rápido, dá a impressão de que querem a gente fora o mais rápido possível. Eu não sei se a rapidez também se deve à quantidade de lugares a serem visitados, quer dizer, não sei se havia mais coisas para ver. Havia, claro, como a águia dourada no centro da grande clarabóia superior do edifício, detalhes arquitetônicos vários em estátuas, bustos, colunas, mosaicos, afrescos... Mas o que vimos foi o corredor dos camarins (todos fechados), o palco e toda a estrutura de polias, cordas, suportes, enfim, aquele maquinário todo que de vez em quando faz guerreiros vikings voarem pelo palco, as frisas (por fora; estavam fechadas), alguns corredores internos, uma sacada externa, a escadaria principal do saguão frontal, a área comum do segundo andar (não as galerias do segundo andar) e o tal salão assírio, que é mais ou menos a cafeteria na saída do Theatro. Quando finalmente consigo a melhor configuração na máquina para aquela luz, é hora de seguir o grupo. Ah, sim! Há seguranças seguindo os visitantes durante todo o passeio, como se fôssemos a qualquer instante roubar uma das folhas de ouro usadas em alguns detalhes no edifício. Eu sei, eu sei, disso somos nós mesmos os culpados, ô povo mal educado, eu sei, mas, poxa, seguranças atrás do grupo? Quanto ao valor informativo da visita, o passeio vale a pena, mas, no resto, fica muito a desejar, muitíssimo. Portanto, se você pretende fazer essa visitação guiada, não espere nada detalhado, nem tranquilo: a coisa toda é muito corrida e a sensação de que estamos fazendo alguma coisa errada acompanha a gente o tempo todo na figura dos seguranças. Muito mais proveitoso seria comprar um ingresso para um espetáculo qualquer e apreciar o Theatro Municipal, com toda sua grandiosidade, com muito mais tempo e sossego. Acho até que a visita se destina muito mais a turistas, que geralmente não tem mesmo tempo sobrando para conhecer tudo numa cidade como o Rio de Janeiro, do que aos cariocas, que têm muito mais tempo e condições para conhecer o Theatro. Se a intenção da visita é deixar o gostinho de quero mais, ela consegue, mas não sem pagar o preço de uma certa antipatia como primeira impressão. De qualquer forma, podendo, vá! É só entrar no site do Theatro - que, aliás, pelo que é o Theatro Municipal, merecia um cuidado muito maior em relação a webdesign -, anotar o telefone e ligar. Coloquei todas as fotos que pude tirar (correndo) no facebook (estou deixando os links aqui), mas, obviamente, não foram muitas nem foram tão boas. As melhores fotos foram tiradas fora ou para fora do Theatro, porque a configuração da máquina para essas situações de luz natural do dia são bem mais fáceis (leia-se deixar no modo "auto"), então, estas, eu deixo aqui, só para dar um gostinho. Theatro Municipal, você pode mais do que isso!&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUI_XtKHfKI/AAAAAAAABKU/lVPy7BtJXqg/s1600/Theatro+Municipal+%252815%2529.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUI_XtKHfKI/AAAAAAAABKU/lVPy7BtJXqg/s400/Theatro+Municipal+%252815%2529.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto tirada de dentro do Theatro Municipal. Achei a composição interessante: Pão de Açúcar, bondinhos, monumento ao soldado desconhecido da II Guerra e, em primeiro plano, detalhe do monumento a Floriano Peixoto.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUI_a0aldXI/AAAAAAAABKY/LBqGVflwmWY/s1600/Theatro+Municipal+%252828%2529.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUI_a0aldXI/AAAAAAAABKY/LBqGVflwmWY/s400/Theatro+Municipal+%252828%2529.JPG" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A melhor foto da série, na minha opinião: detalhe da fachada superior externa do edifício. Foto tirada do lado de fora, no final da excursão do colégio, digo, da visitação vigiada, desculpem, visitação guiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;Mais fotos em http://www.facebook.com/photo.php?pid=31962245&amp;amp;l=211caaab20&amp;amp;id=1471170237&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4915656669659966167?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4915656669659966167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/rapidinha-no-municipal.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4915656669659966167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4915656669659966167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/rapidinha-no-municipal.html' title='Rapidinha no Theatro Municipal'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUI_XtKHfKI/AAAAAAAABKU/lVPy7BtJXqg/s72-c/Theatro+Municipal+%252815%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-5531952988071557417</id><published>2011-01-28T00:48:00.003-02:00</published><updated>2011-11-24T15:49:18.363-02:00</updated><title type='text'>Ofiúco Djá!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A polêmica da vez foi a inclusão ou não do ofiúco como o décimo terceiro sígno astrológico. Tudo começou com a declaração de um astrônomo norte-americano, Parke Kinkle, da Minnesota Planetarium Society, em que ele diz que, por conta da atração gravitacional da lua, a Terra meio que foi arrastada um pouco para direita ou para esquerda (dá no mesmo estando no espaço) e agora passa pela constelação de ofiúco, que é uma constelação que fica entre escorpião e sagitário.&lt;br /&gt;A existência da constelação de Ofiúco não é novidade, ela já e conhecida nossa há milênios, mas nunca ninguém levou essa constelação muito a sério com medo de ter que mudar de signo. Eu, por exemplo, que sou geminiano, e do último dia, fiquei apavorado com a idéia de estar vivendo uma vida astrológica totalmente falsa como geminiano sendo, segundo o Dr. Kinkle, um taurino. Se bem que isso de viver uma vida dupla é mesmo coisa de geminiano, não de taurino, sinal de que a hipótese Dr. Kinkle não é lá grande coisa... Mas afinal, o ofiúco entra ou não entra? Tira, bota, deixa o ofiúco entrar! Astrônomos e astrólogos fazem zigue-zique-zá!&lt;br /&gt;Como há correntes pró e contra-Ofiúco, decidi fazer uma pesquisa mais apurada e encontrei algumas informações importantes sobre o entra e sai da nova constelação, e a melhor que encontrei foi a de um professor de astronomia da Universidade Federal de Santa Catarina: excelente didática, sem enrolação, texto curto e direto ao ponto, fantástico! Antes de mais nada, porém, o que é, diabos, um ofiúco? O nome vem, adivinhem... do grego (oh!) ophiuchus, que significa literalmente "segurando a serpente". O sujeito que aparece no simbolismo da constelação segurando a cobra é o grego Asclépio, e a sua história é a seguinte: filho de Apolo e da mortal Corônides, o cidadão desenvolveu suas habilidades médicas e sua fama chegou a tal ponto de o povo dizer que ele ressuscitava até os mortos, e essa história chegou aos ouvidos de Hades, o deus do submundo, e ele não gostou nada disso. Não era para menos, o homem vive de receber as almas dos mortos e de repente surge o Asclépio mandando todo mundo de volta para a Terra, Hades tinha mais é que subir nas tamancas mesmo! Que fez o deus do submundo? Foi reclamar com Zeus, argumentando que Asclépio estava bagunçando a ordem natural das coisas, que o inferno estava vazio como nunca e blablabla mimimi. Zeus, que já gostava de um castigo celeste, deciciu então matar o promissor clínico geral e cirurgião, mas, como todo deus grego, totalmente perturbado mentalmente, quis amenizar o castigo colocando-o no céu enrolado numa serpente que ele mesmo seguraria para sempre. Eu não sei se ser morto e depois ficar eternamente no céu enrolado por uma cobra é exatamente uma compensação, mas...&lt;br /&gt;Agora que já conhecemos a história de Asclépio, voltemos à querela de sua constelação. Há o zodíaco astronômico e o simbólico. O astronômico é aquele que conta com as constelações por onde passa o sol. Entre as doze constelações manjadas, está e sempre esteve ofiúco. O problema é que o sol passa por ofiúco muito rápido: de 30 de novembro a 17 de dezembro. Os astrônomos, portanto, na verdade, nem estão muito interessados nessa briga porque ofiúco é um fato científico irrefutável: o sol passa por ele e pronto. A briga está muito mais entre e por causa dos astrólogos. Explico. O zodíaco simbólico, esse do mapa astral, é uma convenção, uma simples escolha de como ler o céu e entender nossa vida sem sentido. Existem milhões de outros sistemas zodiacais criados por várias outras culturas pela história da humanidade afora. Alguns exemplos são os signos chineses, a astrologia maia, o zodíaco egípcio, a leitura tupi-guarani do céu, etc., cada uma desses sistemas velho que a outro e cada qual com a sua Zora Ionara (ou com seu Walter Mercado). Ora, todas essas convenções são minuciosamente estruturadas, parece até que quem faz essas simbologias tem TOC: é tudo bem amarrado, tem analogia com outros significados, enfim, são o pesadelo de qualquer Robert Langdon. Conclusão: mudar tudo só por causa de uma cobra de dezessete dias não rola! Há quem diga que o problema, na verdade, seria o número 13, altamente polêmico entre os esquisotéricos e sempre relacionado a uma tremenda falta de sorte, que o diga Jesus na última ceia... Como minha primeira aposta numa mesa de roleta, num cassino argentino, foi no número 13 e eu ganhei, há controvérsias sobre isso de azar... Portanto, me parece que incluir o ofiúco em nosso zodíaco astrológico é pura implicância, pura preguiça. Ou será que tem astrólogo ofidiofóbico por aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqtPEWFYI/AAAAAAAABKE/4ltNShxqXRA/s1600/Ofi%25C3%25BAco+de+costas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="317" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqtPEWFYI/AAAAAAAABKE/4ltNShxqXRA/s400/Ofi%25C3%25BAco+de+costas.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqthMQglI/AAAAAAAABKI/01XfFBjmALI/s1600/Ofi%25C3%25BAco+de+frente.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="321" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqthMQglI/AAAAAAAABKI/01XfFBjmALI/s400/Ofi%25C3%25BAco+de+frente.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqtxRhJnI/AAAAAAAABKM/6OZ7l_-4BbU/s1600/Walter+Mercado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="299" src="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqtxRhJnI/AAAAAAAABKM/6OZ7l_-4BbU/s400/Walter+Mercado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Walter Mercado, astrólogo, esquisotérico e irmão gêmeo do do Cid Moreira, dá o maior apoio à entrada do Ofiúco.&lt;br /&gt;— "Olha o tamanho da cobra", chama a atenção o ocultista.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-5531952988071557417?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/5531952988071557417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/spica-no-ofiuco-dos-outros-e-refresco.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5531952988071557417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5531952988071557417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/spica-no-ofiuco-dos-outros-e-refresco.html' title='Ofiúco Djá!'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TUIqtPEWFYI/AAAAAAAABKE/4ltNShxqXRA/s72-c/Ofi%25C3%25BAco+de+costas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-762931639061441579</id><published>2011-01-21T21:07:00.003-02:00</published><updated>2011-11-24T15:24:14.943-02:00</updated><title type='text'>Não estamos mais em Nova Iguaçu, Totó.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me impressiono com mais nada, mas, de vez em quando, têm coisas que ainda me fazem apoiar a cabeça com a mão, fazendo pose de intelectual inconformado, e me arrancam uma ou duas reflexões razoavelmente coerentes. Em outras palavras: fico com cara de tacho. Ontem passei por um desses momentos ao navegar pelos sites de notícias e vi, com surpresa, que todos publicavam em letras garrafais a matéria surreal: Tornado devasta Nova Iguaçu. Aliás, vocês sabem qual é a origem da expressão "letras garrafais"? Havia em Portugal, no século XIV, um trovador itinerante, Tadeu Laras, que sofria de hipermetropia, quer dizer, hoje se sabe que ele era hipermétrope, mas, na época, ele só podia dizer que não conseguia enxergar de perto. Como ele era muito conhecido em Portugual, Espanha e França, embora tenha caído no esquecimento já no século seguinte devido ao desaparecimento, até hoje inexplicável, de seu cancioneiro, os trovadores e menestréias em início de carreira costumavam enviar-lhe seus trabalhos para uma avaliação. Uma opinião positiva de Tadeu Laras equivalia praticamente a passar numa banca de doutorado hoje em dia. O problema é que Tadeu, depois de um certo tempo, já não conseguia mais ler os textos e as canções de seus colegas e, como os óculos não existiam ainda - o único de que se tem notícia assim tão antigo perdeu-se com William de Baskerville, monge franciscano, no Norte da Itália, depois de um incêndio numa abadia beneditina que abrigava uma das maiores bibliotecas da época (século XIV) - Tadeu acabou tendo que improvisar, e inventou o método mais rudimentar de leitura através de lentes já conhecido pelo homem e pelos donos de óticas: o uso de fundos de garrafa para aumentar as letras. A expressão "óculos fundo de garrafa" surgiu na oficina de Tadeu, bem como a expressão "letras garrafais", porque ficou bastante conhecida em Serra Alta - pequena cidade medieval que não se manteve até os nossos dias - a "técnica" de leitura do mestre trovador. Assim, quando alguém escrevia textos em letras grandes, principalmente os ajudantes de Tadeu, logo lembrava-se dos "óculos" improvisados e brincava-se, dizendo que o gajo estava a escrever como o mestre Tadeu, em letras de garrafa, ou letras garrafais. E em letras garrafais, portanto, as manchetes sobre o tornado em Nova Iguaçu pipocavam na internet, manchetes com fotos e vídeos de internautas (deixei alguns links no final da postagem para vocês conferirem). Foi difícil de acreditar, afinal, o Brasil tinha um acordo com Deus, que nos poupou dessas desgraças naturais , mas, em compensação, pôs o povo que pôs nessa terra. E isso porque Ele próprio era brasileiro!&lt;br /&gt;O fato é que o tornado barbarizou Nova Iguaçu, Seropédica e algumas regiões da Baixada Fluminense, como se esses lugares já não tivessem problemas de sobra. A coisa foi cinematográfica: voaram casas, pessoas, animais e árvores e, segundo os especialistas, o estrago só não foi maior porque o tornado não tocou o solo. Para alguns religiosos era o próprio Fim do Mundo, mas, infelizmente, nossa hora ainda não tinha chegado, mas que assustou, assustou, afinal, não era um tornado qualquer em qualquer lugar, era um tornado em Nova Iguaçu e, teologicamente, você pode acreditar: quando um tornado resolve aparecer em Nova Iguaçu, é porque era mesmo só isso o que faltava pro mundo acabar!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TTjrlCTWt3I/AAAAAAAABJw/NLEgJweE9Mo/s1600/Tornado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="277" src="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TTjrlCTWt3I/AAAAAAAABJw/NLEgJweE9Mo/s400/Tornado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span id="search" style="visibility: visible;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TToD3SqmqsI/AAAAAAAABJ4/Rjy8T3Itlbg/s1600/Dorothy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="270" src="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TToD3SqmqsI/AAAAAAAABJ4/Rjy8T3Itlbg/s400/Dorothy.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;— É, Totó, não estamos mais no Kansas...&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/results?search_query=tornado+nova+igua%C3%A7u&amp;amp;aq=f&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://noticias.sitedabaixada.com.br/noticias/capa/2011/01/20/defesa-civil-de-nova-iguacu-atua-em-area-devastada-por-tornado/?utm_source=rodape-global&amp;amp;utm_medium=portais&amp;amp;utm_content=FooterGlobal&amp;amp;utm_campaign=FooterGlobal&lt;br /&gt;http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/863791-tornado-causa-estragos-em-13-bairros-de-nova-iguacu-rj.shtml&lt;br /&gt;http://oglobo.globo.com/participe/mat/2011/01/19/leitor-flagra-tornado-em-nova-iguacu-durante-temporal-na-baixada-fluminense-923569394.asp&lt;br /&gt;http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/01/tornado-causa-destruicao-em-nova-iguacu-no-rio-de-janeiro.html&lt;br /&gt;http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/1/tornado_em_nova_iguacu_chega_aos_trending_topics_do_twitter_138871.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-762931639061441579?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/762931639061441579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/nao-estamos-mais-em-nova-iguacu-toto.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/762931639061441579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/762931639061441579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/nao-estamos-mais-em-nova-iguacu-toto.html' title='Não estamos mais em Nova Iguaçu, Totó.'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TTjrlCTWt3I/AAAAAAAABJw/NLEgJweE9Mo/s72-c/Tornado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-3146070399899826771</id><published>2011-01-19T15:49:00.001-02:00</published><updated>2011-11-24T15:10:20.778-02:00</updated><title type='text'>Serra, Serra, Serra, Dor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é Caramelo, um vira-lata que protagonizou uma das mais belas histórias de amizade, lealdade, e companheirismo neste terrível episódio que foram as consequências das fortes chuvas na região serrana do estado do Rio de Janeiro esse ano.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensei em fazer uma poesia, mas não consegui. Tentei escrever uma crônica; impossível. Queria, de alguma forma, me expressar, opinar, compartilhar um sentimento infinito de compaixão, mas as palavras não deram conta. E jamais dariam. Uma cena como esta, um momento assim não é para ser descrito, não carece de explicação. Um momento assim exige nosso silêncio e nossa reflexão. Nós, diante de Caramelo, é que temos que colocar o rabo entre as pernas e refletir muito sobre a vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TTcOw0OGZbI/AAAAAAAABJo/o8NExFW6rpY/s1600/Caramelo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="255" src="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TTcOw0OGZbI/AAAAAAAABJo/o8NExFW6rpY/s400/Caramelo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-3146070399899826771?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/3146070399899826771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/serra-serra-serra-dor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3146070399899826771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3146070399899826771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/serra-serra-serra-dor.html' title='Serra, Serra, Serra, Dor'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TTcOw0OGZbI/AAAAAAAABJo/o8NExFW6rpY/s72-c/Caramelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4988004627976752177</id><published>2011-01-13T23:21:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T02:19:57.372-02:00</updated><title type='text'>Lambidinha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida imita a arte? Imita, mas só porque a arte imitou a vida primeiro, o que nos leva a concluir que não há imitação nenhuma e que isso é papo cabeça pra passar o tempo em filas de cinemas que só passam filmes cult. É o caso de um diálogo que presenciei ontem em um shopping center da cidade que, se eu não tivesse visto, diria que saiu de um episódio de Seinfeld. Foi exatamente mais ou menos assim (o exatamente e o mais ou menos estão juntos de propósito), dois amigos, um com uma casquinha, deixavam o balcão de sorvetes de uma sorveteria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Você deu a primeira lambida na frente da balconista?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— O quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Deu a primeira lambida na casquinha na frente da balconista?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Ah... Não sei, por quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Deveria saber, isso é vital no caso de uma devolução ou reposição de casquinhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu sempre faço isso quando compro alguma coisa de comer: pode ser empadinha, hamburguer, pizza, esse tipo de coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Você lambe a empadinha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não, eu lambo o sorvete. Por que iria lamber uma empada? Ninguém lambe uma empada!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Foi você que disse que sempre lambe as coisas na frente de balconistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não, eu quis dizer que provo as coisas na frente dos balconistas, a casquinha foi só um exemplo. Casquinha a gente lambe. Empadinha a gente morde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não necessariamente. Eu posso morder uma casquinha dependendo da consistência do sorvete. E se me der na telha também posso lamber a empadinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tá, tá, você entendeu. O importante é fazer isso ainda no balcão das lojas de comida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— E por que eu iria querer dar a primeira mordida ou a primeira lambida ou o primeiro gole na frente das atendentes?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Porque se houver algum acidente, você ainda está no perímetro da loja, e isso força a loja a reparar o dano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— E que acidente alguém pode ter com uma casquinha ou uma empada?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Vamos imaginar que o sorvete da casquinha esteja mais mole do que devia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— É óbvio que, numa primeira lambida, a parte que fica em cima da casquinha cai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— E você considera isso um acidente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Dependendo da roupa que você esteja vestindo onde caia o sorvete pode ser uma tragédia!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— E pode nem cair em cima de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Exatamente! Vai que a sua língua consiga empurrar o sorvete nos sapatos novos de uma mulher encrenqueira, ou nos tênis de um cara de ovo virado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Isso sim seria uma tragédia: ovos virados... Se bem que o sorvete pode cair nos pés de uma menina que eu possa achar linda e isso servir de pretexto para uma conversa, aí não seria uma tragédia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Concordo, mas você perderia a casquinha se isso acontecesse a alguns metros do balcão, entendeu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Acho que sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Se o sorvete cai praticamente no balcão, as atendentes não têm como ignorar o fato de que o problema estava no sorvete, e não em uma lambida mal dada ou num problema do seu sistema nervoso. Então elas automaticamente já trazem uma nova casquinha!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Já vi isso acontecer com sucos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Acontece muito por causa das bandejas tortas. E sabe por que as bandejas de restaurantes de shoppings, depois de um tempo, acabam ficando curvadas no meio, o que faz com que você derrame seu refrigerante?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi nesse momento em que eu saí de perto dos dois amigos e fiquei sem saber sobre a teoria da bandeja curvada...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS-kt5_iU0I/AAAAAAAABJg/YQgJ80T-ac8/s1600/Ver%25C3%25ADsimo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS-kt5_iU0I/AAAAAAAABJg/YQgJ80T-ac8/s400/Ver%25C3%25ADsimo.jpg" width="265" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Isso tá parecendo texto meu...&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS-ksUnvn_I/AAAAAAAABJc/feimvlQSOkM/s1600/Seinfeld.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="282" src="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS-ksUnvn_I/AAAAAAAABJc/feimvlQSOkM/s400/Seinfeld.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Tenho quase certeza de que isso é meu...&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-3i3fjXAWF2g/Ts3FfjbX0uI/AAAAAAAABT4/eRbR_1Btsz8/s1600/Eu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="318" src="http://3.bp.blogspot.com/-3i3fjXAWF2g/Ts3FfjbX0uI/AAAAAAAABT4/eRbR_1Btsz8/s320/Eu.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Morram de inveja, é meu!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4988004627976752177?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4988004627976752177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/lambidinha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4988004627976752177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4988004627976752177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/lambidinha.html' title='Lambidinha'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS-kt5_iU0I/AAAAAAAABJg/YQgJ80T-ac8/s72-c/Ver%25C3%25ADsimo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-3720500329907303768</id><published>2011-01-13T18:39:00.001-02:00</published><updated>2011-11-24T02:13:24.634-02:00</updated><title type='text'>iPhone, iPod, iPad... I Panic!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já faz algumas postagens,  eu falava sobre a minha total incapacidade de compreender e conviver  com a quantidade de tecnologia similar e convergente nos dias de hoje.  Trocando em miúdos, como diria o açougueiro, eu não consigo me decidir  entre que aparelho utilizar: celular, notebook, netbook, cartão de memória, pendrive, iPhone, iPod, smartphone...  Pode ser que seja só ignorância tecnológica minha, mas eu não consigo  ver diferenças substanciais em cada um desses aparelhos. É claro que eu  sei a diferença entre um smartphone e um notebook, mas, quando se trata de acessibilidade e portabilidade, o que escolher (supondo que se tenha que escolher)? Entramos na internet pelo iPhone, pelo smartphone ou pelo netbook? Onde guardo as minhas fotos: no pendrive, no disco rígido, no disco rígido externo, no cartão de memória, no PC, no CD, no DVD? O iPhone é, na verdade, um pequeno netbook que me dá acesso à telefonia celular ou o netbook é um grande iPhone pelo qual posso me comunicar pelo Skype? E os GPS? Nem nos daremos mais ao trabalho de pedir informações aos pedestres ou nos postos de gasolina quando nos perdermos: agora é impossível se perder! Será que perderemos o prazer de conhecer novos lugares por conta própria,  com a possibilidade de encontrarmos algo fantástico num dobrar de  esquina que não esperávamos dobrar? Como se isso não bastasse, agora  também há o iPad que, para mim, é só um iPhone maior, ou um netbook  mais fino e sem teclado, quer dizer, com teclado, mas digital. Uma vez,  não lembro quem disse isso mas o crédito não é meu, alguém disse que a  tecnologia veio para resolver problemas que não existiam antes da  própria tecnologia. Não deixa de ser verdade. E não é que eu não goste  de tecnologia, acho ótimo  não ter que ir ao banco, por exemplo, ou&amp;nbsp; não ter que enfrentar tumulto  pra comprar ingressos de cinema ou produtos de alguma loja qualquer - à  exceção  dos livros ainda merecem uma espiada ao vivo na livraria antes de serem  comprados digitalmente -, mas acho que estamos atropelando o próprio  conceito de simplicidade que está embutido na tencologia.  Não sei se mais alguém sofre dessa ansiedade de estar conectado 24h, de  todas as formas possíveis, através de todos os canais, mas, eu, de vez  em quando, tenho pequenos surtos com tudo isso e experimento uma rápida  aversão a tudo que for ligado à tecnologia: computadores, celulares, internet, etc. (se bem que os celulares eu já abandonei há algum tempo por causa da sociofobia).  Pode ser uma necessidade latente e inconsciente de consumir o que não é&amp;nbsp; preciso - como foi, é e espero que nem sempre venha a ser, na história  da produção em massa - com a nossa real vocação para uma teocracia  utópica sustentada por uma agricultura de subsistência e lastreada  pela anarquia organizada de interesse comum com o banimento total da  identidade ou da individualidade. Em outras palavras: será que nosso  destino existencial não está sendo corrompido pelo consumo? Se isso soar  comunista, por favor, não é! Detesto o comunismo tanto quanto o  capitalismo, acho que são duas formas de autodestruição civilizatória,  mas, fazer o quê?, alguma organização temos que ter. O que está em jogo talvez seja o marketing,  nos empurrando satisfações para necessidades que não temos. Acho que a forma  de combater essa ansiedade tecnológica é perguntarmo-nos: preciso realmente disso? Para que eu quero um iPad? Será que eu tenho motivo real para comprar um celular e um plano de telefonia que me permita ficar plugado 24h no twitter? E pra twittar  o quê? "Fui ao banheiro", "As maçãs aqui de casa estão podres, tenho  que ir ao mercado", "Está chovendo horrores e eu não trouxe  guarda-chuva". Ok, você pode criar uma rede seleta de contatos  para fins de trabalho, mas, isso é novidade? O que aconteceu com o  velho e bom telefone celular que só fazia e recebia chamadas telefônicas? Quando é que um assunto merece uma telefonada, uma twittada ou uma postada? Eu tenho twitter, mas uso apenas para divulgar as atualizações do Testamenta. Até sigo sites de jornalismo, ou twitters como os do Discovery Channel,  mas não acompanho, não os persigo como um maníaco, simplesmente por que tenho a  televisão e o rádio. Nossa vida está mais fácil com toda essa  acessibilidade ou estamos apenas pagando pela ilusão de estarmos  potencialmente conectados 24h com o mundo lá fora? Ainda se almoça?  Ainda se janta? Ainda se dorme? Ainda se ama? Ainda se caminha na praia  ou no Jardim Botânico? Quem terá a coragem de andar com o celular  desligado por uma hora, duas, enquanto caminha despreocupadamente  pelas ruas do bairro, da cidade, do campo onde se mora? Até onde é  preciso que eu esteja conectado? São tantas as opções, e somos  bombardeados de forma tão agressiva que não temos chance sequer de  pensar no que estamos fazendo: "Nossa, eu preciso do iPhone geração 4".  "Caramba, já lançaram o smartphone com acesso às redes sociais". "Eu tenho que ter um iPod para ler aquele livro". Uai,  mas e o próprio livro? Já não o vendem mais? Qual é o valor da  informação em tempo real? Para quem interessa a informação em tempo  real? Que aparelho devo ter para ter acesso à informação em tempo real  ou para que a informação em tempo real me acesse?  Talvez a conexão global seja mesmo o nosso destino, ao invés de nos  contentarmos com uma vida frugal e panteísta e, no final, seja até uma  ferramenta para uma globalização  plena e positiva. Esse conceito não é de todo o mal e, de uma certa  maneira, até me cativa. O que me deixa doido é essa quantidade de  aparelhos instantaneamente obsoletos e absolutamente idênticos que tentam nos empurrar de qualquer maneira. A idéia, no fim, é boa: saber que está caindo neve na França durante o seu vôo  Rio-Paris pode ser vital, ou saber que sua filha está na casa de uma  amiga às três da manhã possa deixá-los mais tranquilos, mas, mesmo  assim...&amp;nbsp; O que aconteceu com o "mãe, cheguei"? Será que estou sendo  saudosista? Onde fica, por exemplo, toda a ideologia por trás de  "Imagine", de John Lennon? Será que ela vai virar um aplicativo a ser acessado em nossos iPhones? Gosto de tecnologia, mas sonho com aquelas cinematográficas, de ficção científica, convergência  total: um único dispositivo capaz de fazer todas as conexões de todos  os tipos. E, já que estou divagando, será que é possível conceber o  conceito de "paz tecnológica"? Enquanto houver similaridades, que nos  dissociam mais do que unem, não teremos paz, nem tranquilidade;  continuará existindo essa ansiedade tecnológica, essa sensação eterna de  algo estar sempre faltando, de termos deixado um canal de comunicação  sem ser acessado, de estarmos perdendo algo importante! Com a paz tecnológica, alcançada com o dispositivo de convergência  universal, nada mais será como antes: saberemos todos de tudo da mesma  forma. Não haverá mais aquele sentimento de "eu preciso saber do valor  das minhas ações  antes de outros compradores" ou então, por outro lado, todos saberão  quando uma tsunami estiver para varrer nossa cidade do mapa, e todos  sairemos antes da tragédia acontecer. Pode ser que toda essa ansiedade  também seja proveniente do escopo dessa conectividade: eu preciso saber  do quê, efetivamente?  De tudo? Acho que vivemos o caos tecnológico, esse mesmo caos que  impede e atrasa a tal paz tecnológica. Uns sabem antes, outros se  conectam mais, outros ainda só sabem que o dia raiou porque o galo  cantou. É preciso igualar os saberes? Todo mundo com um iPad  convergente na mão daqui pra frente: saldos de banco, imposto de renda,  matrícula nas escolas, ingressos de cinema, músicas, tudo para todos online, sem exceção. Ou, melhor ainda, ao invés de matrículas nas escolas e ingressos de cinema, os próprios filmes e as próprias aulas direto no seu iPad  ou i-qualquer coisa. Só espero que haja a opção de não estar conectado,  ao contrário do que é hoje, quando não estar conectado não é uma opção,  mas uma exclusão aflitiva e que gera um pânico tecnológico  insuportável. Não devo ver esse dia chegar, não acho que seja coisa para  a minha geração, então, acho que ainda vou me debater entre comprar um smartphone ou um netbook  com tela de 10 ou menos polegadas. De qualquer forma, deixem meus  jardins e minhas praças intactos, porque ainda é preciso, de vez em  quando, ficar totalmente desconectado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS9i5MKbEiI/AAAAAAAABJY/b9sCzxWILAo/s1600/Tecnologia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="226" src="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS9i5MKbEiI/AAAAAAAABJY/b9sCzxWILAo/s400/Tecnologia.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Chegaremos a ver este dia?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-3720500329907303768?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/3720500329907303768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/iphone-ipod-ipad-i-panic.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3720500329907303768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/3720500329907303768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/iphone-ipod-ipad-i-panic.html' title='iPhone, iPod, iPad... I Panic!'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS9i5MKbEiI/AAAAAAAABJY/b9sCzxWILAo/s72-c/Tecnologia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-2673081789147117719</id><published>2011-01-13T16:51:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T02:01:30.574-02:00</updated><title type='text'>Lugar de Escritor é..?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já chorei Camilas e Pitangas por causa do meu ofício de escritor. Na verdade não pela profissão em si, que é gratificante, mesmo quando você não publica. Acho até que a publicação é consequência da profissão. Logicamente é muito bem vinda, claro, mas não é tudo, daí por que não haver uma infinidade de escritores ricos. Acho que é questão de sorte também: ser lido na hora certa pela pessoa certa... Enfim, as pitangas choradas a que me refiro não são por causa de minhas publicações ou não publicações, mas pela dificuldade que é para mim e muitos colegas ter onde escrever. Mas como assim dificuldade em ter onde escrever, vocês devem estar se perguntando. Ouço isso muito. As pessoas, principalmente no Brasil, onde atividades como a do escritor não são vistas como atividades, mas normalmente como um hobbie, um passatempo, um projeto paralelo, uma terapia ocupacional, tudo, menos uma profissão, não entendem que o escritor profissional precisa de um lugar adequado tanto quanto um médico precisa de um consultório ou clínica, um engenheiro de um canteiro de obras ou um escritório com prancheta, um advogado de um tribunal e muito silêncio para ler todas aquelas leis ou um jardineiro de um jardim. "Ah, mas escrever você escreve em qualquer lugar", é o que costumam dizer. Pensa-se que é só ter uma cadeira e uma mesa, ou um banco de praça ou de biblioteca, e pronto, já podemos ser escritores. Ora, bancos de praças, bibliotecas públicas, em baixo de uma árvore, dentro de um submarino, qualquer lugar, em tese, é um bom lugar para se escrever, principalmente depois do advento do notebook, não vou negar. A diferença está na sua intenção, no seu objetivo, naquilo que você escreve e para quem escreve. Ora, um médico também pode tirar a pressão de alguém na mercearia, assim como um engenheiro pode pegar uma calculadora científica no topo de uma roda gigante e resolver uma conta. Da mesma forma, um escritor pode aproveitar que ficou preso no elevador com seu notebook e escrever uma crônica sobre ficar preso no elevador. A questão é saber se as condições para escrever essa crônica serão satisfatórias. Escrever é raciocinar, é pegar um dicionário de expressões populares na estante de livros ao lado, como um cirurgião tem a seu lado uma instrumentadora; é concentração, acima de tudo. Se o escritor consegue se concentrar no meio de uma torcida organizada durante um jogo de futebol no Maracanã, ótimo! Acho até que ele pode conseguir algumas boas idéias, mas não estou tão certo de que ele vai conseguir mais do que esboçar as boas idéias. O escritor profissional escreve, reescreve, experimenta, lê, relê... é uma lapidação! Pergunte se um joalheiro iria querer lapidar uma jóia durante uma viagem de trem daquelas que chacoalham incessantemente? Ele poderá ter algumas idéias sobre desenhos, ângulos e formas que dará à jóia, mas lapidá-la com aquela trepidação toda? Eu duvido. Assim é o escritor. É verdade que somos capazes de rabiscar coisas ótimas em qualquer lugar: briefings, roteiros, sinopses, personagens, um assunto para virar crônica ou poesia, enfim, dá até para arriscar um soneto atravessando de barca a Baía de Guanabara. Até porque somos mais observadores, estamos atentos aos detalhes, aos movimentos... O próprio vai-e-vem das barcas Rio-Niterói é muitas vezes ideal para uma boa idéia, porque é na contemplação desinteressada da vida que nos vêm as melhores idéias. Mas desenvolvê-la em forma de texto profissional, ou que tenha o mínimo de trabalho autoral, isso é outra história. Se pensarmos num romance, por exemplo, a coisa fica ainda mais complicada. As pessoas normalmente não se dão conta, mas escrever um romance é trabalhoso. E muito! Há fichas espalhadas, anotações, revisões, hipóteses de condução de personagens, pesquisas históricas, geográficas... Escrever um romance, pelo menos um romance minimamente razoável que se pretenda publicar, leva tempo e dá trabalho, exige não só a escrita como também a leitura. Os trabalhos intelectuais, de modo geral, sofrem da mesma discriminação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Odair, tá fazendo o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tô lendo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Então vem cá e troca uma lâmpada pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso até que deva haver quem escreva fazendo rapel ou rafting (supondo que o notebook do herói seja à prova d'água ou o escritor desça a corda segurando-a com os pés enquanto digita, ou vice-versa), mas são raridades e, não se iludam, a produção textual nessas condições será, quase com certeza, sempre, um texto pequeno. Vejam o caso das poesias. Poesias, aliás, tem um fetiche por locais de nascimento inapropriados: mesas de bar, por exemplo. Façam uma pesquisa sobre o local de nascimento de poesias, notadamente letras de música, e vejam que elas raramente nascem no escritório. Já a prosa... A prosa é um edifício, uma ponte suspensa, um estádio poliesportivo, enquanto a poesia é uma gaivota dessas de folha de caderno universitário. É possível também fazer poesia em escritório, mas, sei não... é capaz de ficar uma coisa meio parnasiana... Penso que a natureza da poesia seja a espontaneidade, o imediatismo, o "só se for agora" da literatura. Da forma que vem, tem que sair, ou não sairá mais. Talvez por isso poesias gostem tanto de guardanapos, papel de pão, papel higiênico e até cédulas de dinheiro. A prosa é noiva: demora e não se apronta em qualquer lugar, e tudo é motivo para estresse: o capítulo está mal intitulado; os personagens não estão críveis; a crônica está artificial demais; o conto está grande demais... Isso tudo o escritor resolve no seu escritório. Mas onde fica o escritório do escritor? Pode ser em sua própria casa, mas terá que ser um cômodo apropriado, com a paz necessária. Sei que deve ter gente nesse exato momento achando que sou superficial, exagerado e, no bom português, muito fresco, isso sim. Se fosse apenas eu a pensar assim, ok, tudo isso não passaria de uma grande frescura. Mas não é assim. Tanto não é que, dia desses, buscando na internet escritores com o mesmo problema e dicas de onde escrever sem ser perturbado, encontrei um blog que falava não só sobre o mesmo problema em uma de suas postagens, como também comentava o surgimento, em Nova Iorque, de um lugar especialmente criado para escritores escreverem em paz, sem serem incomodados. Então todos os escritores novaiorquinos são frescos também? É claro que não. O que existe é, de fato, uma tradicional e total falta de respeito à nossa profissão, e é por isso que a maioria de nós é separada, ou somos solteiros, ou amargos, ou caladões... (mentira, não sei se é assim, mas o mito do escritor diz que sim e, como tal, tenho que preservar meu próprio mito). No Brasil não temos um lugar assim, mas o empresário que pensar nisso primeiro vai enriquecer, porque a quantidade de escritores que precisa de um lugar sossegado para escrever e não têm é muito maior do que se imagina. Sobre escrever em casa, que é ainda o grande argumento de quem não entende do riscado, eu diria que, mesmo que moremos sozinhos, ainda assim não é ideal. É possível, mas não é o ideal, pois as tentações são grandes: há a cama, a geladeira, a televisão, o telefone, a porta da rua... Sabe aquela história de comprar uma esteira ergométrica e transformá-la em cabide de roupas? Um escritório em casa é mais ou menos assim: — Ah, o principal já está arrumado, daqui a pouco eu escrevo. Se não houver outro jeito - como é o meu caso - de se trabalhar num cômodo de casa separado, exclusivamente criado para ser o seu escritório, então vive-se o dilema: onde escrever? Na biblioteca pública mais próxima? No parque? Na praça? No café do shopping? Tudo isso tem hora para fechar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Senhor, me desculpe, estamos fechando, o senhor tem que sair.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Mas o Detetive Eduardo tem que morrer agora!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem mencionar que há o incômodo de carregarmos o notebook sistematicamente para cima e para baixo. Ok, notebooks foram criados para serem carregados para cima e para baixo, mas você não vai querer problemas com baterias que não estão carregadas ou com tomadas ocupadas ou que não podem ser usadas por você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existe um mito sobre os escritores de que gosto muito, que é aquele em que todos eles escrevem elegantemente em Cafés, e que é assim que nascem os grandes livros e revelam-se os grandes escritores. Gosto desse mito porque ele apresenta a figura do escritor de forma glamourosa, quase cinematográfica. Mas a realidade, pelo menos no Rio de Janeiro, não é bem assim. Não há tantos Cafés assim na cidade, ainda não assimilamos de vez essa idéia, e, nos que há, é pouco provável que o dono vá deixar você ligar seu notebook na tomada e ficar lá o dia inteiro alternando entre um cafezinho, um pão de queijo, uma água, um refrigerante, outro pão de queijo e, quem sabe, com sorte, um sanduíche natural. Se houver um santo empresário de Café que faça isso, por favor, em nome da literatura, se apresente! Prometo ir ao seu estabelecimento diariamente e alternar o consumo entre pães de queijo, refrigerantes e cafezinhos, ou podemos acertar uma consumação mínima diária. Estou topando até pagar um pequeno aluguel em troca do uso da tomada! Vou deixar aqui em baixo os links dos blogs onde descobri a iniciativa novaiorquina e o site do próprio lugar em Nova Iorque. Preciso ir porque eles não permitem escrever na hora da xepa... E por falar em xepa, aquela Grande Maçã está parecendo irresistível a esta altura...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;http://cristinalasaitis.wordpress.com/2010/03/03/um-lugar-para-escrever/#comment-1398http://barrosbar.blogspot.com/2009/05/paragraph-um-lugar-de-trabalho-para.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://cristinalasaitis.wordpress.com/2010/03/03/um-lugar-para-escrever/#comment-1398&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.paragraphny.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS9JKWFTUHI/AAAAAAAABJQ/wf9tXs4mH5w/s1600/Snoopy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS9JKWFTUHI/AAAAAAAABJQ/wf9tXs4mH5w/s400/Snoopy.jpg" width="305" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Se não puder escrever em casa, a solução será procurar um lugar fora de casa, como o telhado.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-2673081789147117719?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/2673081789147117719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/lugar-de-escritor-e-na-em-onde-e-mesmo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2673081789147117719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2673081789147117719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/lugar-de-escritor-e-na-em-onde-e-mesmo.html' title='Lugar de Escritor é..?'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS9JKWFTUHI/AAAAAAAABJQ/wf9tXs4mH5w/s72-c/Snoopy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-4612902467586936295</id><published>2011-01-13T15:06:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T22:07:45.381-02:00</updated><title type='text'>A Quarta Carta, de Sampaio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das grandes verdades da literatura: você não acha os livros, eles é que acham você!&amp;nbsp; Isso não impede que você entre numa livraria e compre um livro, mas, normalmente, aquele livro, aquele autor que vai mudar sua vida, esse é que acha você. E vem das maneiras mais inusitadas possíveis. Um desses livros me encontrou através de um amigo: Antonio Fabiano Hermida, escritor, estudante de letras e parecerista de originais de uma editora de grande porte aqui no Rio de Janeiro. Foi por uma mensagem no Facebook, postada por Antonio, que conheci uma das obras de Albino Forjas de Sampaio, escritor português nascido em finais do século XIX e um dos mais vendidos nas primeiras décadas do século XX. Sampaio é um cronista de início de século preocupado com a descrição ácida, cruel e quase naturalista do cenário urbano (entre outras temáticas). Essa questão das grandes mazelas urbanas está presente no livro Palavras Cínicas, que foi de onde Antonio tirou um trecho (a Quarta Carta), que apresento a vocês agora. Palavras Cínicas está disponível em alguns sites da internet confiáveis, portanto, sinto-me tranquilo de colocar aqui o texto que recebi:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Que tragédia risível, grotesca, bizarra, medonha, sofrida, desesperada e lancinante não é o mundo? A vida? A cidade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Lá embaixo nas vielas sujas ou no &lt;i&gt;boulevard&lt;/i&gt;&amp;nbsp;caro, a luz do gás, que baila a dança de S. Vito, põem lívida a carne, lívida a alma, lívido o sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Há  lá ruas inteiras de toleradas, ruas de loiras perfumadas de falas  lânguidas como fúcsias, de morenas de beijos tão doces como medonhos, de  ruivas de cabelos tão fulvos como o poente. Sãos as filhas dos  operários que espancam as mulheres quando chegam à noite a casa,  perdidos de bêbedo; são as filhas de um ventre que não tinha nome e cujo  pai é toda gente; afinal; são a legião enorme e interminável das  nascidas não se sabe como, paridas não se sabe aonde, às filhas das  ervas, filhas da rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Nos bancos sombrios do &lt;i&gt;square&lt;/i&gt;&amp;nbsp;há  vultos enigmáticos, suspeitos, órfãos cujas almas são ímans da desgraça  de todo o mundo, e à esquema das ruas pedem esmola velhos patriarcais  como castanheiros centenários, filhas que fugiram aos pais pelos amantes  que as abandoram, pais que os filhos expulsaram de casa, mulheres que  outrora foram belas e faladas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Embruçada num portal uma  criaturinha esguia e franzina como uma santa, silenciosa, estende a quem  passa a mão afilada e transparente e todos se afastam com rancor &amp;nbsp;-  enquanto ela lá continua, no olhar a nostalgia das que passam os dias a  tossir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Há carnes nuas que o frio corta e a nortada  arroxeia a par de equipagens arrogantes mais brunidas que a água  cristalina; vestes roçagantes e sumptuosas, arminhos e púrpuras, crachás  e andrajos. Passeiam na mesma rua a majestade e o andrógino, a bêbeda e  a duquesa, e encontram-se muitas vêzes no mesmo olhar os olhos que são  alvoradas e os que são crateras sempre perpétuas erupções de lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E  na sombra há criaturas emagrecidas pelas privações, recantos sinistros  de infâmia onde a luz debuxa, às vezes, a traços esguios e esqueléticos,  uma caricatura que em lugar de fazer rir faz arrepiar; há gestos de  revolta, meio esboçados, repelentes, grotescos, divinos; punhos  erguidos, caras crispadas, criaturas capazes de agatanhar os pais e lhes  arrancar os olhos para castigo de as ter feito vir ao mundo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E pensa a gente que se foi só para isso todo êste lôdo, tôda esta amargura, que sofreram tôdas as mulheres as dores do parto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Bizarramente,  ao longe, silenciosa e erma como um túmulo, esgarça-se a brancura de  uma casita abandonada, e mais distante, na solidão de uma encosta verde,  umas árvores com seu reumatismo eterno, descarnadas, com seus troncos  como aranhas monstruosas são tristes como à noite e como a desolação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O sol  agoniza e a sombra que desce lentamente amortalha a terra com o seu  manto funerário. Depois surge no céu a lua, muito grande, branca como a  face de uma defunta ou ensanguentada como a cabeça dos guilhotinados.  Então por tôda a terra se eleva o chôro das ribeiras soluçantes, o cicio  longo das fôlhas que se abraçam, enquanto distantes um ou outro galo  perdido solta o seu grito de alarme como o das sentinelas à volta das  prisões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E eu, debruçado sôbre a cidade, escuto o seu  respirar e sinto elevar-se da treva densa que abraça o undo, num surdo  formilhar, o arfar de mil opressos peitos que mal respiram e que  semelham o rabo estertoroso de mil agonizantes"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu comentário à postagem de Antonio foi preciso: "&lt;span data-jsid="text"&gt;Mais vale a descoberta de um escritor como esse  fora das salas da academia do que mil artigos enrugados, rançosos e  repetitivos dos mesmos velhos autores malhados e, nem sempre, tão bons.  ou sequer bons". É mentira, Terta?!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KJJbV8PhR6M/Ts7cQyeiB8I/AAAAAAAABUI/RXfn9HhE6Dk/s1600/Lisboa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-KJJbV8PhR6M/Ts7cQyeiB8I/AAAAAAAABUI/RXfn9HhE6Dk/s400/Lisboa.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-4612902467586936295?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/4612902467586936295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/surpresa-albino-forjas-de-sampaio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4612902467586936295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/4612902467586936295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/surpresa-albino-forjas-de-sampaio.html' title='A Quarta Carta, de Sampaio'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-KJJbV8PhR6M/Ts7cQyeiB8I/AAAAAAAABUI/RXfn9HhE6Dk/s72-c/Lisboa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-828013180602698671</id><published>2011-01-13T14:25:00.001-02:00</published><updated>2011-11-24T01:47:51.261-02:00</updated><title type='text'>Fim do Mundo: A Chapa Esquentou!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quem diga que o mundo já acabou, como eu, e o principal argumento dos que pensam dessa maneira é a barbárie disfarçada de civilização em que nós vivemos e que é a mesma desde que o macaco achou uma boa idéia ficar ereto, cozinhar carne e começar a achar que alguma coisa fosse ou não fosse "dele". Pronto, já estávamos condenados. Mas, para quem prefere a teoria criacionista, a coisa não é muito diferente. Se pensarmos que logo na segunda geração da humanidade já deu a merda que deu, e por pura inveja, chegamos à conclusão de que estamos de fato abandonados. Teologicamente, até estamos: Jesus veio até nós e basicamente disse o seguinte: "ó, 'cês tão lascados! O negócio é andar na linha pra ver se, depois de morto, a coisa melhora, porque aqui não rola nada que preste". De fato, o cristianismo - e todas as religiões em geral - podem ser vistas como um conjunto de normas para se livrar do mal em que vivemos (e que não vai acabar porque esta é a natureza do mundo e da humanidade) e conseguirmos alguma melhora em outra dimensão, ou no Céu, ou no lado de lá, como vocês quiserem. Pois bem, segundo o cristianismo, Jesus vai voltar em breve e dar um fim nessa zona, bem ao estilo "Aê, parô a palhaçada!". O problema é que esta volta está programada para desde que ele se foi pela primeira vez e até agora, nada. Não importa o tipo de merda que a gente faça, a barbaridade que a gente apronte, os sinais que o planeta nos envia todo dia dizendo: "Véi, 'cês são burros ou 'tão fazendo de conta que não tão vendo?", ele não volta. Crueldade com animais, extermínio de nossa própria raça, ganância em escala global, materialismo e consumismo exagerados, Big Brother, não adianta, Cristo não vem! De repente esqueceu; não tem aquela história de que "a casa de meu Pai tem várias moradas"? Já houve quem dissesse que isso foi o mesmo que dizer que há vida se destruindo em outros planetas, o que deve provocar uma visita também àquelas localidades no espaço. Ou pior, como eu costumo dizer, acho que Deus deve estar é de saco cheio mesmo dessa gente burra que não conseguiu evoluir em nada de forma verdadeira em dois mil anos. Dois mil anos contando a partir de Cristo, porque se formos contar desde que o macaco acho que tinha o direito de invadir a caverna de outro macaco só porque a dele não tinha vista para a nascente do Nilo, ou da pororoca entre o Tigre e o Eufrates, ou do Rio Amarelo (depende da teoria do surgimento do homem em que você acredite). Junte tudo isso ao aparecimento de 100 mil peixes mortos sem explicação no rio Arkansas no final do ano passado, nos EUA, e o Apocalipse se torna uma realidade (para quem quiser enxergar assim). Pois é, saiu na Globo News e em praticamente todos os noticiários norte-americanos. E não tem nada que instigue mais uma discussão conspiratório-apocalíptica do que eventos inexplicáveis de morte em massa de animais nos Estados Unidos. Nessas discussões, há sempre duas vertentes que tentam explicar o inexplicável: terrorismo e ira de Deus. Se tivesse que escolher, analisando o Antigo Testamento e as últimas ações do Al-Qaeda, não sei o que seria menos pior... Mas como acho que isso de ira de Deus é um barco que já zarpou e que ele deve estar mais preocupado agora em não cometer os mesmos erros em outros pontos do universo, e como também acho que muito disso de ação terrorista é propaganda do próprio governo norte-americano, sobram os extraterrestres. Mas vamos aos fatos para vocês entenderem melhor do que estou falando sem parar. No final do ano passado, várias mortes coletivas inexplicáveis de animais aconteceram nos Estados Unidos. Primeiro foi a queda, de uma só vez, de três mil pássaros negros na cidade de Bibi, no Arkansas (o nome da cidade já é um mistério por si só. Por sorte, não eram corvos, porque logo apareceria alguém pra ligá-los ao Corvo, do Edgar Alan Poe, e sair nas ruas com um deles nas mãos gritando profeticamente: nevermore! Nevermore! O interessante é que as aves apresentavam sinais de impacto e todas tinham hemorragia, daí uma das teorias mais comentadas na internet ser a de um bando de aves migratórias que deu azar de se chocar com um disco voador camuflado. Ou com o avião invisível da Mulher-Maravilha... Mas depois a chapa esquentou ainda mais! No rio Arkansas apareceram mortos, do nada, 100 mil peixes! Para nós, cariocas e paulistanos, isso não é necessariamente o fim do mundo: já vimos isso incontáveis vezes na lagoa Rodrigo de Freitas e no rio Tietê, mas, para o americanos, é novidade. Exames laboratoriais oficiais ainda não saíram. E nem vão! Imaginem o laudo da matança: "God's Wraith". Mas nem todas as teorias apontam para o fim do mundo (tão desejado?), outras são bem mais light, como a que liga a data da morte dos pássaros à queima de fogos por conta do Reveillón 2010/2011. As hemorragias e os ossos quebrados dos animais seriam explicadas tranquilamente pelo estresse dos animais com o evento, quando muitos podem ter sido atingidos pelas explosões dos fogos. Mesmo assim, testes com armas biológicas ainda são os preferidos no rank das explicações, afinal, qual o estresse provocado nos peixes pela explosão dos fogos? Reflexos brilhantes demais no rio Arkansas?Mas pra não ser injusto com o resto do mundo - porque, afinal, o Apocalipse é para todos - a jurupoca também está piando na Suécia (ou estava...): segundo o site de notícias da Globo News, "cerca de 100 pássaros apareceram mortos nas ruas da localidade sueca de  Falköping, por causas ainda desconhecidas, informam nesta quarta-feira autoridades locais. As gralhas-de-nuca-cinzenta foram encontradas na véspera e estão sendo analisadas pelos veterinários". Aqui no Brasil não temos esses problemas apocalípticos, já estamos até acostumados a gritar: "mas isso é fim do mundo!"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS8mNC-WJ-I/AAAAAAAABJE/OqjX_800UhQ/s1600/p%25C3%25A1ssaro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS8mNC-WJ-I/AAAAAAAABJE/OqjX_800UhQ/s1600/p%25C3%25A1ssaro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;— Eu não vi a tromnbeta do anjo saindo da nuvem...&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS8m6mWabeI/AAAAAAAABJI/3hCLEQhXQV0/s1600/Avi%25C3%25A3o+Invis%25C3%25ADvel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS8m6mWabeI/AAAAAAAABJI/3hCLEQhXQV0/s1600/Avi%25C3%25A3o+Invis%25C3%25ADvel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A  Liga da Justiça informou, em nota oficial, que o avião invisível da  Mulher-Maravilha não estava operando na área no momento da morte das  aves.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-828013180602698671?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/828013180602698671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/fim-do-mundo-chapa-esquentou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/828013180602698671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/828013180602698671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/fim-do-mundo-chapa-esquentou.html' title='Fim do Mundo: A Chapa Esquentou!'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TS8mNC-WJ-I/AAAAAAAABJE/OqjX_800UhQ/s72-c/p%25C3%25A1ssaro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-8914045020468804834</id><published>2011-01-01T00:57:00.001-02:00</published><updated>2011-11-24T01:37:03.681-02:00</updated><title type='text'>Sai 2010, entra 2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre o meu 2010, poderia escrever muita coisa, fazer retrospectivas, críticas, elogios, mas, não sinto essa necessidade. Podia falar de gente que veio e que foi, que voltou, que retornou, que abandonou, que desistiu, que insistiu, que deixei partir, que deixei entrar. Podia falar de cada pequeno detalhe, daqueles que mudam a nossa vida, e que surgem sem pedir licença, como uma música que a gente ouve em algum lugar e, por pura curiosidade, pergunta e descobre: é a nova música da nossa vida, ou a banda, ou o álbum. E os livros? Ah, os livros... Tantos aparecerem, tantos me escolheram, tantos me negaram, tantos, tantos, livros, tantos... Podia chorar uma ou duas pitangas a mais por causa das derrotas desse ano. E foram muitas, e foram sérias. Vai levar um tempo para me recompor. Penso, às vezes, que talvez não percamos nada, de fato. Nessa vida tão rápida, tão significativamente insignificante, viemos sem nada e... Não, filosofia barata de quem não digeriu perdas. Houve ganhos, sem dúvida. O que talvez não seja filosofia barata é o fato de, por conta das perdas, não conseguirmos dar o devido valor aos ganhos. Mas cada um sabe dos repuxos de suas cicatrizes... Talvez 2010 tenha sido, no final, apenas mais um ano, que só teve a falta de sorte de acontecer justamente em 2010. Talvez 2010 tenha sido só isso mesmo, mais um ano, porque, como em todos os anos, não ganhamos todas nem perdemos todas, nos arrebentamos mas temos lá nossas bonanças. Os golpes que sofri em 2010 mudarão para sempre os caminhos de 2011, 2012, 2013... Mas, o que sabemos nós, no final, de caminhos a serem seguidos se nem o primeiro dia de 2011 amanheceu ainda? O que é, então, a projeção dramática de nossas perdas? Nossa própria construção de futuro a partir de um único evento? O mesmo serve para os sucessos. Não, não há dia seguinte; há os momentos, há os segundos, há um dia após o outro... Há, portanto, um ano após o outro, e não deveríamos ter permissão de preenchê-los com nossa imaginação e nossos desejos antes mesmo de se concretizarem em sua própria existência. Mas também não deveríamos ter que carregar cadáveres apodrecidos nos anos passados, mas, que podemos fazer?, nem sempre podemos escolher. Não tenho perspectivas para 2011, porque já aprendi que planos são absolutamente ignorados pelo universo. Posso prometer a mim mesmo que vou tentar viver de forma melhor, porque viver melhor é inevitável quando se assume que se aprendeu e que se amadureceu, até porque, o amadurecimento não deve ser assumido, ele é experimentado, é uma imposição do ritmo da vida, por menor que seja. Acho que só queria dizer mesmo que muita coisa importou em 2010, muita coisa pesou, fui malhado como ferro quente, mas, o que são espadas senão lâminas pacientemente malhadas nas bigornas dos ferreiros mais habilidosos? Acho que só quero dizer mesmo é que 2010 tirou o tapete debaixo dos meus pés, me largou no deserto, tomou meu GPS e disse: agora se vira. Não sei se vou sair sozinho desse deserto. Não sei sequer se vou sair, mas aprendi a ficar perdido no deserto enquanto não encontrar o oásis. E lá vem uma tempestade de areia. 2011 começou. E eu também!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TR6W69dk4rI/AAAAAAAABIc/s7_SFISHcGA/s1600/Camelo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TR6W69dk4rI/AAAAAAAABIc/s7_SFISHcGA/s400/Camelo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Só existe em toda a vida, em todo o mundo, em todos nós, uma única realidade: seguir.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-8914045020468804834?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/8914045020468804834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/2010-raspa-do-tacho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8914045020468804834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8914045020468804834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2011/01/2010-raspa-do-tacho.html' title='Sai 2010, entra 2011'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TR6W69dk4rI/AAAAAAAABIc/s7_SFISHcGA/s72-c/Camelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-2071611104885669607</id><published>2010-12-22T02:04:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T01:31:16.535-02:00</updated><title type='text'>"Mas Chega um dia que o bicho chia"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1944, George Orwell publicava seu livro A Revolução dos Bichos. Conhece? É uma fábula/metáfora sobre os animais de uma fazenda que, já insatisfeitos com a forma como eram explorados pelo seu dono, após a sua morte, resolvem administrar o lugar eles mesmos, mas acabam se transformando, e à sua nova administração, naquilo que eles mesmos combatiam. O livro é, na verdade, uma grande crítica ao regime comunista totalitarista da antiga União Soviética e funciona muito bem até hoje como uma das argumentações contra o comunismo. O que Orwell não podia imaginar, mas que já passou pela cabeça de Hitchcock em &lt;i&gt;Os Pássaros&lt;/i&gt;, é que nós estamos, como o Sr. Jones, o dono da Granja do Solar, como se diz por aí, arrumando idéia... É através da ciência, por exemplo, que estamos abusando dos animais, agora mais do que nunca. Depois que cientistas, em Massachussets (mas afinal, de onde vem esse nome?!), em 1997, fizeram crescer uma orelha humana nas costas de um ratinho, agora foi a vez de transformar outro rato em... passarinho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TRFzF3UnIII/AAAAAAAABH8/exdkWP8z3EA/s1600/Rato+com+orelha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TRFzF3UnIII/AAAAAAAABH8/exdkWP8z3EA/s1600/Rato+com+orelha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Lembra dele? Foi quando eu comecei a achar que Deus disse: "Ah, cara, desisto! Vocês que se lasquem!"&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, esse ratinho não voa, até porque isso não seria novidade: já existe o morcego. A novidade é que cientistas japoneses acabaram de isolar geneticamente, e reproduzir, uma espécie mutante de camundongo que pia como um passarinho!!! Duvida? Dá uma olhada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-da10114dbb3ac58b" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v11.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dda10114dbb3ac58b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330257803%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D78730FE52B45267984F938BBF40E43717627C4BC.4A981C17B99FCC34BC7A9434F061EB25A856B917%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dda10114dbb3ac58b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Djx_IcYuO1MlybU5-Z8fd4VWRFrI&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v11.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dda10114dbb3ac58b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330257803%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D78730FE52B45267984F938BBF40E43717627C4BC.4A981C17B99FCC34BC7A9434F061EB25A856B917%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dda10114dbb3ac58b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Djx_IcYuO1MlybU5-Z8fd4VWRFrI&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Como se já não fosse assustador o suficiente o que estamos fazendo com os animais em nome da "ciência" - e isso é apenas o que nós sabemos, imaginem o que não chega na mídia!!! -, pior ainda e muito mais aterrador foi a declaração de Arikuni Uchimura, líder do Projeto Rato Evoluído (???) na Universidade de Osaka: "Sei que é uma possibilidade remota e muitos dirão que é absurda... mas tenho a esperança de, um dia, criar um Mickey Mouse". (HEIN?!!!)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se você acha que só os ratos vão tratar de nos colocar em nosso devido lugar na escala evolutiva, ou seja, no lixo, engana-se! Os pássaros já estão ficando de saco cheio de não ter mais árvores onde morar nem mais sementes e minhocas que comer e estão começando a comer carne! E não estou falando de aves de rapina, estou falando de bem-te-vis!!! Na cidade de Assis, estado de São Paulo, um bem-te-vi aparece todo dia num açougue da cidade para comer pedacinhos de carne que o açougueiro corta especialmente para ele. Duvida de novo? Lá vai o link:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;http://tn.temmais.com/noticia/8/32284/bem-te-vi_vira_atracao_para_clientes_em_um_acougue_de_assis.htm&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E agora, José? Hitchcock tinha razão e a gente achando que &lt;i&gt;Os Pássaros&lt;/i&gt; era só um bom filme de suspense. Pois é, está chegando o dia em que a Jurupoca vai piar, e olha que ela não é um camundongo e nem vive em Assis!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-2071611104885669607?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/2071611104885669607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/jurupoca-digo-o-camundongo-vai-piar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2071611104885669607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/2071611104885669607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/jurupoca-digo-o-camundongo-vai-piar.html' title='&quot;Mas Chega um dia que o bicho chia&quot;'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TRFzF3UnIII/AAAAAAAABH8/exdkWP8z3EA/s72-c/Rato+com+orelha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-1916063451818497973</id><published>2010-12-22T01:18:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T23:26:35.458-02:00</updated><title type='text'>Foi por Medo de Avião...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;... Que eu me entupi de Rivotril e Lexotan... A música não é assim, mas, no meu caso, bem que poderia ser. A rima nem ficou tão ruim... Tenho medo de avião. Pronto. Tenho medo não, tenho pânico! A paranóia já começa antes de entrar no avião: fico olhando o rosto das pessoas que vão embarcar comigo e imagino qual tem cara de vítima de acidente aéreo. Como sou dramático, se tiver - e sempre tem - uma criança no vôo, é garantido: "é hoje que morro". Eu não tenho medo da morte, quer dizer, não tenho tanto medo dela quanto tenho dos minutos que a antecedem. O que me apavora mais num vôo de avião, ou de asa delta, ou de pára-quedas, helicóptero, qualquer coisa que saia do chão, é saber que vou morrer quando o avião começar a cair. Saber que vamos morrer, todos sabemos, mas não ficamos por aí pensando nisso. Num avião em queda a coisa é um pouco diferente: você só vai pensar na morte!!! E isso é o que mais me apavora; primeiro porque vou ver o filme da minha vida e acho que não tem nenhum Oscar a ser ganho, talvez uma ou outra indicação; depois vem aquela interminável série do "eu podia", "eu devia", "ah, se eu soubesse", etc. O momento seguinte é discurso da consolação: "bom, mas pelo menos...", "ah, mas isso eu fiz" e tal. Tudo isso, é claro, supondo que a queda dê tempo suficiente a todo esse drama, ou se, antes de chegar no chão, o sujeito não enfartar de pânico e estresse. Nessa semana estarei viajando e vou pegar o avião. Como sempre, o mau pressentimento começa mais ou menos uma semana antes do embarque: "eu não devia ir...", "essa é minha última semana de vida"... Como não bebo, tenho ultimamente lançado mão de tranquilizantes, daqueles brabos, mas não têm funcionado muito bem. Eu me sinto meio relaxado, meio idiota, quase rindo sozinho, sabe? Mas ainda estou consciente de que a qualquer momento vou olhar pela janelinha e vou ver o motor em chamas. É essa consciência que me apavora. Talvez tenha que começar a beber nos vôos, ou antes, de preferência antes, porque entrar no avião, pra mim, tem todo um peso ritualístico, mais ou menos como um cortejo fúnebre. Fico com pena das comissárias de vôo... "Essa tem cara de que vai ficar irreconhecível..." Vou tentar ouvir meu iPod dessa vez. Nunca ouvi antes porque acho que, mesmo sendo permitido depois de o vôo se estabilizar, ele vai interferir no funcionamento dos equipamentos e eu mesmo vou selar o meu destino. Na última vez que viajei de avião, quase desliguei o notebook do passageiro ao lado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Quer desligar a porra do notebook, por favor?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Mas eu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Vamos morrer! Vamos todos morrer!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São mais ou menos nesse nível minhas viagens aéreas. Dessa vez a volta tem escalas, uma só. Nunca fiz vôo com escalas, essa será a primeira e provavelmente a última vez, porque já sei que na chegada ao Rio vou me esborrachar em cima do Tom Jobim. Na verdade me esborracharia sem escalas também, mas com escala são duas decolagens e duas aterrisagens. O risco todo é dobrado!!! Dose dobrada de comprimidos. Sempre lembro aos parentes e amigos mais próximos que tenho um testamento impresso no meio dos meus documentos, que inclui o desejo já registrado em cartório e na Santa Casa de ser cremado que, no caso, não precisará ser realizado dada a minha carbonização total com a explosão. Durante essa semana não estou pensando em mais nada a não ser as várias formas de colisão aérea possíveis no meu vôo, que eu não digo qual é porque sabe Deus quem é que me lê e eu não quero mandingas e bocas de sapo com o número do meu vôo! Quando voltar, se voltar, digo pra onde fui e coloco as fotos. Mas, pensando nisso, cheguei a uma conclusão interessante (interessante é eufemismo para perturbada): eu me dei conta de que eu tenho medo de vôos cheios!!! Quando o avião está vazio, eu ainda sinto medo, mas o pânico é bem menor. Será que eu tenho medo de mostrar que tenho medo? Já disse que sou chegado a tragédias e dramas, então, num vôo lotado, uma queda seria muito mais dramática. Num vôo em que estivessem apenas eu e a tripulação, no caso de pane e queda, eu acho que teria até esperança de não morrer! Isso é normal? Claro que não. Bom, faço o que, então?, compro meu próprio jatinho e passo a fazer vôos fretados?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Atenção senhores passageiros do vôo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Como assim "passageiros"??? Sou só eu! Só eu!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí me lembro inevitavelmente do Belchior, cantando "Medo de Avião". Na música do Belchior, entretanto, sentir medo do vôo fez ele se dar bem com uma total estranha no assento ao lado, apenas pegando na sua mão. Com a sorte que eu tenho, conseguiria provavelmente quebrar os dedos do cara mal humorado da poltrona ao lado... Pra quem nunca reparou na letra, em Medo de Avião Belchior mostra que, ao beber, o medo de avião desaparece, qualquer aeromoça fica sexy e a pessoa fica totalmente incapacitada para fazer rimas em letras de músicas, do tipo &lt;i&gt;James Dean&lt;/i&gt; com &lt;i&gt;cetim &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;todo mundo compreende&lt;/i&gt; com &lt;i&gt;I wanna hold your hand&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-92ea08ac7cd8e47c" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v24.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D92ea08ac7cd8e47c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330257803%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D69816ED40A038A552457E40679B927EFD3DA3724.870A686CAAA4717F90A530D014A69614D81359A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D92ea08ac7cd8e47c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D5jQadwEL7D5QVzZp06kMP9G8kVc&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v24.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D92ea08ac7cd8e47c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330257803%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D69816ED40A038A552457E40679B927EFD3DA3724.870A686CAAA4717F90A530D014A69614D81359A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D92ea08ac7cd8e47c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D5jQadwEL7D5QVzZp06kMP9G8kVc&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Reparem que o vídeo não ajuda em nada quem tem medo de avião. Que cenário é esse com as poltronas do avião na areia da praia e Belchior como único sobrevivente??? É óbvio que esse avião caiu!!! Mas o Belchior está tão chapado trocando I Wanna Hold Your Hand com James Dean que nem sabe que morreu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-akFYPCQKxQA/Ts7uxOB8Q5I/AAAAAAAABXI/OaJvBvV-sxc/s1600/apertem-os-cintos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://2.bp.blogspot.com/-akFYPCQKxQA/Ts7uxOB8Q5I/AAAAAAAABXI/OaJvBvV-sxc/s320/apertem-os-cintos.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-1916063451818497973?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/1916063451818497973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/foi-por-medo-de-aviao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1916063451818497973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/1916063451818497973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/foi-por-medo-de-aviao.html' title='Foi por Medo de Avião...'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-akFYPCQKxQA/Ts7uxOB8Q5I/AAAAAAAABXI/OaJvBvV-sxc/s72-c/apertem-os-cintos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-5549484199983757891</id><published>2010-12-20T22:02:00.004-02:00</published><updated>2011-11-25T01:43:53.153-02:00</updated><title type='text'>Natal de verdade é na Idade Média!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre briguei com o Natal. Talvez fosse uma questão pessoal, alguma coisa mal resolvida, ou seja, um problema meu de cuja visão míope comecei a transformar em bandeira ideológica. Mas, depois, com o tempo, vi que natais são mesmo conflituosos. Há excessões, para tudo há excessões, mas, até onde sei, vivi, convivi, li e ouvi, todo Natal tem uma pitada de incômodo. Às vezes pode não ser aparente nem tão óbvio, afinal, Natal é época de sermos gentis com o próximo, de amarmos amigos e inimigos e de fazermos reinar a Paz na Terra. Não é isso que dizem os comerciais de supermercado na TV? Não é isso que diz a tradição judaico-cristã-ocidental? Que haja famílias que se reunam no Natal porque gostam de se reunir e qualquer pretexto é pretexto, tudo bem, eu entendo e conheço vários casos assim, mas não me venham dizer que é por causa do Natal, porque não é. Troca de presentes, amigo oculto, ceia na casa de amigos e parentes, duvido muito que o Natal sobrevivesse sem a ajuda dessas muletas. Faz-se isso tudo, é verdade, para que as reuniões familiares sejam mais alegres, mais divertidas, claro! Ótimo que seja assim! Natal com todo mundo sentado na sala vendo "Milagre na Rua 34" não é Natal, é um convite ao genocídio! Então, o que é o Natal? O que deveríamos nós, meros mortais de mãos atadas pela tradição e pelo conformismo capitalista estarmos fazendo na noite de Natal? Orando? Pois é. Isso de a gente ler muito nem sempre traz só prejuízos na vida social. O fato de eu estudar literatura medieval me fez ler também sobre teologia e filosofia medievais. Calma, calma! Não vou falar disso aqui! Vou pegar leve, prometo. Toda essa leitura e estudo acabaram me fazendo entender que na Idade Média toda aquela história de tudo estar ligado a Deus, a Cristo, à Igreja e tal não era de graça. Não só tinha uma razão de ser como essa razão não era por medo da Igreja, ou por ignorância (bastante discutível e hoje já não tão levada à sério assim pelos estudiosos da área), mas por fé, por pura fé, a fé na Salvação através de Cristo. Hoje nós estamos bem distantes do que era aquela mentalidade, talvez nem tanto assim, e fica muito difícil entender como era essa relação de júbilo e arrebatamento pelo simples fato de Deus ter encarnado entre nós na pessoa de seu próprio filho Jesus. E faz todo o sentido: tanto que a sociedade de consumo nos anestesia e nos distancia da razão primeira do Natal, que o nascimento de Cristo acaba ficando banalizado. Não digo que as intenções tenham se banalizado todas, mas, acho, que cartões de natal e papel de presente com motivos religiosos acabaram por fazer desse evento apenas um anexo. Traduzindo (grosso modo): as crianças ganham seus playstatons juntamente com um cartão de Natal estampando o nascimento de Cristo. Ora, nada contra as crianças ganharem playstations, eu mesmo ainda estou querendo o meu, mas, misturar as coisas? Não me parece certo, ou adequado. Não somos mais medievais, e isso também deveria contar um pouco a favor daqueles que dão carros de presente juntamente com a frase Feliz Natal. Um pequeno exercício de lucidez para mostrar que não estou assim tão equivocado. Faz sentido, me respondam sinceramente se estiverem ainda aí, faz sentido a frase "Feliz Natal" acompanhada de um presente? Se entendemos que "Feliz Natal" está sendo usado com o sentido comercial, sim, mas, e o sentido primeiro, o sentido medieval da Salvação da alma através de Cristo? O que veio a ser, então, o "Feliz Natal"? Uma noite de paz? Porra, só uma noite? Uma demonstração de amor porque eu ou dei um presente ou apenas desejei Feliz Natal? Desculpem, mas me parece pura convenção, uma grande bobagem totalmente sem sentido. Vamos a um exemplo prático. Respondam vocês mesmos: quando vocês desejam Feliz Natal a, digamos, o porteiro do prédio onde moram, o que vocês estão realmente querendo dizer com isso? Não estou afirmando que haja má vontade ou falsidade, mas, o que é isso, afinal, que estamos falando? Será que estamos prestando atenção ao que estamos fazendo? Talvez a questão seja essa: não estamos mais "ouvindo" o que estamos dizendo: é tudo muito plástico, descartável, "apropriado". Que não seja para o porteiro o seu Feliz Natal, que seja o telefonema para um amigo. Qual é, afinal, sendo vocês já amigos - e estou falando de uma amizade sincera, não essas bobagens de redes de relacionamento - a grande valia de um telefonema desses? E se você não ligar, o que eu devo presumir? Que você não gosta mais de mim, que quer que eu me lasque no Natal? Ora, você é meu amigo, gosto de você não porque é Natal e não vou deixar de gostar porque você não me ligou no Natal! Quantas vezes nos pegamos dizendo: "Ih, quase me esqueci de ligar para fulano para desejar um Feliz Natal"? Ou então: "Tenho que ligar para ciclano, não posso deixar de falar com ele no Natal". Por favor, alguém me explique porque eu não entendo... Que obrigação é essa? Se me disserem que "isso vai fazer fulano e ciclano se sentirem melhor" então a coisa é mais séria do que eu imagino, porque então nós podemos deixar o fulano e o ciclano mal durante todos os outros dias do ano e obtermos nossa redenção com apenas um telefonema? Nada disso dizia respeito ás primeiras festas natalinas, e foi tentando entender como a mentalidade dos medievais funcionava que me aprofundei na questão esse ano. É claro que recontextualizar essa experiência cultural é impossível. Pode-se chegar perto de várias maneiras, mas não há como abdicarmos de nossa própria cultura para retomarmos outra apenas descrita nos livros. Contudo, há meios para uma maior, uma muitíssimo maior aproximação: senti-la através da música. A música é linguagem universal, é emoção pura, faz-nos chorar sem sabermos por que, faz-nos rir sem sabermos por que razão igualmente: ela fala diretamente à alma sem passar pela razão. É aí que é possível um entendimento muito próximo da vivência cultural que não é nossa. Não é só a música, naturalmente, mas é a música baseada em todo o tipo de conhecimento sobre de onde ela vem e de que forma foi produzida. No meu caso, depois de tanta overdose de Idade Média teórica e tantos quadros e catedrais e vestimentas e documentos, enfim, já próximo o máximo possível de entendê-los, eis que um dia uma música me encontra (porque, como vocês sabem, são as músicas, os livros e os filmes de nossa vida que nos encontram, e não o contrário): "I saw three ships", uma composição natalina de um dos CDs de música medieval que eu tenho. A composição, anônima, provavelmente do século XV ou XVI mas escrita pela primeira vez como partitura no século XVII ou XVIII, fala exatamente desse tal sentido de Natal a que venho me referindo, resume perfeitamente o sentimento natalino comum e genuíno da Antiguidade, esse do qual nos afastamos tanto. Esse sentido é muito simples: o Natal é a época de nos sentirmos felizes pelo simples fato de Jesus ter nascido, porque agora há Salvação para cada um de nós. Não vou entrar no mérito religioso da questão. Não digo que essa Salvação seja verdade ou mentira, ou se Jesus era filho de Deus ou não, não é esse o ponto aqui. Fé não se discute. O ponto, entretanto, é ter redescoberto, sentido na pele o que é o tal Feliz Natal que tanto anunciamos por aí a torto e a direito, por entre os dentes, meio sem graça, sem olhar nos olhos, sem saber muito bem o que significa isso. O Feliz Natal na verdade nem se deseja, se compartilha, porque é inerente à própria festividade, à própria época do ano e à própria condição do homem na Terra, segundo a fé cristã. Em outras palavras: se soubéssemos mesmo o que estamos fazendo, não precisaríamos ter de dizer Feliz Natal uns aos outros, porque o Feliz Natal é, ainda que coletivo, muito mais pessoal; é de nós para nós mesmos; é estarmos felizes porque seremos salvos, não porque queremos que o outro tenha saúde e paz ou prosperidade. Podemos até querer isso, por que não? Mas não é a saúde, a paz ou a prosperidade que importam no verdadeiro sentido do Natal, porque tudo isso é passageiro, e era essa a mentalidade medieval, e era isso que eu senti quando, ao ouvir I Saw Three Ships - a versão que está no vídeo que eu fiz é do Sting mas reproduz fielmente o tom, os instrumentos, a melodia e a harmonia da versão original -, consegui completar uma cadeia de raciocínio e entendimento, que da lógica se transformou em experiência, ou quase experiência. Isso, contudo, é o que eu penso, o que eu sinto e o que eu acredito. O fato é que, goste eu ou não, o Natal mudou, porque as sociedades mudam, as mentalidades mudam e as pessoas também. Sei que talvez possa estar numa épica quixotesca, tentando resgatar uma mentalidade morta que deu lugar à outra e cedeu-lhe nomes e instituições, mas não os valores. O Natal de hoje (e lá se vão alguns séculos nesse "hoje") não é, com certeza, o que foi o Natal, digamos, original. Nada mais no Natal de hoje é original: tudo é um grande pastiche, uma grande distorção do que já foi um dia. As mudanças, é verdade, são inevitáveis. Como os casamentos! Os casamentos não são mais como eram antes. As famílias não são mais o que eram antes. A escola não é mais o que era antes. Mas, e então? Bater na mesma tecla arriscando um retrocesso ou até mesmo a supressão de boas idéias inovadoras? Não, é claro. Mas, o que posso dizer é que, quando entendi profundamente o que é o Natal verdadeiramente, não consegui mais me adequar ao que ele é hoje. Talvez o grande problema seja chamar o que temos hoje de Natal... Então, no ano que vem, ou ainda esse ano, quem sabe, você puder tentar compreender o que é verdadeiramente o Natal, tente. Pode ser que você pague um preço grande, mas a leveza de alma, o sentimento de liberdade de uma prisão cultural e a chance de contaminar outras pessoas com a mesma nova/velha visão são tão maiores, tão mais gratificantes, tão mais nobres, tão mais genuínas, que qualquer preço vai se tornar um mero detalhe, um mero enfeite desbotado numa árvore de natal barata de plástico coberta de neve de isopor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-d1e98ee7128696e4" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v1.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dd1e98ee7128696e4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330257803%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D26CCF3C1EE26161E2D4EEC11B249CDF94AF6358B.49F720C4DBEB18F1AB2B4F1CEDC7FB4EA22B6FC3%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dd1e98ee7128696e4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DbBzM-jC8trZLjMytj0UwmJ-3TrU&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v1.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dd1e98ee7128696e4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330257803%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D26CCF3C1EE26161E2D4EEC11B249CDF94AF6358B.49F720C4DBEB18F1AB2B4F1CEDC7FB4EA22B6FC3%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dd1e98ee7128696e4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DbBzM-jC8trZLjMytj0UwmJ-3TrU&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5VV2FAfTryc/Ts7a0ggd8uI/AAAAAAAABUA/_cs4ZiSOdLk/s1600/Medieval.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-5VV2FAfTryc/Ts7a0ggd8uI/AAAAAAAABUA/_cs4ZiSOdLk/s320/Medieval.jpeg" width="315" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-5549484199983757891?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/5549484199983757891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/o-verdadeiro-sentido-do-natal-medieval.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5549484199983757891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/5549484199983757891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/o-verdadeiro-sentido-do-natal-medieval.html' title='Natal de verdade é na Idade Média!'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5VV2FAfTryc/Ts7a0ggd8uI/AAAAAAAABUA/_cs4ZiSOdLk/s72-c/Medieval.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-8586586684282469951</id><published>2010-12-06T20:00:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T01:02:14.697-02:00</updated><title type='text'>Minha Lenda Urbana</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lendas urbanas sempre cativaram as pessoas pelo mistério que as envolve. Como não é possível provar que elas não passam de narrativas inventadas mas também é impossível provar que elas têm um fundo de verdade, a possibilidade de elas se transformarem em domínio público e particular lhes dá cada vez mais força. Traduzindo: o que fascina na lenda urbana é que aquele que a propaga pode adicionar seus próprios elementos narrativos, tornando-se um pouco dono dela. Por exemplo, lembram-se da Loira do Banheiro, a tal mulher morta de branco que aparecia nos banheiros dos colégios na década de 70 com força irrevogável de verdade, com direito a testemunhos de deixar a gente sem dormir? Essa loira foi, até onde me lembro, a primeira lenda urbana que circulou pela tradição oral da classe média adolescente naquela época. Confesso que nunca a vi, mas confesso também que eu não tinha coragem de ir ao banheiro sozinho no colégio, principalmente durante as aulas, quando todo mundo estava em sala e só você, "alone in the dark", estava vulnerável à aparição no banheiro. Aliás, já pararam pra imaginar o colégio de vocês totalmente vazio, no finalzinho da tarde, e vocês tendo que ir ao banheiro? A imaginação faz aparecer qualquer coisa! Na melhor das hipóteses, uma loira de branco com olhos enevoados e um filete de sangue escorrendo pela boca e outro pelo nariz, flutuando bem no meio do banheiro e encarando a gente! Lendo assim a gente até ri, mas, vai lá pra ver se vocês não vão pelo menos dar uma olhadinha para o lado de canto de olho... Lendas urbanas são tão legais que viram filme, e os filmes geram ainda mais lendas urbanas, e essas lendas urbanas acabam se tornando nossas vizinhas, convivem com a gente diariamente, se tornam personagens da nossa cultura, do nosso folclore e da nossa vida, a ponto de não sabermos (mesmo!) em que acreditar. É o efeito &lt;i&gt;Putois&lt;/i&gt;, nome de um personagem de um conto de Anatole France em que as narrativas em torno de um personagem inventado acabam ficando tão intrincadas e realistas que sua existência passa a ser incontestável. Lendas urbanas são ótimas, até que você começa a ser perseguido por uma delas, como é o meu caso. Já faz um tempo eu tenho tido a sensação nítida de que alguém vem me observando. Vocês sabem, é aquele frio na espinha que sentimos de repente no corredor, ou na cozinha, que faz a gente olhar para trás, sabem? Acontece que essa sensação começou a ter rosto e corpo. Minha lenda urbana (eu prefiro chamar minha esquizofrenia paranóica de lenda urbana por motivos óbvios) nunca se manifestou nitidamente, digo, nunca pude vê-la como se fosse algo real, mas quando sinto aquela sensação de que ela está presente no recinto e que a qualquer momento vai pular de trás da porta e vir pra cima de mim, visualizo-a perfeitamente na minha mente. Na minta mente, ok, ainda não estou vendo coisas. Ouvir já são outros quinhentos... Eu acabei chamando minha lenda urbana de mulher-aranha. Nada original, mas é com quem ela se parece. Eu só não a desenho porque a coisa pode tomar um rumo sem volta que não vai prestar, então vou só descrevê-la. Ela é alta, mas anda curvada. Tem a pele toda cinza e o aspecto de cadáver, mas não exageradamente, quero dizer, um recém-defunto, não chega a ser um zumbi. Os olhos são excessivamente grandes, desproporcionais às órbitas, e são escuros, como olhos de aliens, mas não são amendoados, são redondos, e tem uma espécie de contorno ao redor, que nem casquinha de pizza. O nariz, bem, ela não tem nariz, tem dois rasgos quase verticais que seriam as narinas, e a boca é muito grande, com dentes afiados e está sempre aberta. Se você pensou no Michael Jackson de óculos escuros, é por aí. Os cabelos são negros e compridos e não estão desarrumados, fazem o tipo ondulado com a chapinha já no fim. Sempre que ela resolve "aparecer", "vejo" a moça com os braços para cima, ameaçadoramente, como se fosse pular em mim (e é disso que eu tenho mais medo, do sentir o susto, a surpresa, do que dela em si). Dizem que essa mulher-aranha é totalmente urbana e cosmopolita: gosta de se esgueirar entre escadarias de edifícios residenciais e apartamentos, incluindo os elevadores. Até hoje não se tem relato dessa lenda urbana em outros prédios, como escolas, igrejas, fábricas ou mesmo casas; a mulher-aranha gosta de prédios e tem predileção pelas cozinhas e, se a cozinha tiver ainda uma área de serviço, ah, meus amigos, aí é aparição na certa!!! Por enquanto ela só apareceu na minha mente, o que já está de bom tamanho; até porque minha medicação está controlada. Mas às vezes sinto que é uma questão de tempo até que ela pule na minha frente e corra na minha direção como a Konga, a mulher-gorila. Eu nunca assisti ao show da Konga, nos distantes anos 80, no Tivoli Park da Lagoa, mas assisti à Monga!, em Canela, no Rio Grande do Sul. Pode ser que eu tenha ficado traumatizado com a Monga (bem pouco meritório, não?), mas, como a minha Monga é muito mais aranha do que gorila, desconfio que não haja conexão entre elas. Então, se vocês ouvirem mais histórias da mulher-aranha, comecem a botar alguma fé, e por favor desfaçam a impressão de que eu sou absolutamente desequilibrado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TP1b-yanhbI/AAAAAAAABGg/lu49C37gftM/s1600/spider-woman-avengers.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TP1b-yanhbI/AAAAAAAABGg/lu49C37gftM/s400/spider-woman-avengers.jpg" width="264" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é a mulher-aranha que me persegue? Não, quem dera! Mas é parecida. Quer dizer, pegue essa mulher-aranha, jogue num tanque de ácido, depois debaixo de um caminhão na Avenida Brasil, deixa-a enterrada viva por um mês mais ou menos e troque o &lt;i&gt;colant &lt;/i&gt;vermelho e amarelo por um vestidinho cinza e roto e pronto, é o que está no quarto de empregada esperando eu entrar na cozinha...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-8586586684282469951?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/8586586684282469951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/lenda-urbana-pessoal.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8586586684282469951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/8586586684282469951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/lenda-urbana-pessoal.html' title='Minha Lenda Urbana'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TP1b-yanhbI/AAAAAAAABGg/lu49C37gftM/s72-c/spider-woman-avengers.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-7048459418339281395</id><published>2010-12-02T16:18:00.007-02:00</published><updated>2011-11-24T00:55:03.447-02:00</updated><title type='text'>Conversa de Geladeira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se já comentei aqui, mas meu melhores textos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;espocam&lt;/span&gt;  (já tinham visto esse verbo conjugado sem ser no gerúndio?) - supondo  que eu tenha algum "melhor texto" - enquanto estou em frente à  geladeira. E comendo. Cada um com sua inspiração, fazer o quê? Minha  musa só trabalha de barriga cheia e não gosta de refeições com hora  marcada, do tipo café, almoço e jantar; ela prefere beliscar o dia  inteiro, principalmente à noite. Pode ser castanha de caju, amendoim, um  pãozinho de milho com peito de peru, às vezes um sanduíche natural, uma  azeitona sem caroço, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;cream&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;cracker&lt;/span&gt; (que já podíamos ter &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;aportuguesado&lt;/span&gt;, não? Vou tentar: creme &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;cráquer&lt;/span&gt;. Pronto.) de água com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;gergelim&lt;/span&gt; e requeijão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;light&lt;/span&gt;, naturalmente. Então meu processo de criação é mais ou menos esse. &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Não&lt;/span&gt; fico remoendo os textos durante horas para depois escrevê-los. O máximo que faço é anotar algumas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;idéias&lt;/span&gt; e deixo-as por perto. Mais para o final da tarde, que é a hora em que minha musa inspiradora provavelmente acabou de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;acordar&lt;/span&gt;, é que começo a elaborar com ela as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;idéias&lt;/span&gt;  que já deixara escritas. E como fazemos isso? Da mesma forma como você  recebe suas visitas em casa: com um pé na cozinha. Assim que ela chega  (preciso perguntar-lhe o nome qualquer dia desses, mas desconfio que  seja a própria &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Polímnia&lt;/span&gt;, a musa das narrativas), vamos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;direto&lt;/span&gt; para a cozinha. Dividimos sem nenhuma pressa os creme &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;cráqueres&lt;/span&gt; passados no requeijão (sim, eu não passo o requeijão no biscoito - ou na bolacha, em homenagem aos leitores &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;paulistanos&lt;/span&gt;, supondo que eu tenha leitores &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;paulistanos&lt;/span&gt; - e sim o biscoito no requeijão. Ele é picotado no meio, então ficam duas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;tirinhas&lt;/span&gt; finas que cabem no copo. Deviam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;experimentar&lt;/span&gt;!) e eu, que já sou mesmo mais calado, escuto mais do que falo. E como escuto! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Póli&lt;/span&gt;  (já estou abusando da intimidade da moça) fala pelos cotovelos;  provavelmente é a única mulher que suporto falando pelos cotovelos,  embora isso seja uma redundância não isenta de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;exceções&lt;/span&gt;. Raríssimas! Nem sempre dividimos creme &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;cráqueres&lt;/span&gt;  com requeijão. Às vezes liquidamos um saquinho de amendoim sem nos  darmos conta. E é assim que os meus textos surgem. Não só os do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Testamenta&lt;/span&gt;,  mas algumas narrativas que já publiquei e outras que logo logo estarão  em livrarias, incluindo meu primeiro grande romance que está,  pobrezinho, atrelado à minha tese de doutorado... Nem sempre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Póli&lt;/span&gt;  aparece. Tem épocas em que ela nem sequer manda um email (ligar, nem  pensar! Ela também já desistiu de me achar no celular), um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;insight&lt;/span&gt;,  nada! Nessas ocasiões em que não tenho inspiração mas a comichão de  escrever os textos me saem um pouco mais sofridos, são os textos mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;intimistas&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Póli&lt;/span&gt; gosta de variedades. Se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Póli&lt;/span&gt; fosse dona de uma revista acho que ela seria dona da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Su&lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;perinteressante&lt;/span&gt;. Se fosse editora, publicaria livros de contos, algumas novelas. Não acho que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Póli&lt;/span&gt;  tenha muita paciência para longos romances, ela é mais ligeira, deve  ter a cabeça a mil por hora. Por isso mesmo acho que é possível  atribuir-lhe também o título de musa dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;blogueiros&lt;/span&gt;, contistas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;epigramatistas&lt;/span&gt; e, por que não, se a questão é o tamanho dos textos, dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;twitteiros&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;Foi numa dessas animadas conversas, regadas à muita &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Pepsi&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Twist&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;Light&lt;/span&gt; (ou, quando ambos estamos com peso na consciência, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Matte&lt;/span&gt; Leão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;Diet&lt;/span&gt; com Limão) que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Póli&lt;/span&gt; me soprou um texto que era óbvio, mas, como se sabe, tudo o que é óbvio tem a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;car&lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;acterística&lt;/span&gt; furtiva de nos passar despercebido. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Antonio&lt;/span&gt;, disse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Póli&lt;/span&gt;, já pensou em como a geladeira é o lugar da casa que mais se identifica &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;conosco&lt;/span&gt; e o que nos dá mais segurança? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;Refleti&lt;/span&gt; sobre o assunto... A geladeira? Claro, explicou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Póli&lt;/span&gt;,  quando chegamos em casa num dia de calor, por exemplo, para onde  corremos? Para a geladeira para nos servirmos da bebida gelada de que  mais gostamos, certo? Certo, disse. E os nossos alimentos? E na hora de  matarmos a fome, ou só fazermos nossos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;lanchinhos&lt;/span&gt;,  como esses nossos aperitivos literários (gostei muito do apelido que  ela deu para os nossos encontros, dá até nome de Café!), já imaginou se  encontrássemos nossa geladeira arrumada de outra forma?, ou sem aquilo  que mais gostamos e dentro dela guardamos? Onde está o requeijão? Onde  estão as azeitonas, o alface, a cebola e o tomate para o sanduíche  natural de peito de peru? Meus Deus, onde foram parar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;polenguinhos&lt;/span&gt;?!!  E de repente toda a vida parece desabar porque o estranhamento da não  mais reconhecermos nossa geladeira acaba contaminando toda a nossa familiaridade &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;habitacional&lt;/span&gt;,  nosso lar! Tudo começa a fugir do controle! Que garrafa de água é essa?  Eu só bebo água em garrafa de vidro, essa é de plástico! E o que diabos  faz esse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;quiabo&lt;/span&gt;  aqui dentro?!! Mesmo achando um pouquinho de exagero, não discordei.  Afinal, ela é a musa das narrativas. Se nossa casa é nosso porto seguro,  a geladeira é o porto seguro dentro de nossas casas. É para lá que  vamos depois que acordamos, antes de dormirmos. Mas escovamos os dentes  antes, eu disse. Meros detalhes narrativos, corrigiu-me ela com um tom  de "não interrompa a musa, porra!", que não interferem decididamente na  trama. Eu também estava inspirado, mas mulher, sabe como é, mesmo sendo  musa, quando quer argumentar, melhor deixar terminar... Acho que você  devia escrever sobre a geladeira, disse ela pegando um quadradinho de  chocolate meio-amargo da gôndola superior que fica na porta, sabem,  aquela que vem logo abaixo do porta-ovos. É, disse, pode ser. Trocamos  mais algumas amenidades e anotei a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;idéia&lt;/span&gt;.  Já estava tarde, umas três da manhã, hora em que começo a ficar  sonolento e assim também os textos produzidos por essa hora da  madrugada. Então resolvi esperar e pronto, cá estamos eu, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Póli&lt;/span&gt;, vocês e a minha geladeira. Da próxima, tragam os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;provolones&lt;/span&gt; e as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;pastinhas&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;Póli&lt;/span&gt; gosta das de atum.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPfjKaPltSI/AAAAAAAABBc/qwvOZsBPqZI/s1600/Poli.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="200" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546151234112959778" src="http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPfjKaPltSI/AAAAAAAABBc/qwvOZsBPqZI/s200/Poli.jpg" style="display: block; height: 489px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 314px;" width="128" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPfjLBdT1xI/AAAAAAAABBs/hhgh-p2A4tk/s1600/Poli3.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546151244639491858" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPfjLBdT1xI/AAAAAAAABBs/hhgh-p2A4tk/s400/Poli3.JPG" style="cursor: pointer; display: block; height: 433px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 287px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Póli, quando não está comendo está pensando, ou falando pelos mitológicos cotovelos, ou falando e comendo, também pelos cotovelos. E eu a prestar atenção em tudo o que a musa diz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPhjWesPXQI/AAAAAAAABCo/2NvkpqwRxYk/s1600/Geladeira.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546292178953657602" src="http://3.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPhjWesPXQI/AAAAAAAABCo/2NvkpqwRxYk/s400/Geladeira.JPG" style="cursor: pointer; display: block; height: 326px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-7048459418339281395?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/7048459418339281395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/conversa-de-geladeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7048459418339281395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/7048459418339281395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/12/conversa-de-geladeira.html' title='Conversa de Geladeira'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TPfjKaPltSI/AAAAAAAABBc/qwvOZsBPqZI/s72-c/Poli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-726562570798818743</id><published>2010-11-19T06:29:00.004-02:00</published><updated>2010-11-19T08:34:20.644-02:00</updated><title type='text'>Teologia às Seis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje acordei cedo. Às seis horas já estava de pé. De pé e desorientado, porque nem meu corpo nem minha mente sabem o que fazer a essa hora da madrugada, acostumados que estão a acordarem pelo menos às dez horas. Boa vida? Nada disso. Quem dera. Culpa do meu relógio biológico que me faz dormir às três, quatro da manhã, e outro dia vi na televisão que é uma grande bobagem contrariar nosso relógio biológico. O meu é meio destrambelhado: também não tem hora certa para comer. Aliás, não tem hora certa para nada. Seria hippie se vivêssemos há uns trinta anos atrás, mas, como estamos – e não me pergunte como conseguimos chegar até aqui – em 2010, é pós-moderno, de vanguarda. Maluquinho de pedra. Totalmente desajustado. Pensei, ou melhor, intuí – porque a essa hora do dia não penso, vou apenas no piloto automático – que deveria comer um cream cracker de água e gergelim – e nem por isso emagreço – com uns golinhos de refrigerante – posso morrer em paz? Obrigado! – e depois voltar para a cama. Meu dia é cheio, não me julguem mal, só não está em compasso com o seu. Foi quando, no caminho até a cozinha – as menores distâncias são maratonas para mim às seis da manhã – o sol, laranja, ainda pela metade, me chamou. Chamou mesmo! Às seis da manhã não julgo alucinações, visagens, demência nem surtos psicóticos; dou corda. Ainda disse: “eu?”. Era eu mesmo. O sol me disse que iria me contar a Verdade. Às seis da manhã a gente não discute com o sol se ele quer dizer a Verdade. “Você quer saber a Verdade? Eu vou te contar a Verdade. A Verdade é que hoje muitas pessoas morrerão. Haverá terremotos, enchentes, doenças e várias tragédias. Seremos todos enganados, traídos, manipulados, prejudicados, roubados, assassinados e haverá muito sofrimento. Perderemos parentes, empregos, amigos, oportunidades, dentes, cabelos e toda a esperança. Hoje os inocentes se perguntarão mais uma vez “por que eu?”, sem desconfiar, ou fingindo não saber, que não há inocentes. Hoje crianças em todo o mundo morrerão de fome, de parto, de violência doméstica, de violência urbana, de violência, enfim. Hoje vamos enterrar tanta gente... Hoje vamos nos endividar, sair para trabalhar em nossos carros zero quilômetro que a televisão disse que devíamos ter, para juntar mais dinheiro para pagar as contas de nossas casas, apartamentos iguais aos de todo mundo mas, ainda assim, nossos. E vamos ficar presos no trânsito como ficamos todos os dias, e vamos reclamar, e vamos no estressar e vamos maldizer o infeliz que nos fechou e desejar do fundo de nosso coração que ele se arrebente no poste mais próximo. Hoje muitos animais morrerão em todo o mundo. Muitos serão mortos porque precisamos continuar freqüentando restaurantes chiques, ou só comer um sanduíche rápido na hora do almoço. Outros morrerão por pura crueldade, ódio, indiferença, ignorância. Hoje vamos assistir indiferentes a todas essas tragédias cotidianas nos telejornais da noite, indiferentes; as mesmas tragédias de que já tomamos conhecimento pelos jornais da manhã, entregues na nossa porta ou comprados nas bancas. Gostamos mesmo de tragédias. Hoje haverá histeria coletiva por causa dos mercados financeiros. Hoje contaremos nossos centavos como se fossem nossas últimas economias. Hoje vamos passar pelos moradores de rua e vamos ignorá-los e desejar que não estivessem ali. Hoje, com um pouco de sorte, veremos mais uma guerra surgir, ou só acompanhar as que já estão por aí, sem motivo, ou por motivos tão incompreensíveis e ridículos, mas que, mesmo assim, fazem o mais velho e mais novo soldados rangerem os dentes de um ódio ancestral e justificado. Essa é a Verdade, porque essa é a natureza do mundo. Veja, não estou preocupado nem interessado se isso é ou não de seu agrado, isso é apenas a Verdade, a rotina do mundo, o dia a dia da humanidade. E ponto. Hoje odiaremos, invejaremos, desejaremos o mal, matar-nos-emos uns aos outros por causa de dinheiro, ou vingança... Hoje os pobres do mundo inteiro, com fome, verão milhões de emails falando de causas nobres e campanhas humanitárias atravessarem o éter virtual e continuarão com fome. A tudo isso e muito mais você pode chamar de Mal, ou de Inferno, ou de Mundo Cão, não importa. Pode colocar a culpa no Diabo, nas Trevas, na índole humana, não faz diferença. Não faz diferença porque tudo isso vai acontecer de novo, da mesma forma que aconteceu ontem e que vai acontecer de novo amanhã, chame você do que quiser chamar. Não faz diferença. Hoje você pedirá muitas coisas a Deus e aos santos, e nenhum deles irá lhe atender. Pessoas queridas morrerão doentes, entrevistas de emprego não se reverterão em emprego e aquela prova de matemática para a qual você não estudou vai ser mesmo difícil e você vai tirar uma nota ruim, porque a morte faz parte da vida, apenas um entre mil pode ter aquele emprego e normalmente, exceto um golpe de sorte, a que talvez você atribua a Deus, colhemos o que plantamos. Não tenha dúvidas: hoje haverá sofrimento em todo o mundo, porque esta é a natureza do mundo. Não faz diferença se Deus existe ou não, se ele é misericordioso ou não, se ele deu às costas para a humanidade ou para apenas alguns de nós ou não. Hoje haverá fome em todo o mundo, e doenças, e guerra, e indiferença. Você pode se esconder atrás de seu trabalho, em sua casa, em suas convicções, em suas utopias e em suas crenças, mas o sofrimento vai estar ao seu lado mais uma vez”. E assim, o sol parou de falar, depois que me mostrou a Verdade. Disse ele ainda depois de um tempo em silencio: “Há muito mais, a Verdade é ainda pior, mas não há porque descrever os detalhes, não é preciso”. E calou-se novamente. Eu, que, às seis horas da manhã não distingo a realidade da imaginação, fiquei quieto. Pensei, ou melhor, ruminei tudo aquilo que o sol havia dito e acabei tendo que concordar com ele. Essa é a única Verdade. Tudo aquilo não me deixou ir para a cama de novo. Hoje o meu relógio biológico também levou o dele nas fuças. Desci e fui dar uma volta para, sei lá, digerir a Verdade da melhor forma possível. Sentei-me num banco da praça, por mais lugar-comum literário que isso possa ser, mas, ora, lá estão os bancos na praça, queiramos ou não e, de repente, um vira-lata se aproxima timidamente e se aninha aos meus pés. Que podia fazer eu além de um afago no animal. Talvez ele também tivesse ouvido do Sol a Verdade hoje às seis. Uns minutos a mais e a cidade, parecendo ignorar ou fingindo não acreditar que viveria, mais uma vez, de novo, toda a Verdade de que tomei conhecimento como a Verdade do mundo, começava a entrar no ritmo do sofrimento, do fingimento, da falsidade, da máscara; as engrenagens do mundo começavam o seu trabalho diário de nos esmagar entre elas, e nós, fingido estar tudo bem – porque afinal temos um emprego, uma casa e uma família – nos lançando entre elas com um sorriso artificial no rosto como os lemingues se lançam à morte inexplicável em grandes penhascos, sem sabermos, nós, que os lemingues nunca se suicidaram, mas foram jogados no penhasco de forma cruel por uma grande empresa de entretenimento cujo símbolo é um rato! De novo, a Verdade... Mas foi nesse agito inconseqüente de vida simulada e artificial que uma mãe empurrando um carrinho de bebê passa por mim e pelo vira-lata. No carrinho, uma criança pequena brincava, livre, ainda, de certo modo, da Verdade. Foi quando, ao passar bem pertinho de mim, a criança sorriu para mim e acenou. Sorri, acenei de volta e, passado um minuto ou dois, comprei um pedaço de carne no açougue e dei para o vira-lata. Foi quando entendi o que o sol havia querido me dizer, ainda metade de sol, ainda promessa de dia: a Verdade é inexorável, mas, enquanto estivermos vivos, nós também somos inexoráveis, e podemos transformar a Verdade numa grande Mentira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TOZSVrAmRXI/AAAAAAAABBM/MvwDposeyZU/s1600/P%25C3%25B4r-do-Sol%2B%25282%2529.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 466px; height: 697px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TOZSVrAmRXI/AAAAAAAABBM/MvwDposeyZU/s400/P%25C3%25B4r-do-Sol%2B%25282%2529.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541206923801937266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7246180353802252091-726562570798818743?l=www.testamenta.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.testamenta.com.br/feeds/726562570798818743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/11/teologia-as-seis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/726562570798818743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7246180353802252091/posts/default/726562570798818743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.testamenta.com.br/2010/11/teologia-as-seis.html' title='Teologia às Seis'/><author><name>Antonio Marcos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09158863403869545749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-SS20SDPZdeQ/TsWbVvmsyiI/AAAAAAAABRk/RxEdSGJMI5M/s220/310639_2523070164015_1471170237_32833701_1339643626_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Az1135XGxTA/TOZSVrAmRXI/AAAAAAAABBM/MvwDposeyZU/s72-c/P%25C3%25B4r-do-Sol%2B%25282%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7246180353802252091.post-3466124925374816654</id><published>2010-11-10T17:48:00.003-02:00</published><updated>2011-11-24T00:39:31.405-02:00</updated><title type='text'>Deixa a Tia Nastácia em Paz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;MEC&lt;/span&gt; resolveu encher o saco com essa história de Monteiro Lobato ser ou não racista. Muito antes dessa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;polêmica&lt;/span&gt; besta que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;MEC&lt;/span&gt;, ao invés de promover um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;ENEM&lt;/span&gt; que funcione, anda fazendo, já se discutia não só se Monteiro Lobato era racista, mas toda a propaganda ideológica quase &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;direta&lt;/span&gt;, muito mal disfarçada, de questões culturais e políticas, como o Petróleo e o valor do folclore brasileiro e sua tradição oral que parecia haver em seus livros. Não li a obra toda do escritor de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Taubaté&lt;/span&gt;, mas, do que lembro e ando relendo nesses dias por conta dessa tempestade em copo d'água, dá para perceber na sua literatura pré-modernista tendências de manipulação ideológica, sim, mas não é o caso de começar a satanizar o homem por causa disso! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Profissionais&lt;/span&gt; de Letras, e eu sou um deles, sabem que toda obra literária é ideológica, e que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;dicurso&lt;/span&gt; dessa ideologia, o texto, traz muitas marcas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;autorais&lt;/span&gt;. Há teóricos da literatura que não concordam, mas isso é uma outra questão. Há debates antiquíssimos sobre isso de a figura ideológica, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;subjetiva&lt;/span&gt; do autor, estar presente no texto. Particularmente acho que isso é, como tudo na área de humanas, bastante relativo. Há obras mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;direcionadas&lt;/span&gt; ideologicamente e obras em que o autor simplesmente faz questão de não chegar nem perto durante o processo da escrita. Além disso, sempre defendi na Academia a Estética da Recepção, que traz para o jogo da interpretação textual o leitor, que é quem daria ao texto o sentido que melhor lhe convenha. Isso tudo para dizer apenas que, sim, dependendo do leitor, da intenção do leitor, da ferramenta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;hermenêutica&lt;/span&gt; utilizada para a leitura do texto, Monteiro Lobato será ou não racista. Toda essa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;lenga&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;lenga&lt;/span&gt; inventada por gente que não tem o menor conhecimento de literatura (portanto, só poderia ter saído do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;MEC&lt;/span&gt; mesmo), começou por causa de um único livro de Monteiro Lobato e depois quiseram espalhar pela obra toda, começando pelo Caçadas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Pedrinho&lt;/span&gt;. Nesse livro, há um aumento &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;populacional&lt;/span&gt; de onças pintadas na região do Sítio do Pica-Pau amarelo, e isso acaba ocasionando uma invasão de onças no Sítio e várias situações de fuga e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;enfrentamento&lt;/span&gt;. A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;polêmica&lt;/span&gt; do racismo de Monteiro Lobato estaria, entre outras passagens, nessas duas, por exemplo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“(...) Tia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Nastácia&lt;/span&gt;, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca &lt;span class="highlightedSearchTerm"&gt;de&lt;/span&gt; carvão”.&lt;br /&gt;“Não vai escapar ninguém — nem Tia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Nastácia&lt;/span&gt;, que tem carne preta”. (Emília).&lt;br /&gt;E agora, José, quer dizer, Lobato? Isso é racismo? Há quem diga que não, não só porque há um contexto em que essas frases, aqui soltas, estão inseridas, mas também porque racismo, até certo ponto, é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;subjetivo&lt;/span&gt;. Vivemos tempos de uma ditadura do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;policamente&lt;/span&gt; correto muito perigosa. Hoje em dia temos que ter cuidado com tudo o que escrevemos ou falamos, porque sempre haverá uma interpretação de racismo, de intolerância religiosa, de preconceito contra orientações sexuais, políticas, etc. O Brasil precisa é parar com essa mentalidade da coerção, da vigilância, da censura e começar a promover o diálogo em torno da liberdade de expressão. E isso não é apologia ao racismo, até porque uma das qualificações legais do crime de racismo é a discriminação. Mas, vamos tirar da equação os aspectos legais e nos deter no texto e no nosso bom senso, e
